sábado, 4 de abril de 2009

Precedente perigoso...

Em Foggia, localizada ao sul da Itália, as autoridades locais determinaram que uma linha local de transporte público ofereça ônibus destinados a brancos e imigrantes(negros)separadamente...A notícia está no El País, de hoje...

A linha 24 vai do centro da cidade até a periferia, onde há um centro de albergados à espera de asilo...

Como os ônibus são insuficientes, há constantes tumultos e acusações mútuas de não pagamento da passagem....

Aqui, embora algumas integrantes da ONU tenham declarado que não há discriminação, uma vez que o serviço está garantido a todos, e o prefeito de centro esquerda da cidade, Orazio Ciliberti, tenha defendido a medida implantada por seu chefe de polícia, como necessária a segurança de todos, principalmente dos usuários imigrantes, não há como negar que a cidade de Foggia admitiu publicamente não ser capaz de controlar suas controvérsias étnicas...

Mas, como em toda situação parecida(ódio e intolerância racial)a ausência do Estado, nesse caso materializada na falta de ônibus para todos, e por fim, na ausência das forças policiais, é o que potencializa esses ódios, plantados em terrenos da desigualdade econômica e na exclusão das ferramentas de convívio social...

É impossível ao Estado, acabar com o sentmento íntimo racista de cada um em relação ao outro, mas é seu dever construir situações onde esses preconceitos não revertam em zonas de conflito...

Um comentário:

Sérgio Provisano disse...

É inconcebível que, em pleno século vinte e um, na Itália, berço do Renascimento, ocorra em Foggia, atos de segregação racial e mais grave, que a ONU ainda queira justificar, dizendo que não há discriminação.

Separar brancos e negros em ônibus distintos é claramente um ato segregatório que só estimula o ódio entre os cidadãos, podendo vir a gerar com certeza conflitos cujas proporções venham a ser difíceis de se controlar.