domingo, 24 de maio de 2009

Oportunidades e negócios...

Durante boa parte da década de 80, e início da década de 90 do Século XX, o município de Campos dos G., figurava como pólo regional da indústria do vestuário, onde as confecções de "jeans" despontavam como alternativa de criação de empregos e gerador de riquezas...

Naquela época, algumas manufaturas despontaram, e se firmaram no cenário ecônomico, como a BIG 13, JAM & IAN, Diony's, etc, todas especializadas na fabricação de peças a partir daquela matéria-prima, ladeadas pelas malharias como VECEBA, LE LION, PONNALA, etc...

Com as crises cíclicas e estagnação econômica, inversões cambiais, e por fim, a abertura do mercado nacional às importações estrangeiras, esse setor industrial foi aos poucos sendo esvaziado, mas algumas se readaptaram às novas condições, e de certa forma, mantiveram suas atividades, mesmo que agora, sem a punjância de antes...

Não seria incorreto dizer que esse setor da economia local carecia de produtos com melhor valor agregado, e principalmente, inovação e execução de novas tecnologias e intercâmbio com outros mercados internos, e por que não dizer, externos...

Atualmente, uma novidade no setor vai tomando corpo, sem a atenção necessária das entidades de classe, e desarticulada de um esforço sistemático do poder público em mediar demandas e promover as políticas públicas de incentivo corretas, que fujam do "apadrinhamento", e que garantam o paulatino fortalecimento autônomo das empresas, para recuperar a tradição e vocação local em funcionar como aglutinador desse ramo industrial na região...

Em boa parte, as iniciativas acompanham a evolução dos centros formadores de tecnologia, através de cursos superiores ligados ao ramo da moda(estilismo, design gráfico, por exemplo)
e ensaia uma tímida ação em bloco, repercutido nas feiras locais e regionais, eventos diretos (desfiles, mostras, etc) e indiretos(patrocínios a atividades correlatas: eventos esportivos)...

Ainda alheios ao fundos locais de incentivo(fundecam), e sem um ação dirigida de promoção dos produtos para fora dos limites da planície, as indústrias ainda reivindicam do poder público o investimento em formação de mã0-de-obra, que tire do amadorismo a produção, que em muitas vezes se assemelham a fábricas de fundo de quintal, quase artesanais, incapazes de aproveitar as vantagens da maior escala, diminuição de desperdícios, melhoria das condições de negociações com fornecedores e clientes, e por fim, otmização dos processos de divulgação, logística e melhoria dos outros elos da cadeia produtiva(facções terceirizadas, estampadores, etc)...

Falta, portanto, uma visão de conjunto, tanto dos empresários, quanto dos governos, em unir competências e aparar os gargalos do setor...

De olho no potencial proporcionado pela estratégica localização no eixo litoral capixaba/litoral norte-fluminense/região dos lagos, o ramo de produção de vestuário de trajes de banho fortalece cada dia suas posições, mesmo que fragilizado pelas ameaças que expusemos acima...

Marcas como Veste Leve, Kammali e Mania D'àgua, expandem suas atividades para outras cidades, agregam suas marcas a eventos ligados a moda praia e esportiva, e trazem para as suas linhas de produção os conceitos apreendidos nos centros universitários, com nítida melhora na criação e gerenciamento de sistemas e processos...

Com isso, surge no entorno um reforço das atividades secundárias, como logística de eventos: cenógrafos, fotógrafos, agências de publicidades, profissionais de estética(maquiadores, cabelereiros, etc), e por outro lado, as atividades ligadas a manutenção de máquinas, transporte, e imobiliário, com o crescimento de unidades de comércio...

Resta ao poder público, associado aos serviços nacionais de aprendizagem, ligados a confederações da indústria e comércio(SENAI, SESI, SEBRAE), organizarem a cadeia produtiva e promover a qualificação da mão-de-obra local, oportunidade ímpar de criação de postos de trabalho com baixíssimo custo de investimento direto, talvez algo em torno de 5 a 10 mil reais por emprego, um índice muito menor que os exigidos por mega-empreendimentos, que além de consumirem grandes somas em subsídios, ainda têm grande impacto sócio-ambiental, ao contrário do setor de vestuário...

Oportunidades existem, e basta os governantes atentarem para os fatos....

8 comentários:

Anônimo disse...

XACAL,
Os "governantes",sabem......mas não querem!!!!!!!!!!
Não convém a independência do povo,é bem mais lucrativo manter a "dependência",com os programas sociais(politiqueiros).

Pudimdimdim disse...

Aproveitando o título do Post :

Pedindo emprego a Uílsson :
Um sujeito vai visitar um amigo deputado federal e aproveita para lhe pedir um emprego para o seu filho que tinha acabado de completar o supletivo do 1º grau.

- Eu tenho uma vaga de assessor, só que o salário não é muito bom...

- Quanto doutor?

- Pouco mais de 10 mil reais!

- Dez Mil!!!!!!! Mas é muito dinheiro para o garoto! Ele não vai saber o que fazer com tudo isso não, doutor!!! Não tem uma vaguinha mais modesta?

- Só se for para trabalhar na assembléia. Meio período e eles estão pagando só 7 mil!

- Ainda é muito doutor! Isso vai acabar estragando o menino!

- Bom, então eu tenho uma de consultor. Estão pagando 5 mil reais por mês, serve?

- Isso tudo é muito ainda, doutor. O senhor não tem um emprego que pagasse uns mil e quinhentos ou até dois mil reais???

- Ter até tenho, mas aí é só por concurso e é para quem tem curso superior, pós-graduação ou mestrado, bons conhecimentos em informática, domínio da língua portuguesa, fluência em inglês e espanhol e conhecimentos gerais. Além do mais, ele terá que COMPARECER AO TRABALHO TODOS OS DIAS ...

Anônimo disse...

Xacal, sei que o foco das críticas que todos nos, com um mínimo de senso crítico, fazemos concentra-se no poder público municipal.Também pudera, o governo que aqui se instalou é insuperável...no entanto, acho importante, destacar a letargíca inoperância do SEBRAE em Campos. Dá pena.

Se o SEBRAE, se pretende, permanecer vinculado à iniciativa privada, vai ter que se revirar do avesso...e tabalhar.
Josélia

Avassaladora disse...

Sr. Xacal, passando para lhe deixar uma abraço.

Um texto interessnte sobre Campos..

Mostra que vc é um rapaz atento aos acontecimentos e a vida cotidinana...


Beijos avassaladores

Anônimo disse...

Toda educação está triste com o que está acontecendo com os professores. Estão sendo humilhados, massacrados, por conta do pessoal que Dona Auxiliadora trouxe do Estado. São pessoas que nao tem nenhum preparo, eles tem uma visao do que acontece no Estado, que é totalmente da realidade do municipio,enquanto, a Secretaria vive se escondendo, nao dá as caras, vive num mundo abstrato, nao atende ninguem, deixando as coisas acontecerem e ficar por conta dessas pessoas despreparadas que vieram do Estado, chegando ao ponto, de juntar turma para sobrar professores, mas o fim aquela professora que saiu de determinada escola, fica em casa sem trabalhar, aguardando escola, porque aquela professora dá aula em outro horário em outra escola, veja voces, quanta confusão. ai eu pergunto: e o SEPE? onde está? essa situação só vai parar quando morrer alguns professores de enfate,de estresse, ai todos vão acordarem.

claudiokezen disse...

Caro Xacal:

Em Friburgo, bem aqui do lado, pequenas confecções de roupa íntima começaram na informalidade a gerar renda e empregos ali pelo final dos anos 80.

Logo elas se associaram e passaram a cobrar do poder público incentivos para este ramo. Por incrível que pareça, esta parceria deu certo. Seminários, consultorias e outros tipos de ações jundo ao SEBRAE, SENAI, SESI, etc...levaram Friburgo a ser um polo exportador deste produto e referência nacional com uma feira muito bem gerenciada pelos empresários do setor.

Assim, ganham todos: impostos são arrecadados, empregos gerados, etc..

Sugiro que os pequenos empresários do setor de moda de praia se associem, atuem junto ao poder públco e busquem um intercâmbio com a experiência de Friburgo.

Alah salam aleikum!

Xacal disse...

Mohamed Ali Cláudio,

nosso "mulá" da música, e da arte da luthieria...

você está com a razão...

a cidade de Friburgo associou sua vocação para a produção de moda-vestuário íntima, articulou sua rede local em um arranjo produtivo que extrapolou os limites regionais, e que transformou a cidade em pólo difusor de tecnologia,produtos e negócios...

Some-se a isso, o exemplo e a proximidade com Petrópolis, e a rua Teresa, que catapultaram as possibilidades daquela região...

That's business, andd that's the economy, stupid...como diriam os donos do mundo...

Alah salam aleikum

claudiokezen disse...

Caro Brima Xacal:

Obrigado pelo título honorífico "Mulá" dado aos líderes religiosos muçulmanos.

Porém, penso que seria um pouco inadequado para mim, este pobre descrente, tamanha honraria.

A vida tem me ensinado que eu estou mais para mula mesmo, ainda que isto seja uma ofensa aos valorosos e prestativos equinos.

Salam.