quinta-feira, 25 de junho de 2009

Os quinta-colunas...

Desde a sua estréia, o seriado Força Tarefa tem despertado as mais diversas opiniões...

A rede pig globo tem tradição em abordagem fictícia de temas policiais...Quem tem um pouco mais de idade, como eu, se lembra de Plantão de Polícia, com Hugo Carvana dando vida a um repórter policial, Waldomiro Pena, com todos os trejeitos e sotaques do gênero...

Com o passar do tempo, a narrativa original de nosso contexto policial, cedeu ao apelo do formato enlatado, copiado dos EEUU...Foram tão descartáveis, que nem me recordo como eram...

Eis que a rede pig reinveste no gênero, com o programa estrelado por Murilo Benício...A estética é nossa, mas a narrativa segue o modelo seriado estadunidense...
Diga-se de passagem que o filtro das lentes, a fotografia em geral, direção de arte, e o movimento de câmera criam imagens de boa qualidade, mas um tanto quanto forçadas do ambiente policial...Os roteiros são enxutos, e as falas são um pouco maiores que a realidade, bem como falta um pouco do "policialês típico"...Força Tarefa cede ao estereótipo, mas é de boa qualidade...

A atuação do elenco, com destaque para o protagonista, Benício, que reafirma sua vocação para viver personagens desajustados, como o foi em Juca Pirama(remake de Irmãos Coragem) e Máiquel(no cinema, em O Homem do Ano, baseado no livro de Patrícia Mello, O Matador...), dá um bom ritmo as episódios...Milton Gonçalves convence com o coronel íntegro, e os coadjuvantes seguem na escada proporcionada pelos mais experientes...

Mas o ponto central dessa análise não é a crítica artística, até porque, me faltam elementos e saberes para tanto...

Por outro lado, para uma análise sócio-antropológica também me faltam ferramentas...

Vou de opinião de espectador mesmo...

O protagonismo da seção reservada da PMERJ, a P2, unidade destinada a investigação de desvios de conduta dos policiais militares da seção 1, ou seja, todos os que atuam na atividade ostensiva(na rua...) é uma distorção grave, e um ataque simbólico a imagem da Polícia Militar...

Legitima uma visão de mão única, onde a única PMERJ que funciona é a antítese da própria PMERJ, ou seja, a P2, uma unidade sem rosto e sem uniforme, como se esses requisitos: o uniforme e o trabalho de rua, fossem uma mácula indelével do exercício de policiamento da sociedade...

Nem mencionemos o fato de que os "casos" resolvidos pelo Tenente Wilson, extrapolam em muito a atribuição de sua unidade...Como na vida real, quer pela ausência da Polícia Civil, quer pela falta de investimento na tarefa de investigação dos crimes, atribuição constitucional exclusiva das Polícias Civis, resta a P2 atuar como polícia judiciária...

Reafirmamos aqui nossa aprovação do seriado pelo sua qualidade...É bom entretenimento...Mas nem de longe se trata de diversão inocente...
Sua mensagem, embora os diretores e criadores sempre apelem para o batido e inútil argumento da "neutralidade" da arte, é clara: a melhor PMERJ é aquela que combate a PMERJ...A melhor PMERJ é aquela que não se parece, nem atua como tal...

Desde já, é bom que se diga, em alto e bom som: Não estamos a defender a impunidade e a falta de órgãos de controle das polícias...Mas, quando o destaque e a mídia fazem filmes e reportagens sobre a polícia da polícia, é porque o sistema estatal de segurança está podre...! E a culpa não é só dos policiais...!

Nesses tempos que a mídia e a sociedade cedem a tentação de apedrejar a bicentenária instituição policial, linha de frente de uma sociedade que construiu muros de segregação em torno dos mais ricos, nunca é demais lembrar:

As polícias não são nem mais, nem menos violentas e corruptas do que as sociedades onde estão inseridas...

8 comentários:

Camilla Angelo disse...

Adorei seu blog, muito interessante, assim como o meu fala sobre tudo!
Obrigada pela visita, volte sempre!
Virei fâ do seu blog, bjo

Anônimo disse...

Concordo plenamente. Os mesmos que atacam, atrás de discuros até com bons fundamentos, são os mesmos que corrompem quando um dos seus ( diga-se filhos de papai) estão em apuros com a justiça.
Reanatuuuuuu.....

Jane Nunes disse...

Ah não foi comentar o post não. Mas quero comentar o novo layout! arrasouuuuuuuuuuuuu, bjs

Gustavo Landim Soffiati disse...

1- Para quem é das antigas: "A justiceira" (nossa versão de Dama de ouro, com Malu Mader como Kate Mahoney tupiniquim, já denunciando a cópia dos enlatados estadunidenses) e, antes, bem antes, quase tão velha quanto a série "Plantão de Polícia", a mini-série "Bandidos da falange". Lembras?

2- Ainda quanto ao enlatamento: o episódio do dia 11 parecia calcado na fórmula consagrada em "Duro de matar": um homem num prédio enfrentando os bandidos.

3- Juca Pirama? Mas esse não era o personagem de Luiz Gustavo na novela "O salvador da pátria"? "Meninos, eu vi!" Não seria Juca Cipó?

Abraço.

Xacal disse...

é juca cipó, tens razão, ó soprador da fusão de sílica...

Xacal disse...

obrigado jane...tudo que faço é por vocês...rsrsrs...!

EU TENHO MEMÓRIA disse...

Xacal,me desculpe,mas acho que depois de LER o que 'encontrei' num BLOG...NINGUÉM TERÀ MAIS DÚVIDAS do ESTADO DE INSANIDADE MENTAL(22 purinho...)

"É muito bom saber que tantas pessoas, servidores de carreira dizem que sentem a nossa falta. Porque muitos governadores entraram e saíram e assim continuará sendo, mas eles lá estarão. Nós, os políticos somos passageiros, os servidores de carreira, esses são o corpo e alma da máquina do estado.

Eu e Rosinha, sempre tivemos uma relação de respeito com as pessoas, procurando valorizar o funcionalismo."

Será que ELE e ELA pensam que os SERVIDORES PÚBLICOS gostam,sentem FALTA DELES??????????????
Só se os do "PALÁCIO"que eles se referem são os DAS que MAMAVAM nas TETAS....
Os de CARREIRA??????????D>U>V>I>D>O!!!!!!!

É O "MAKAKO LOUKO" mesmo .

Provisano disse...

Confesso que desse seriado, só via as chamadas, não assisti nenhum episódio e não foi por preconceito ou qualquer outro motivo banal, é que nesse horário, assisto outro seriado em outro canal.

Mas, imagino que as críticas, pertinentes que são, enfocam a mesma diretriz que norteou por exemplo, a visão enfocada pelo filme "Tropa de Elite" onde prevaleceu a ótica de um lado só, a ótica dos caveiras, sem que tirasse o mérito da qualidade da produção do filme, que, no fim de tudo, era um filme com o propósito de divertir, tirar o espectador da rotina do dia-a-dia por algum tempo.

Força Tarefa vai por essa via, maniqueísta admito, mas não passa de mais um seriado no pedaço, voltado para angariar audiência e consequentemente lucro para a empresa. Depois desse seriado, não será nenhuma surpresa se a Rede Globo ou alguma concorrente lançar um seriado abordando a visão do CORE por exemplo, se der audiência que é o que eles querem, se for bem produzido, ótimo, gerará empregos e novos debates sobre a visão maniqueísta, reacionária e etecetera e tal.

No final das contas, PM que atua na linha de frente, no policiamento ostensivo, P2, CORE, Policiais Civis, enfim, sejam quais forem as siglas, são todos polícias e são herdeiros da mentalidade repressiva que vem desde o Império, com sua vocação de servir intrínsicamente aos poderosos. É claro que esse comportamento vem mudando gradativamente, de forma lenta e, virá um dia em que efetivamente teremos uma polícia-cidadã mas, por enquanto, o que ainda prevalece é a visão de proteger aos mais abastados, aos poderosos e isso é um fato incontestável.