terça-feira, 7 de julho de 2009

Recado da Walnize...

Com muito orgulho recebemos o e-mail da Walnize Carvalho, com aprovação sobre o conto, e com sua luxuosa contribuição, que publicamos agora...Obrigado, Walnize por nos confiar as suas obras...

Reflexões de uma mãe

Walnize Carvalho

Na varanda sentada em sua cadeira de balanço, a velha senhora observa a planície

Vê por entre os verdes canaviais alguns filhos seus com foice e enxada em mais uma labuta diária. E, suspirando, balbucia: - Estes são o meu orgulho!

Fechando os olhos visualiza outros tantos que como aqueles madrugam em busca do pão do dia-a-dia.

A prole é imensa: vai de operários a doutores.

Sabe quantos têm por ela respeito e consideração. Mas... enxugando as lágrimas reconhece que há os que se perderam no caminho e a fazem sofrer.

Lembra que em tempos idos ela – esta agora mãe sofrida – era reconhecida pelos seus valores e tradições merecendo o título honroso de “Espelho do Brasil”.

Recorda também com saudade de ter sido chamada de “Intrépida Amazona”, de “Terra do Açúcar” e porque não da goiabada dado o perfume que exalava das entranhas de suas usinas e fábricas.

Mesmo amargurada sabe que ainda há muitos que desejam vê-la soerguida. Almejam que se levante da cadeira e saia do estado de prostração em que se encontra.

Pois, não foram poucos os filhos que a cantaram em prosa e verso.

Não foram poucos os filhos que levaram o seu nome para rincões distantes...

Um breve cochilo a faz sonhar.

Tem a nítida impressão de ouvir o apito da Fábrica de Tecidos; o movimento de entra e sai de “suas crianças”.

Parece ver o alarido de seus meninos descendo as pontes pedalando suas bicicletas - verdadeira revoada de pássaros.

Desperta.

Volta o olhar sobre o horizonte.

Nova onda de nostalgia a invade e se pergunta: - O que fez com que alguns de seus filhos se tornassem irreconhecíveis, verdadeiros vilões? E se responde com certa culpa (as mães sempre se acham com culpa): - Seria a fortuna adquirida e a ânsia de querer mais?...

Levanta-se da cadeira de balanço.

Caminha para o quarto. Deposita sobre a cômoda o terço que trazia em suas mão

E como “coração de mãe não se engana” tem esperança de que os filhos desgovernados retomem o caminho da retidão e devolvam-lhe a dignidade e honradez.

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