sábado, 27 de junho de 2009

Caos...

Não é de nossa tradição fazer a crítica política desse desgoverno com o drama alheio...Mas não podemos ficar indiferentes a esse texto publicado no blog do Roberto Moraes...

SÁBADO, JUNHO 27, 2009

Relato trágico e atual de uma filha num caso estarrecedor na Saúde Pública em Campos
O blog recebeu da professora Kátia Maria dos Santos Silva, também aluna concludente da licenciatura em Geografia do IFF, um relato detalhado e emocionado feito agora, no final desta manhã de sábado de um problema vivido nos corredores dos setores dos setores de Saúde do município de Campos com o seu próprio pai.

A riqueza de detalhes e o absurdo da situação têm que ter algum tipo de repercussão. Com certeza, ele não é único e nem pontual. Ele pode estar mostrando algo que também não é novo e nem apenas deste governo. Em meio a tantos recursos a saúde pública em Campos está gravemente enferma. Leia o relato e não tiremos dela apenas conclusões e a torcida e o desejo que o caso possa ainda ter um final feliz, mas que se possam ter ações rápidas, inclusive do MPE. Abaixo o relato da professora Katia:

“Brasileiro, aposentado, 77 anos, casado, pai de 9 filhos (7 mulheres e 2 homens), migrante nordestino, negro, analfabeto funcional, cego em conseqüência da evolução da diabetes (doença que lhe tem legado outras patologias). Este é o meu pai que há 20 dias encontra-se internado na enfermaria da clinica médica de um hospital público. Passou por um procedimento cirúrgico em caráter emergencial para retirada da vesícula.

Desde então precisava ser submetido a um exame de CPRE, (indicado para avaliação diagnóstica e tratamento das doenças como cálculos e tumores biliares, tumores e cistos pancreáticos, pancreatite crônica, doença crônica parenquimatosa do fígado e estenoses- estreitamentos inflamatórias ou pós-cirúrgicas das vias biliares.) cujo pedido foi solicitado a duas semanas, e por várias vezes refeito ao setor competente do hospital por mais de um dos médicos que diariamente relatam o quadro clinico dos pacientes da clínica.

Durante este período de espera o quadro clínico do meu pai agravou-se, ao ponto de apenas conseguir ingerir 3 tampinhas de água mineral. Nesta semana, por duas vezes, nos preparamos para sua remoção para Itaperuna e no dia seguinte para Bom Jesus do Itabapoana, onde o exame supostamente seria realizado. Mas as orientações e informações recebidas no hospital não se confirmavam.

Após muita pressão da família ao hospital e um e-mail (em forma de reclamações, ameaças de denúncias na mídia e na justiça, pedido de socorro a governantes e outras autoridades) enviado à ouvidoria do município, na quarta-feira 22/06, no horário da visita familiar, um médico apresentou-se, afirmando ter vindo de Bom Jesus para avaliar o meu pai e que na quinta feira entre 12:00 e 13:00 horas, o mesmo estaria sendo removido a outro hospital daqui de Campos mesmo, para fazer o exame, pois o meu pai não apresentava condições de ser removido para outra cidade.

No dia seguinte a remoção não aconteceu, pois o pagamento do exame não tinha sido liberado. Percorremos a sede do governo municipal, vários telefonemas foram dados por autoridades competentes ao hospital, a reportagem de um jornal da cidade entrevistou a família para possível publicação de uma matéria. Chegamos até a Delegacia, já havia possibilidade de ameaças em questão, quando por telefone mais uma vez fomos informadas de que o exame estava marcado para a sexta às 10:00.

Ontem chegamos ao local do exame aproximadamente ás 14:40, (na documentação do hospital o horário solicitado era de 14:00 horas) o pagamento do mesmo não havia sido realizado. Eu pessoalmente dirigi-me ao setor competente, paguei R$ 2.300.00. Meu pai foi encaminhado ao centro cirúrgico, após ter ficado aproximadamente 10 minutosaguardando dentro da ambulância. Fui à sede do governo, uma das autoridades do poder executivo estava no estacionamento, mostrei-lhe o xerox do recibo do pagamento realizado por mim.

O diretor do hospital público em questão, também se encontrava na sede municipal. Todos os envolvidos frente a frente, ali mesmo mais um telefona foi dado, e a informação recebida era de que quando o pagamento do hospital “entrou”, o médico já estava na metade do procedimento cirúrgico pago por mim. A autoridade em questão me disse: “então filhinha susta o seu cheque, já está tudo resolvido”. Eu prontamente lhe respondi, não. E para tal hospital o meu pai não vai voltar, pois já havia também solicitado sua internação após o exame.

No caminho entre Prefeitura e hospital, várias vezes estacionei para atender a chamada telefônica de minha irmã, que me passou as seguintes informações. 1ª- O médico disse que papai está muito fraco, e precisa de pelo menos dois dias para se fortalecer para depois ser reavaliado, e talvez vir a fazer o exame, e que não poderia “segurar essa bomba.”

2ª. Como havia também a solicitação de uma “Papilotomia endoscócipa”, disse ter realizado a mesma, explicou todos os procedimentos realizados e que precisavam ser seguidos, mas o que foi possível ele havia feito.

Neste ínterim, chega o diretor do hospital público e a curta distância ambos pareciam se desentender verbalmente. Ambos saíram e não mais voltaram ao centro cirúrgico. Uma funcionária devolveu o meu cheque e informou a minhas irmãs que o tal diretor havia pagado o exame com dinheiro, e que havia deixado a ordem para remoção do meu pai de volta após o exame.

Na saída do centro cirúrgico procuramos pelo hospital um médico disposto a fazer uma avaliação do nosso pai. Fomos aconselhadas a não mantê-lo internado ali, pois não havia nenhuma descrição documentada detalhando a situação completa do paciente sendo dificílimo um médico assumir um paciente em tais condições.

Cansadas, magoadas, revoltadas e tantas coisas a mais, acompanhamos a remoção de nosso pai de volta ao hospital publico, o seu nariz sangrava lentamente e ele reclamava de dor de cabeça. A última notícia de hoje manhã de sábado 27/06 foi passada agora por telefone à minha irmã que no momento está com ele, informando que o sangramento donariz não cessou e que sua barriga voltou a ficar assustadoramenteinchada e no momento ele vomita sangue.

Num imenso esforço para manter-me emocionalmente controlada e agir de forma racional, quero explicar que minha intenção é de tornar público este drama pessoal com as seguintes perguntas. Até quando? Quantas famílias irão passar dramas semelhantes e até pior do que este. Alguém pode nos ajudar? Meu pai vai mesmo morrer dentro deste “hospital”? O que podemos fazer?
Kátia”.
POSTED BY ROBERTO MORAES AT 12:40

7 comentários:

Jose Manuel Ferreira Machado disse...

Maaaaadddddeeeeeeiiiiiirrrrrraaaaa!!!

OU sera MMMIIIILLLLLTTTTAAAAA!!!!

Gayrotinho disse...

Pode dizer a ela que se o seu pai morrer, prometo em nome da prefeita lhe fornecer um caixao a um real, isso seria o minimo que podemos esperar do poder publico.

Anônimo disse...

Que vergonha e desrespeito a vida humana... saúde pública em campos virou caso de polícia! Uma lástima...

Sérgio Provisano disse...

É um absurdo tudo que foi relatado. Não dá para acreditar no que está escrito, parece uma peça de ficção mas, não é. É a realidade nua e crua, um retrato real do caos instaurado na saúde em nossa Campos dos Goytacazes.

Dias atrás, li nos jornais, que o secretário de saúde disse que em setembro, os problemas da saúde em Campos, estariam sanados.

Só acho que ele esqueceu de combinar com a população para ninguém adoecer até lá.

Esperar até setembro, chega a soar como zombaria, é querer brincar com coisas sérias. O caso relatado é um exemplo claro que não dá para esperar mais um dia sequer, quanto mais até setembro.

A Professora Kátia e seus familiares, deveriam registrar uma ocorrência na Delegacia de Polícia e as autoridades policiais deveriam prender imediatamente o diretor do hospital e todos que forem responsáveis pelo atendimento (se é que podemos chamar assim) do seu pai, pois só assim, eles, os (ir)responsáveis pelo caos instaurado na saúde em Campos, agirão com a devida responsabilidade que essa área exige, afianl, são vidas humanas que estão em jogo.

Anônimo disse...

Caro blogueiro,

Esta é a "saúde" do atual governo! Não estou aqui para exaltar o recente passado desgoverno, um antro de "gazelas deslumbradas" dirigindo uma turba enfurecida de chacais, mas, ainda que em caos moral, a saúde, com todos os superfaturamentos possíveis e impossíveis, locomovia seus enfermos; levava-os a tratamentos na capital; servia-lhes com remédios, enfim, apropriavam-se descaradamente do Erário, mas, em parcelas posológicas, administravam saúde. E o que temos hoje?...um bando de abutres sedentos de sangue ante o ressurgimento das cinzas de seu líder leviatã, homem sem escrúpulos(não sabe o que significa!), sem moral, sem ética, enfim...sem humanidade...um arauto do caos em busca da destruição de tudo que é vivo em seu caminho, ladeado por seus zumbis escravos, incapazes de sequer ter uma idéia original, todos imbuidos de desejo de incutir na sociedade o desejo de vingança e inquisição pérfida, sem notarem que o destino de pessoas, como a suplicante que narrou sua saga, está ao alcance de suas mãos e que poderiam fazer a diferença! É noite...jaz Campos...ex intrépida e formosa, hoje, decrépita e moribunda!

José Eduardo - Advogado - cidadão angustiado pelo forte cheiro de enxofre que impregna o ar campista.

Anônimo disse...

Gostaria de diante desse quadro tão terrível que vemos descrito pelo Prof. Roberto Moraes em seu blog e , retransmitido no sentido de reafirmar a crítica ao poder público pelo pelo próprio proprietário desse blog( Xacal), posso dizer à Kátia, filha do senhor que está passando por tudo isso: mesmo com Plano de Saúde, a lástima é uma só: não se têm mais médicos por vocação e, sim por oportunismo e aí, o sentimento não se move diante de casos como o do seu pai.Estamos abandonados quando o assunto é SAÚDE . O poder público não se mexe,os diretores de hospitais , completamente alheios às questões sociais. O paciente morrendo é lucro pra eles. Dê uma passadinha no Ferreira e observa: médicos sendo substituídos por acadêmicos, supervisores fora de seu ambiente de trabalho, Direção do hospital, nem aí e, os pacientes em situações semelhantes a do seu pai. É duro assistir a tudo isso de braços cruzados.Não tem como ser de outro jeito.

Anônimo disse...

Xacal, cadê o Conselho Municipal do Idoso?
Fechado.
Cadê o Núcleo de Violência Contra o Idoso?
Fechado.
Nesta planície só se fala e se preocupa em como colocar meus parentes, mas os programas de políticas públicas, eles nada fazem. resulltado Òbitos, maus tratos e negligêcnias.
è uma pena.