quinta-feira, 16 de julho de 2009

Som e fúria...

O xacal é um parvo...Nunca gostou de teatro, porque nunca foi a uma peça digna desse nome...Portanto, sempre cedeu ao lugar comum: teatro é chato...

Embora seja a modalidade das artes dramáticas onde, na maioria das vezes, se forjam grandes atores, o teatro não tem o glamour e as possibilidades industriais da sétima arte, e nem muito menos a pausterização incorporada da televisão: divertimento fácil de digerir e descartar, agora ladeada pela telemática e as inúmeras formas de produção e divulgação de conteúdo...

Mas eu me rendo: fiquei curiosíssimo para assistir Hamlet, após assistir a mini-série Som e Fúria, exibida pela rede globo pig...Primeiro uma constatação que nos parece óbvia, mas que nos últimos tempos, ficou perdida nos seus compromissos com a falta de qualidade: A rede globo pig sabe fazer coisas de bom gosto, muito embora faça questão de as esconder da maioria de seu público, exilando essas atrações em horários improváveis...

Por isso, pude assistir poucos episódios...E creio que a maioria das pessoas que trabalham e acordam cedo também...

Fico a pensar: será por que acham que o grande público é idiota(a síndrome Hommer Simpson, conforme vaticinou o imbecil william bonner)...? Ou será que é uma deliberada segregação cultural e intelectual, feita para isolar o público da possibilidade de escolher o melhor, que implicaria na tarefa de exibir sempre artigos melhores...?

Não sei...confesso que não sei...O que sei é que o pouco que vi gostei...É sempre perigoso juntar tantos "medalhões" em um projeto como esse, ainda mais tocado por um ícone de outra linguagem, ainda mais se considerarmos que Fernando Meirelles se notabilizou no cinema, para produzir essa série para TV, a falar de teatro...

Está ali o ritmo certo do humor para o melhor dos fins: tratar das tragédias humanas...As mesquinharias dos bastidores, as disputas, as injunções políticas que influenciam todo o processo de criação, dinheiro, fama, protagonismo, recalques etc, etc, etc...

Cada um desses elementos misturados, e destacados em cada atuação, no quase-exagero, no limite da canastrice, que afinal, é sempre o limite de uma boa atuação...

Um elenco afiadíssimo, capitaneado por Felipe Camargo, coadjuvado por um impagável Pedro Paulo (esqueci o sobrenome)...Felipe teve a possibilidade de atuar um pouco como si mesmo como de vivesse parte de sua história...Bom, tudo funciona tão bem que me ficou a sensação de que não atuavam, mas viviam seus papéis...

As cenas onde o diretor "interfere" no desempenho de cada um, e cobra dedicação SEMPRE, foi extremamente pedagógico, para entendermos que cada qual faz a leitura própria do que faz, e como faz, no entanto, cabe a que "dirige" explorar o máximo a potencialidade de cada nuance pessoal, e somá-la ao conjunto...
A "ressurreição" de Felipe Camargo, uma aposta da rede pig globo, que, soube inclusive tirar proveito desse pequeno drama pessoal de superação, como convém a hipocrisia reinante, deu tintas de mais expectativa sobre a trama...

Nada disso pareceu importar mais que o seu talento, e isso é o que vale...Felipe precisa dessa aposta, mesmo que hipócrita...e disse a todos que valeu à pena, e não importa o interesse que esteja por trás, e sim o seu interesse em estar a frente de sua vida...Todos nós precisamos disso, de um jeito ou de outro...

Como já disse: deu vontade de ir ao teatro...já...

"Loucura, luxúria, tudo isso tem no Som e Fúria"...Sim, tem tudo isso...e isso deve ser teatro...

Merda para vocês...

13 comentários:

Anônimo disse...

“Som & Fúria” é sobre política, não sobre arte
O primeiro dos 12 episódios de “Som & Fúria”, dirigida por Fernando Meirelles e exibida pela Globo, me pareceu em essência um ataque direto à cultura “oficial” brasileira; ou seja, aquela patrocinada pelo Estado e empresas via leis de incentivo fiscal.

De forma não muito sutil, a trupe que protagoniza a minissérie foi batizada de Companhia de Teatro do Estado. As situações do primeiro episódio fazem piada com o que seriam as figuras emblemáticas da cultura “oficial”: o diretor artístico vendido ao sistema (Pedro Paulo Rangel), o diretor financeiro que só quer saber de patrocínio (Dan Stulbach), a funcionária da secretaria de Cultura que só pensa no mercado (Regina Casé), o patrocinador que não entende a peça o que está apoiando e assim por diante. Em contraposição, surge o diretor teatral preocupado apenas com a arte (Felipe Camargo).

O primeiro capítulo deixou a sensação de ser muito mais sobre política do que sobre arte, de estar mais interessado na Rouanet do que em Shakespeare. Nesse sentido, será ingênuo lembrar que os co-produtores da minissérie - O2 e Globo - são beneficiários da cultura “oficial” que a minissérie ironiza?
Ricardo Calil

Anônimo disse...

Ir sim, só que fora de Campos....

Xacal disse...

Caro Ricardo,

Veja que no texto não esqueço desse enfoque, que você, de maneira apropriada nos reforça, e acaba por enriquecer o debate...

Mas perceba que escrevi o texto, qunado ao assistia ao episódio mostrava os atores realizando o seu "produto", ou seja: a peça do príncipe dinamarquês...

É claro que tudo o que você falou é bem plausível, e ninguém da ponto sem nó, ou seja, não há imparcialidade na arte(ainda bem)...

Esse é o ponto: a série servirá para aguçar esse debate, sobre política, fomento, incentivos, etc...

Mas, no meu caso, serviu para me emocionar com o ofício da atuação e do teatro...

Talvez essa seja sua excelência: ter muitas possibilidades...

E ontem, aqui vai um relato pessoal, depois de um dia "daqueles" me permiti assistir ao episódio com os olhos e espectador a procura de entretenimento, e só...

e como já disse: me emocionei com o resultado...


um abraço...

Anônimo disse...

XACAL,
Para quem não gosta de teatro,desejou SUCESSO,de forma exata"merda para vocês."
Como sempre MESTRE!

Xacal disse...

De acordo com que é do ramo, e me disse, a origem da palavra merda é:

no passado, na Europa, o sucesso de um peça ou temporada, encenada por uma companhia, era medido pelo congestionamento de carruagens às portas dos teatros...

logo, com o congestionamento de cavalos, que fazem a tração desse tipo de transporte, era evidente o acúmulo de merda de cavalo...

daí, que desejar merda, muita merda, virou sinônimo de bons auspícios...

um abraço, e obrigado pelo comentário...

Gervásio Neto disse...

Grande Xacal!!!

Adoro a mini-série, como também gostei muito do "Tudo novo de novo", que passava nos fins de noite das sextas. Ou seja, nos piores horários.

Como tenho uma família intimamente ligada ao teatro, me identifiquei com várias cenas, mas também estou adorando a abordagem política que foi dada, embora ache alguns exageros, como o galã de novelas andar de ônibus em São Paulo.

De qualquer forma, ver tantas feras juntas é muito bacana!!!

Grande abraço!!!

Leandra disse...

Essa história da merda eu já sabia...mas realmente a mini série é de muito bom gosto, O Daniel de Oliveira esta ótimo, mostra muito os bastidores do Teatro, os medos, e as intrigas, ouve-se muita "merda"...existe política sim, mas onde não Há? Em uma Democracia o povo respira política...
Tem um filme que se chama Romance, que tem no elenco Letícia Sabatella e Wagner Moura, conta também um pouco dos bastidores do Teatro.
MERDA!!!!!

Anônimo disse...

Ser ou não ser televisão


A série Som e Fúria, que estreou nesta semana na Rede Globo, está trazendo para a televisão alguns dos maiores clássicos de William Shakespeare.

Hamlet, Sonhos de uma Noite de Verão, Romeu e Julieta e Macbeth são algumas das peças que serão adaptadas pelo grupo de teatro da trama, liderado por Dante (Felipe Camargo).

Mas essa não é a primeira vez que Shakespeare serve de inspiração para a TV brasileira. As telenovelas O Cravo e a Rosa e Suave Veneno, por exemplo, foram claramente inspiradas nos clássicos A Megera domada e Rei Lear.



“Som & Fúria” está sendo “picotada” na Globo

Quando sair em DVD, “Som & Fúria” deverá vir maior do que a que está sendo exibida. É que cada capítulo tem 50 minutos.

Anônimo disse...

"Vá ao teatro mas não me chame". Prefiro ir sozinho!

Anônimo disse...

O sobrenome é Rangel, Pedro Paulo Rangel é um um nossos grandes atores.
Eu gosto mais de teatro do que de cinema.
Esse comentário do anônimo das 07:38 de não ir ao teatro em Campos, não consegui entender o por que disso!

oBS:"Não esqueçam que atuar é a arte de fazer as pessoas ficarem sem tossir por um tempão!"
Oliver(Pedro Paulo Rangel)para os atores da peça
Bjos
Mariana

Anônimo disse...

Dan Stulbach na minha modesta opinião é um dos melhores atores dessa geração, e é lindo... nem precisava!
Sua atuação e de Regina Casé são as melhores!!!
O mais interessante é que muitas pessoas vão poder conhecer um pouquinho de Hamlet.

Anônimo disse...

Assisti e não gostei muito não!
A Globo já apresentou séries melhores!

Xacal disse...

respeitemos, pois, o seu gosto, comentarista das 23:31...

obrigado por publicar sua opinião...