sexta-feira, 17 de julho de 2009

Duas caras...

Para quem não conhece a saga do Batman, heróis dos quadrinhos, e ícone da cultura pop, exibida recentemente em The Dark Knight ( O cavaleiro das trevas), película homônina da série em quadrinhos, em quatro fascísculos, desenhada pelo "papa" Frank Miller, Harvey Dent, o promotor público de Gotham City, é o vilão duas caras...

Harvey teve sua face desfigurada pelos fascínoras que tantavam matá-lo...Assim, como a mutilação que exibia em seus rosto destruído de um lado, e intacto de outro... Duas Caras é, assim, a síntese da dualidade e ambigüidade humana, onde pendulamos entre bem e mal, e às vezes, deflagrados por episódios dramáticos, um desses lados em conflito, o mal, aflora e prevalece...

Esse psicologia rastaqüera que ignora as nunaces do nosso caráter, e as conjunturas que nos circundam, repousa nessa esquematização binária reduzida e simplista, que, no entanto, serve bem aos filmes de entretenimento e aos quadrinhos...

Em nosso caso, nessa cidade onde bem e mal não apresentam suas faces de forma tão bem desenhadas, embora a compreensão da realidade quase nunca escapem aos maniqueísmos, há figuras que se encaixam, em parte, ao comportamento do Duas Caras...

Há poucos dias, destacamos em um dos nossos textos, uma crítica ao movimento "nossa campos", cujo post tem o título:
Nossa Campos...Nossa de quem cara-pálida...?
Lá, nos referimos a um usineiro tipo soft, que mesmo tentando vestir um figurino light, e "muderno", não conseguiu proferir a palavra TRABALHADOR em sua fala, frente a platéia atônita...

Agora sabemos, ou imaginamos saber, o porquê de tanta hesitação e "saia justa"...

Ontem, a PF flagrou uma situação de irregualridades graves, inclusive com a confirmação da prática de contratação de mão-de-obra em condições análogas a escravidão, que atingiam cerca de 500 trabalhadores...

Qual não foi a nossa surpresa ao descobrirmos que a Fazenda Itaguaraçu(que não sabemos se é de propriedade da usina), onde os trabalhadores foram "libertados" estavam todos sob vínculo com a Usina Sapucaia...

Bom, e vocês sabem quem é um dos donos dessa usina, "exemplo de modernidade e respeito à dignidade humana"...?

Pois é, justamente o defensor ardoroso do "controle social",o vestal da firjan...Que adora apregoar as qualidades do setor privado em detrimento dos setores públicos, geneticamente corruptos e ineficientes em sua "muderna" opinião....

Ratificamos aqui: Toda a idéia de controle social sobre a agenda pública de definição de prioridades de utilização dos enormes recusos públicos a nossa disposição é bem-vinda, e urgente...

Mas nunca poderemos avançar se os setores organizados da sociedade cederem o controle às demandas dos representantes do que há de mais arcaico e falido, quer seja do ponto de vista da atividade econômica, quer seja pelo aspecto ético da subjugação de seres humanos a condição deploráveis de trabalho...

Fora com os Duas Caras de nossa elite decadente e parasita...!

3 comentários:

Anônimo disse...

AÇÚCAR DEVERIA DAR CANA...


Mais uma vez a Usina Santa Cruz é flagrada desrespeitando as leis. (Erik Schunk;10 de Junho de 2009)

o Ministério do Trabalho verificar notificou a Usina Sapucaia por manter trabalhadores sem as mínimas condições de exercer suas funções, como falta de água e contrato empregatício.


O Açúcar (Ferreira Gullar)


O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.

Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.

Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema.

Anônimo disse...

xaca...xacal,

Duas caras é um tipo de existir(teatro) que configura um tipo de loucura coletiva, aonde a midia delega criaturas(atores)e as consagra como pessoas acima de qualquer suspeita.. tipo ídolos de barro.
Temos,tivemos e teremos várias peças teatrais exibidas por aqui na nossa cidade !
- os mil patetas
- exposição agropecuria
- as folhas da manha
- nossa Campos (o vestal da firjan)
- ...

Somos manchete nacional: a pior escravidao dos tempos modernos !
Mas tem peças ainda melhores...
Um exemplo típico :" Presidente do Senado recorre a filósofo romano em discurso..."
_Será que o demo pig triunfou geral !
To achando (tAmOs) !!!

Anônimo disse...

BAGAÇO DE GENTE, CALDO DE SANGUE
“essa terra essa cana”

A escravatura foi a forma de relação social de produção adotada, de uma forma geral, no Brasil, desde o período colonial até o final do Império. A escravatura no Brasil é marcada principalmente pelo uso de negros vindos do continente africano, mas é necessário salientar-se que muitos indígenas foram vítimas desse processo.Os escravos foram utilizados principalmente em atividades relacionadas à agricultura, com destaque para a açucareira sendo assim essenciais para a manutenção da economia. A escravatura só foi oficialmente abolida no Brasil com a assinatura da Lei Áurea 13 de Maio de 1888.

No ano em que o Governo tornou o álcool combustível uma de suas principais bandeiras, alçando os usineiros a "heróis mundiais", mais da metade das libertações de trabalhadores em condições degradantes ou análogas à escravidão no Brasil ocorreu em usinas de cana-de-açúcar.

Os grupos móveis do Ministério do Trabalho resgataram em propriedades do setor sucroalcooleiro 3.117 pessoas em situação degradante, 53% do total (5.877). O restante foi resgatado em atividades como pecuária e carvoaria.

O sistema de produção baseado na monocultura, na mão-de-obra escrava, e na grande propriedade protegida pelo Estado, é um dos elementos essenciais para compreender a perversa concentração fundiária e o grau de extrema pobreza.

No final de junho(2009), o movimento sindical dos trabalhadores rurais assinou, junto com o governo federal e os empresários do setor sucroalcoleiro, um acordo nacional para garantir direitos trabalhistas para os cortadores de cana. No ato da assinatura, 91% das usinas aderiram, comprometendo-se a participar de uma mudança histórica, capaz de eliminar uma chaga social vergonhosa que se arrastava há séculos no Brasil.

Naquele mesmo dia e nos seguintes, a grande imprensa praticamente emudeceu. Fora uma notinha aqui ou outra ali, os brasileiros não foram informados desse avanço histórico, que para ser concretizado depende inclusive da divulgação que gera a mobilização social, necessária para a cobrança e a fiscalização; até porque, junto com a cana-de-açúcar vem a miséria e a superexploração do trabalho humano.