segunda-feira, 15 de junho de 2009

Bomba-relógio...




A dificuldade de falar sobre o tema Oriente Médio se desdobra sob vários aspectos...

Primeiro, a qualidade de informações que nos chega, contaminada pelos interesses geopolíticos que fornecem boa parte dos subsídios para os órgãos de comunicação, está associada a uma série de preconceitos e estereótipos que carregamos como hernaça cultural ocidentalista...

Por outro lado, a informação oficial e pró-Irã, com veículos como a Al Jazeera Magazine(edição eletrônica), também nos dão um panorama parcial da questão, muito embora, sua cobertura seja infinitamente superior a dos PIGs internacionais...

Para os jornalistas de diploma, que buscam a "imparcialidade", como forma de vender argumentos, desde o nascedouro emprenhados da defesa de um dos lados, é um desespero...A situação de fato sempre estará embaçada pelas lentes das demandas políticas...

Como não pretendemos ser jornalistas, nem muito menos "imparciais", nossa tarefa parece mais fácil...

Os fatos:

O Irã realizou uma eleição, seu atual presidente foi reeleito, com mais de 60% dos votos...

As versões dos fatos:

Pró-Ahmadinejad: não houve irregularidades, e os oposicionistas derrotados tentam um golpe, que deve ser reprimido, quaisquer que sejam os meios...Ainda que haja episódios qustionáveis, devem ser tratados como exceção, e não regra...

Contra-Ahmadinejad: o pleito foi irregular, e consequentemente, o resultado não pode ser aceito como legítimo, o que justifica os protestos e o questionamento de todo o processo...

Tudo seria ótimo se fosse tão simples, mas não é...

O fato de terem havido irregularidades, não pode ser considerado como um ponto de apoio, para teses de deslegitimação do processo eleitoral iraniano, não menos viciado que os que elegeram os governantes-títeres dos EEUU, no Afeganistão, ou no Iraque...

Sem mencionar o próprio processo eleitoral no "país-democracia", os EEUU, que elegeram bush jr às custas da manipulação descarada das urnas e cédulas no estado onde seu irmão, jeb bush, era governador, a ensolarada Flórida...

No entanto, o fato de terem acontecido eleições no Irã, não faz daquele país uma democracia...

Mas outro fato inegável é que, diante de todas as cagadas intervencionistas estadunidenses dos últimos anos, é o Irã, paradoxal e ironicamente, um dos países a gozar de certa estabilidade institucional, justamente, o que dizem querer implantar os neocolonos da era bush jr, agora representados pelos falcões democratas de Hillary Clinton...

Alimentar as cisões que estão curso no Irã, pode desencadear um cataclisma mais grave, que como dissemos, ameaçarão a já instável e volátil situação do local...

Ao contrário de imaginarmos que o enfraquecimento de Ahmadinejad é uma vitória dos mocinhos contra os bandidos, onde repercutiríamos a lógica simplista hollywoodiana, é necessário que a diplomacia internacional, representada pelos organismos multilaterais, possa reconquistar sua trajetória de mediação de conflitos, e buscar assim, a preservação dos direitos humanos a liberdade de expressão, sem que para isso sirva de plataforma para projetos golpistas, como foi o caso recente da Venezuela, por exemplo...

Como já dissemos aqui, em outras oportunidades, ao imiscuirem-se em questões internas, em nome de supostos valores universais, a ONU e os países-xerifes-do-mundo, reforçam os laços que unem maiorias em torno da xenofobia e do isolamento militarista e agressivo...

De quebra, ao servirem, como sempre, de capangas internacionais, esses organismos fazem escorrer pelo ralo sua rala credibilidade para agir quando forem, realmente, necessários...

Deixemos os iranianos resolverem seu problemas...Pela autodeterminação dos povos, sempre...!



Fotos: El País...

2 comentários:

rufus disse...

É isso Xacal! Brilhante análise. Nada mais a ser dito...
Apesar de eventuais "excessos" vc continua afiado!
Forte abs.
Direto do "porão".

Anônimo disse...

foi visto nesse final de semana, a proprietária de uma grande jornal almoçando com um secretário da Prefeitura, que diga de passagem deve ir para o Rio de Janeiro para a campanha de Garotinho.