terça-feira, 7 de abril de 2009

TrOlHa Mural...

Nosso leitor Douglas Azeredo nos envia uma notícia, que publicamos aqui:

Em outra parte da mensagem eletrônica ele nos pede algumas linhas sobre o fato...

Xacal, talvez você até já deve tá sabendo sobre algo a respeito.

PDT-Rio racha e lança Movimento de Resistência Leonel Brizola

JB Online

RIO - Mais de 800 membros do PDT assinaram um documento de criação do Movimento de Resistência Leonel Brizola, constituído com integrantes insatisfeitos com as atuais tendências do partido. O objetivo é a reconstrução do PDT e a refundação do trabalhismo, conforme o manifesto lançado nesta terça-feira. Os integrantes do movimento consideram que o partido está se tornando uma "sigla de aluguel".

12:00 - 07/04/2009

Bom, acho interessante caso você pudesse escrever algo a respeito, falando da política fluminense em geral e dando certo foco no caso do PDT estadual.(...)

O mais importante, se você tiver tempo, quiser e puder seria um foco na política fluminense mais pra este panorama do PDT estadual, não restrito ao lamacento pântano goitacá.


Abraço, até mais.

Bom amigo leitor, vamos tentar dar conta, mas saiba que nossa rasa opinião não tem o peso, nem a credibilidade de um estudo acadêmico que o tema merece...


De certa forma, o trabalhismo no Brasil nunca teve, a não ser no nome, uma conotação política parecida com o trabalhismo na Inglaterra...
Se pensarmos bem, o termo trabalhismo, que tomou corpo na política nacional na Era Vargas, principalmente na sua segunda porção, 1950/1954, foi a consolidação de um projeto de uma parte da elite nacional, que pretendia organizar e regulamentar as relações trabalhistas das massas trabalhadoras urbanas, frente ao porcesso de desenvolvimento industrial brasileiro...

O formato estruturado desse projeto político se expressa na CLT, e em outras "conquistas" do operariado nacional, que embora seja anterior ao período "democrático" de Vargas, já revelava as premissas com as quais o capitalismo industrial tardio brasileiro manteria sua interlocução com sus força de trabalho...
Assim, o "trabalhismo" brasileiro não nasce um movimento político autônomo e capaz de fazer avançar a organização dos trabalhadores, mas tão somente, procura delimitar e acomodar tais demandas, com a personificação desses anseios sob a égide do "pai dos pobres"...Uma concessão que cobrava em troca impor limites estreitos para ação política dos trabalhadores...

Não custa lembrar que o compêndio de leis trabalhistas era inspirada na Carta del Lavoro, de Mussolini...

Mas denunciar apenas os aspectos paternalistas desse momento, não basta para elucidar suas contradições internas, suas transformações, e até alguns avanços, uma vez que o projeto nacionalista representado por Vargas necessitava do "apoio" das camadas populares, para justificar e fortalecer a imagem que fazia de si mesmo, e com a qual negociava com os setores abastados da sociedade...

Com João Goulart, a radicalização das fissuras no establishment brasileiro, bem como com o surgimento de lideranças nacionalistas mais extremadas, como Miguel Arraes, Leonel Brizola, Francisco Julião, dentre outros, possibilitaram uma inflexão à esquerda do trabalhismo, que de certa forma, se aproximou de campos políticos mais bem definidos ideologicamente, mas que não contavam com o modus operandi de lidar com grande contingente de adeptos, presos na concepção bolchevista de vanguarda...
De um lado a gênese vacilante do trabalhismo brasileiro não permitiu que esse passo fosse um rompimento definitivo com sua herança de subordinação a um líder carismático, de outro, os setores da esquerda tradicional rejeitavam abrir mão do papel de "guias geniais dos povos"...

Talvez essa tenha sido a brecha com a qual jogaram os conservadores, que como sabemos, desencadearam e instalaram um regime de exceção por 20 anos...

Esse longo hiato, fortaleceu os mitos do trabalhismo, principalmente Leonel de Moura Brizola, mas impediu, em boa parte por causa do exílio, que o trabalhismo se incorporasse a nova tendência de luta dos trabalhadores brasileiros, agora organizados em novos eixos econômicos, mormente no ABCD paulista...
Ali se gestava o que seria o Partido dos Trabalhadores, que embora ainda se reunisse em torno de um líder carismático, Lula, surgiu também como uma nova experiência assembleísta desse novo fenômeno político partidário brasileiro, que açambarcou as tendências reminiscentes da resistência a ditadura em suas hostes...É verdade que Lula é muito maior que o PT e a CUT, mas ele não seria o que é sem essas organizações...

Restou a Leonel Brizola o espólio do antigo trabalhismo, calcado na sua figura, ainda mítica e mobilizadora, mas sem lastro nas organizações da sociedade civil, que cresceram como resposta a maturação das contradições capitalistas brasileiras...

O trabalhismo de Brizola fincou suas raízes, não seria errado supor, a partir de critérios quase geográficos, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, onde eram mais fortes as lembranças da figura dos seus líderes, Vargas, Jango e Brizola...No entanto, essas unidades da federação foram, pouco a pouco, engolidas pelo seu declínio econômico, e de quebra, diminuíram o cacife político de Brizola em um Brasil, que além disso, era agora dominado por um veículo novo: onde antes era o rádio, agora era a TV Globo, que como sabemos, nutria pelo caudilho um ódio visceral...

Esses fatores, na minha rasa opinião, explicam de certa maneira como o trabalhismo brizolista foi perdendo sua "autenticidade", e apelo junto as camadas populares, e como em um círculo vicioso teve cada vez mais que apelar para dispositivos populistas para ter uma sobrevida, e quanto mais os utilizava, mais se sufocava e diminuía...

No Rio e no Rio Grande, o PDT minguou até chegar ao estado no qual se encontra...Incapaz de resistir ao assédio de aventureiros, e de "profanadores" da "memória trabalhista", o que se explica pelo que expusemos acima, ou seja, com a extinção de suas referências (Brizola), o partido que centraa ali toda sua vida, morreu com ele...

A busca de um novo "retorno" as raízes é positivo, para o resgate de uma memória ética, mas não atende a necessidade de romper com o anacronismo de um movimento político que se extingüiu por sua prórpia natureza concentradora, e dependente de grandes líderes, e pouca base social e partidária...

O aparecimento de oportunistas e políticos de biografia duvidosa, como temos por aqui em nossa região, é um desfecho trsite para uma das tradições de nossa História política...

Mas creia-me, não poderia ser diferente... 

O ressurgimento do PDT, se é que é possível, é enterrar, com todas as honras merecidas, o seu "chefe maior", Leonel de Moura Brizola, e reinventar seus saberes políticos....

Um comentário:

Anônimo disse...

Brizola sem dúvida nenhuma foi o maior político que o país já teve!!!!