sábado, 20 de junho de 2009

Ponto morto...

Como aficcionado por automobilismo, acompanho a atual polêmica da F1, acerca dos regulamentos, poder, etc, etc...

Primeiro, é bom que se diga que é quase impossível que nos informemos através da concenssionária de canal de TV, o PIG global, uma vez que seus interesses econômicos tendem a contaminar-lhe a pauta e as opiniões...

Assim, vamos tateando pelo escuro...

Creio que, como em todo embate público, ali esteja a repercussão pública da uma luta pela supremacia e pela hegemonia no esporte...Sim, como nos ensina o professor Renato Barreto, são conceitos distintos...

Você pode ter a maioria, o controle(supremacia), sem, no entanto, ter a hegemonia, que em termos chulos e iliteratos da TrOlha, seria algo como um consenso, ou uma adesão a sua agenda...

Como uma atividade que engloba diversas demandas: indústria do entretenimento, montadoras de automóveis, política, etc, etc, a F1 tem em seu interior, como toda forma de relacionamento humano, uma série de conflitos, que se acomodam ou se estrilam de acordo com conjunturas específicas...

Movida pelo dinheiro, a principal, e mais rica categoria do automobilismo mundial, reflete em muito a crise financeira, que atingiu em cheio a principal razão de ser da F1, ou seja, as fábricas de automóveis...

Muito embora, a face pública dessa briga seja a maior ou menor competitividade de equipes e pilotos, através da estipulação de regras que manipulem essas variáveis, o que está em jogo é o poder das montadoras sobre as entidades que controlam o negócio...

Com o enfraquecimento das grandes montadoras, os "cartolas" da F1 sentiram-se encorajados a arriscar mudanças que pulverizassem a concentração das vitórias em torno de uma ou duas escuderias...

Por sua vez, as montadoras e suas equipes, reagem e pretendem reconquistar o espaço fundamental para manterem-se pilotando um esporte-negócio que funciona como vitrine dos carros de passeio...

Há argumentos para todos os lados...

Há os que argumentam que uma democratização do regulamento que aumente a possibilidade de vitória de equipes e pilotos intermediários, aumenta a imprevisibilidade e, conseqüentemente, a renovação, manutenção e atração de público...

Outros, por outro lado, dizem que a falta de uma disputa mais concentrada entre dois, ou no máximo três, quatro pilotos dispersa a atenção do público, e tira o charme dos feitos dos heróis semi-deuseus, para privilegiar uma banalização das vitórias...

Em minha pobre opinião, esses argumentos não são excludentes...

O ápice desse esporte aconteceu, em minha rasa opinião, no período que esses duelos imortalizavam rivalidades(Senna x Prost-Piquet x Mansell, etc), sem que, no entanto, houvessem outros duelos intermediários, com pilotos que cumpriam com louvor o papel de coadjuvantes, como Villeneuve, Patrick Tambay, Jean Pierre Jabouille, René Arnoux, Mario Andretti, etc, etc...

Aguardemos o resultado dessa contenda, que estrategicamente veiculada, aumenta o interesse do público pelo espetáculo, que tem perdido fãs na terre tupinambá, em virtude do longo período de jejum de ídolos que honrem nossas tradições no esporte...




3 comentários:

Anônimo disse...

Sobre o assunto, a F1 não só é uma vitrine, mas um importante laboratório.
A propósito, como também sou espectador frequente, onde mais se pode ter notícias constantes sobre?
Obrigado.

Anônimo disse...

Xacal,
o grande problema é que eu não posso e não tenho direitos de dizer o que você deve postar. Entendeu?
Colocando isso em pratos limpos, concordo com a posição das montadoras, que investem milhões em tecnologia, para buscar vitórias. No entanto a FIA, que deveria se preocupar com outras coisas, está querendo meter o bedelho no lucro dessas montadoras.
Uma Ferrari por exemplo, vende seus motores de F1 antigos para outras empresas ou montadoras que disputam outros tipos de corrida de automóveis.
Nesse ponto, quem está vencendo tem maiores possibilidades de vender mais motores e fazer mais capital, portanto a Fia, não deve se intrometer em negócios feitos pelas equipes.
Entretanto a Fia alega questões como a crise econômica, que certamente é mais sentida na Europa, do que por aqui, porque nós brasileiros na verdade, não estamos nem um pouco interessados em crise econômica mundial, o que nós queremos mesmo é ter dinheiro no final de semana para assistir ao futebol, tomar uma cerveja, apostar alguns tostões na megasena, loteria esportiva, e no jogo do bicho.
Além do mais, toda vez que a Fia, tentou se intrometer nos assuntos de regras, ela quase destruiu a categoria, deixando os carros inseguros, e consequentemente aumentando o risco de vida dos pilotos.
Outro ponto a considerar é que os segundo-pilotos de cada equipe é que levam dinheiro dos patrocinadores para as equipes, para financiar em parte o alto salário dos pilotos de ponta.

Gustavo Rangel disse...

Xacal, tudo que você disse é correto. Mas em suma, a F1 foi engolida pela sua própria fome de dinheiro. Os pilotos estão em segundo plano. Hoje a máquina tem a prioridade das montadoras e o "piloto" que carregar mais patrocínio para equipe, fica com o banco. Apesar de ser um apaixonado, ainda, pela categoria, devo confessar que ela não tem o brilho de tempos atrás. Não existem mais super-heróis. Existem as super-máquinas. O romantismo acabou. A propósito, temos uma postagem que acho que vai gostar lá no Sociedade sobre brigas de brasileiros na F1. Seus comentários, são sempre oportunos. abs