terça-feira, 9 de junho de 2009

Para além de 2010...Ou: a tentativa de seqüestro do pt pelo pmdb...

Com a aproximação do pleito de 2010, que renovará os parlamentos estaduais e federal, bem como os governadores, muitas especulações tomam conta do cenário...

Em um tabuleiro multifacetado, onde os interesses ora se cruzam, ora se complementam, é necessário uma certa organicidade do debate...

O único partido que experimenta submeter suas diretrizes táticas e estratégicas a seus filiados, em processos eleitorais internos, que definem as novas direções partidárias em vários níveis(municipal, estadual e nacional), e também na aprovação de suas candidaturas e política de alianças eleitorais, é o Partido dos Trabalhadores...

É verdade que a Democracia interna do PT nem sempre foi muito bem entendida no espectro político partidário nacional, sempre acostumado a uma dinâmica que privilegia o caciquismo, e o enfraquecimento das estruturas das legendas políticas...

Também é verdade que esse processo de democracia e tendências internas deixaram muitas "cicatrizes", mas como se sabe, não há nada que substitua, a contento, o processo decisório coletivo...

Na medida que o PT avançava como alternativa e realidade de governo, cresceu a complexidade desses embates internos, que, como não poderiam deixar de ser, repercutem de sobremaneira na vida institucional brasileira...

Hoje, às vésperas da eleição presidencial brasileira, e sob o assédio da mídia golpista, e dos interesses a ela associados, de natureza conservadora de pior espécie, as discussões sobre a política de alianças se precipitam, e tomam conta de boa parte da agenda política do PT, dos aliados, e por que não dizer, dos adversários...


A falsa premissa...


Tocado pela necessidade de eleger o sucessor(a), e manter o projeto de poder e reconstrução do País sobre bases de desenvolvimento e distribuição de renda, Lula e a tendência majoritária a qual pertence, o CNB(ex-articulação), põem na rua uma tese de que as candidaturas estaduais devem se submeter, de qualquer forma, e a qualquer custo, ao projeto nacional, ou seja: mesmo em estados onde há viabilidade eleitoral(e principalmente por essa causa), o PT sacrificaria suas chances estaduais, em nome da manutenção dos palanques do pmdb, onde há governadores ameaçados por seus baixos desempenhos, e ou, pela competitividade dos adversários...

Desde já é bom que se diga: A premissa é falsa, e por esse motivo, contamina outros argumentos, que até poderiam ser inteligíveis e passíveis de consideração...

O pmdb não deseja reforçar a aliança, a não ser em benefício próprio, o que é legítimo...Estranho é que nossos militantes façam essa defesa para dentro do PT...

Nos Estados onde detém a hegemonia, e chances reais de vitória(com ou sem o PT), o pmdb corteja o ninho tucano, e acena com sua já conhecida dubiedade, que, inclusive, o mantém vivo e influente em todos os governos desde 1985, quaisquer que sejam os mandatários...

Sua reinvindicação de fidelidade, repousa, é claro, nos casos como o do RJ, onde o seu governador está sob fogo cerrado...


Os sinais de fumaça...

O candidato ungido pelos cardeais do CNB, e que presume-se, com o aval de Lula, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobrás, já declarou que os diretórios regionais(estaduais)devem se "enquadrar" de todo jeito, para caber no figurino proposto pelo planalto e o pmdb...

Na revista Carta Capital dessa semana, em uma de suas colunas, há uma sutil ventilação dessa tese: O resultado de uma pesquisa de opinião da Sensus, onde na rodada de perguntas espontâneas, Dilma Roussef aparece apenas dois pontos atrás de zé serra(algo entre 5% e 7%, respectivamente)...Na leitura dos dados pelo colunista está em destaque: a campanha eleitoral vai definir o voto, que por enquanto, parece suscetível a mudança de humores...

Logo, o fechamento de uma estratégia "forte" de campanha, com aliados já comprometidos, é uma conclusão quase natural dessa "informação"...

No entanto, os gênios do rolo compressor esquecem alguns detalhes cruciais...

O projeto nacional não se enfraquece com vários palanques nos Estados, e nada impede que o presidente suba, junto com Dilma, em vários palanques...Em resumo, os peemedebistas do PT entendem que uma campanha forte só pode ser assim definida, caso sejam ceifadas as candidaturas dos pré-candidatos petistas nos Estados...

Entendemos, justamente o contrário...

Os governadores, como sérgio cabral, que passaram todo o mandato agregados às realizações e apoio do governo federal, vinculando fortemente sua imagem a de Lula, não poderão fazer um caminho distinto rumo a zé serra, sem ameaçar de morte suas chances, e sob risco de diluir boa parte de seus parcos capitais polítco-eleitorais...

O que o pmdb faz é inverter essa lógica, e jogar a pressão para as costas do PT, que parece aceitá-la de forma dócil...

É bom não esquecer que boa parte do força do pmdb se dá em cima de sua capilaridade pelos Estados e Municípios, onde prefeitos locais suportam o esforço de eleger as bancadas...

Boa parte desses prefeitos do pmdb surgem depois de pleitos bem sucedidos nas eleições estaduais de deputados, onde mesmo que não se elejam aos parlamentos estaduais e federal, esses candidatos capitalizam votos e inserção social a partir dessas campanhas, embaladas por candidatos a governadores, que circulam nos recantos de cada Estado, ou seja, candidaturas majoritárias cumprem o importante papel de projetar novas lideranças pelos Estados, e resultarão na ampliação da microrrede de poder local, que, indubitavelmente, é a razão do sucesso do pmdb em ser o elemento da governabilidade de todos os governos federais após a redemocratização...

Abrir mão de boas campanhas majoritárias nos Estados onde temos chance é condenar, de plano, as pretensões de governabilidade de um(a) possível sucessor(a) de Lula, que continurá sob o jugo do pmdb, que repetirá sua velha e competente maneira de governar por controle remoto...

O pmdb não quer aliados, quer reféns...

Não seríamos ingênuos em desprezar a importância de uma política de alianças, que faça concessões e amplie o leque da coalizão governista...
Mas definir, de imediato, a degola dos candidatos do PT nos Estados, é entregar de mão beijada o controle do processo de ditar as regras...

O governo federal não parece ter aprendido com seus erros...

O lerdeza e leniência dos prefeitos, muitos deles do pmdb, em viabilizar a execução do PAC, uma vez que a maioria desses recursos são executados via prefeituras, mostra como é crucial que o PT cresça o número de prefeitos...

Essa demanda se realiza mais rapidamente com a expansão partidária durante campanhas majoritárias estaduais próprias, que refletirão, com certeza, nas eleiçãos de 2012...

Um comentário:

Anônimo disse...

10/06/2009
Mônica Bergamo: Serra avisa PSB estar inconformado com possível candidatura de Ciro em SP


Louco para arrumar uma alternativa para Ciro Gomes (PSB-CE), já que pretende marchar com Dilma Rousseff (PT-RS) na campanha presidencial, o PSB recebeu um petardo do governador José Serra, de São Paulo, informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada nesta quarta-feira na Folha.

Segundo a coluna, com palavras ríspidas, o tucano avisou ao partido, que o apoia no Estado, que não se conforma com a possibilidade de Ciro ser lançado candidato ao governo de SP.

A coluna informa que, de acordo com um interlocutor de Ciro no PT paulista, ele só aguarda uma "conversa firme" com o presidente Lula para decidir se sai ou não candidato por São Paulo.