terça-feira, 7 de julho de 2009

O Youtube sobreviverá...?

O articulista do The Independent, Rhodri Marsden, na edição eletrônica de hoje, reacende uma polêmica que apenas começou, e que interessa a muita gente, principalmente as megacorporações, ansiosas por aprisionar e esquematizar as formas de produção de conteúdo com os meios de divulgação, a fim de realizar o que chamam de convergência...

Como uma idéia que permitiu a milhões e milhões de pessoas, produzirem e veicularem seus conteúdos, e que só se expande, apresentar sinais de esgotamento de viabilidade econômica de forma tão rápida...?

Bom, Youtube é um desafio para teóricos e práticos da rede...Perde rentabilidade a cada ano, algo entre 180 e 470 milhões de libras(dependendo da fonte de análise)...

Ainda que, com acerto, alguns especialistas digam que o Google, empresa controladora do Youtube tenha "gordura" para "queimar", e que o segredo não está na rentabilidade direta, e sim na ampla base de dados e conteúdo que fica sob seu controle, é certo que o debate sobre a rentabilidade do YouTube, nos moldes clássicos conhecidos pela indústria telemática/entretetimento/distribuição, ficará, em breve, superado...

Eu não consigo ainda mensurar, mas há uma estranha zona cinza, onde aquilo que os "especialistas" em comunicação, marketing e publicidade conhecem como pressuposto para montar uma plataforma de negócios, ou seja: mais exposição, maior visibilidade, maior recall e maiores compras, não parece funcionar no caso do YouTube, e me arrisco dizer, não pode ser automaticamente imposto a blogosfera...

Esse debate me chamou atenção por variados motivos, mas um deles se relaciona a muitas conversas que tenho com amigos mais próximos...Todos eles, de um modo ou de outro, me perguntam quando farei esse pequeno espólio de opinião, o blog A TROlha se transformar em algo lucrativo: quer seja pecuniariamente falando, ou até como catapulta para projetos políticos...

Não que essa dúvida me assombre pelos meus interesses pessoais: meu blog não é meio de sustento, e não o enxergo como ponto de partida para projetos políticos, embora nunca descarte nem dinheiro, nem poder, pois não sou louco...

A questão crucial é: O grande charme da blogosfera, e seu grande "patrimônio" é a independência(não confundir com o mito da imparcialidade), tanto na produção, quanto na deliberação sobre o que falar, e como falar, sem, no entanto, poder controlar quem vê, assiste ou lê...E o principal, com a possibilidade instantânea de intervenção do receptor da informação, que em um instante, inverte os pólos dessa relação...

Essa suposta assimetria, onde as escolhas sobre conteúdo se dão de forma mais aleatória, porque não se sabe qual público atinge, é que mantém esses espaços como zonas livres, incapazes de absorver a lógica tradicional dos negócios...

Mesmo que os dispositivos de pesquisa e análise de visitação, delineadores de perfil, e outras traquitanas estatísticas permitam uma amostragem do público, sempre restará algo de imponderável, ou não mensurável, que enfim, fortalece a natureza libertária dessas mídias...

A tentativa de vinculação de certas mídias, como YouTube e blogs às fórmulas tradicionais da lógica empresarial é, por enquanto, infrutífera...

Essa é apenas a ponta do iceberg dessa enorme discussão...Aprofundemo-na, à medida que consigamos nos apropriar de conceitos mais elaborados...Por enquanto, com as poucos ferramentas de compreensão da realidade que disponho, esse é minha contribuição para o debate...

Fiquem à vontade...

2 comentários:

Anônimo disse...

Xacal,

não tenho dúvidas de que em qualquer espaço que vc pensar em abraçar terá seus 13 leitores como fiéis escudeiros.

Não importa o lugar!
Se num ato institivo, porque de loucos todos temos um pouco,
vc resolver panfletar em praça pública, eles estarão lá... e farão
da praça, seu palanque.

Então,
se preocupe apenas em reconhecer qual é a sua importância dentro desse contexto sócio-político-cultural e blá-blá-blá...
e como sempre fez,
filtrar e nos repassar, pelo seu ponto de vista (dos melhores) o que pode nos interessar
e assim, nos levar a uma reflexão.

Escrever onde... como...
se faz disso um ato político... não importa,
o que importa é que vc está aqui,
brigando, gritando, xingando, exorcizando todos os seus (e nossos também!) demônios... e no grito fazendo do seu,

o nosso apelo.


É isso, Amigo.


Bons dias...


Beijo
Beijos

Xacal disse...

putz,

foi uma das coisas mais gentis e loucas que já ouvi...

esse é o meu medo...eterno medo...

é muita responsabildade, mesmo que só hajam treze leitores...mesmo porque são treze leitores...

se é verdade que somos responsáveis por aquilo que cativamos, fica sempre a pergunta: que ingredientes, e em qual medida os colocamos para nutrir essa relação, sem matá-la por inanição ou por obesidade...?

pensando bem...essa dúvida é ótima...e sufocante...!

um abraço, e obrigado pelo carinho...sniff!