sexta-feira, 3 de abril de 2009

Cinemão global...

A sétima arte é reconhecidamente uma das manifestações culturais que ajudaram a impregnar o mundo dos valores estadunidenses, bem como moldou a sociedade daquele país...Uma indústria poderosa que definiu hábitos e consumo, alçou homens e mulheres a condição de deuse da popularidade, e também os lançou aos quintos dos infernos do ostracismo...

Quando a televisão se tornou um fenômeno de comunicação nos EEUU, não houve grandes prejuízos ao cinema, que já se encontrava em um estágio de maturação tal, que na verdade, sua linguagem foi incorporada por essa nova mídia naquele país...

No Brasil,  um país que não experimentou todas as etapas do desenvolvimento  capitalista, e de certa forma, quase sempre, migrou de um ciclo para outro, sem que tivesse esgotado  as características principais de estágios anteriores, o que lhe rendeu um anacronismo endêmico, o cinema acaba por incorporar certos formatos da TV...

Podemos, a grosso modo, dizer que a o aparecimento da TV no Brasil não encontrou uma indústria do cinema ainda capaz de se impor e resistir ao assédio de uma mídia que levava a possibilidade de acessar conteúdo(programação)dentro de casa, sem necessidade de deslocamento, gratuitamente(desde que se comprasse o meio: a TV), e que se destinava ao cotidiano, e não apenas a apresentações marcadas...

ATV no Brasil engoliu o cinema, e pouco foi influenciada por ele...A linguagem que prevaleceu sobre a TV foi a do rádio, essa sim, uma manifestação bem mais estruturada e sedimentada junto a um público que permaneceu de certa forma, fiel...O rádio que foi absorvido pela TV são aquelas linguagens(rádionovelas, programas de auditório)que ficaram muito mais atraentes com a adição da imagem...Outras linguagens se adaptaram, e sobreviveram(jornalismo, esportes, música, etc)...

Não é estranho que a "retomada" do cinema como opção cultural da população, inclusive das classes C e D, recém aceitas no mundo do consumo de bens culturais, tenha se dado com os contornos da estética televisiva...
Qualquer indústria, ainda que incipiente, procura atender ao seu público de acordo com suas demandas, nesse caso, os espectadores para sair de casa deveriam ser atraídos pelos ícones que viam na sua TV...

Na sessão da tarde de hoje, que outrora já foi um espaço para a reprodução de filmes interessantes, embora repetidos à exaustão, exibiu um filme nacional que simboliza nossa face do "cinemão", ou blockbusters...

O Auto da Compadecida, reúne atores e atrizes conhecidos do público, uma dinâmica simples, possibilitada pela estrutura da obra de Ariano Suassuna(muito diluída, é verdade), uma direção ágil de Guel Arraes, com sua fotografia "árida", que coloca na tela, por um filtro meio que amarelado, a pobreza seca do sertão, falas cantadas, que dão "liga" ao filme...
Fácil de ver...fácil de entender...crítica social, romance, comédia e por fim, um componente religioso significativo...

O último sucesso da temporada, Se eu fosse você 2, de Daniel Filho, também com a produção de Globo Filmes, em nossa rasa opinião, se explica pelos mesmos motivos...Personagens vividos por grandes símbolos da TV, esquemas de roteiro simples, e uma idéia original que já deu ótimos resultados...

O grande problema dessa alternativa de viabilidade do cinema nacional, independentemente das opções estéticas, é a tendência a monopolização do público, através do poder financeiro da Globo junto aos exibidores, e sua enorme estrutura de marketing e divulgação, junto aos seus veículos de mídia...

Ainda assim, essa análise chata e comprida foi só para dizer que pela 276ª vez, eu me diverti ao assistir João Grilo e Chicó...


6 comentários:

Erik Schunk disse...

Bela análise cara!
Você é uma figura.
Um grande abraço!

Xacal disse...

Obrigado, meu caro...

Raskolnikov disse...

Não dá para falar de cinema nacional sem discutir a sua escandalosa forma de financiamento. Através do sistema de incentivo especial via renúncia fiscal (Lei Rouanet) a "indústria" do audiovisual nacional conta com um necanismo inédito nomundo capitalista: investiment sem nenhum risco! Com financiamento público de 100% da sua produção, os empresários do setor se quer precisam da platéia. Evidentemente que esse descompromisso (com a formação de público) e irresponsabilidade com o dinheiro público são totalmente insustentáveis! Sugestão de filme (por opção dos realizadores não incentivado com $ público): "Linha de Passe" do brilhante Walter Salles.
Saudações neo-realistas

Xacal disse...

devido a invasão dos patetas, volta a moderação de comentários, de forma provisória(como sempre)...

Anônimo disse...

Dica de filme: em DVD"Os Tres Mosqueteiros"-Walt Disney- com Mickey,Donald e Pateta (é sèrio)Vi com meus netos e me diverti bastante.

Anônimo disse...

Xacal, esse povo que fala mal de vc é pq tem inveja pois seu blog é show...