quinta-feira, 9 de julho de 2009

Terceirização: transferência de responsabilidade...

Com o advento do fordismo, método de organização da produção, formulada por Henry Ford, criador e proprietário da Ford Motors, fábrica de automóveis estadunidense, houve um salto na produtividade, afinal, o produto que consumia várias horas de trabalho para chegar as seu estagio final, passou a ser elaborado em poucas horas, com a adoção de linhas de montagem, onde cada operário era responsável e especializado em uma fase do processo, quando antes, todos faziam tudo...

Com o passar do tempo, esse processo de produção ficou mais complexo, e as necessidades de aumentar produtividade, e cortar os custos determinaria a sobrevivência ou morte dos negócios...De todas as variáveis disponíveis, como logística, insumos, matária-prima, etc, o que se apresentava com maior flexibilidade de manipulação era o custo da mão-de-obra...

O corte dos salários sempre foi a solução mais rápida para o saneamento dos caixas, muito embora seu peso nominal e relativo nos balanços sempre fosse menor que o dos outros custos...

Mas as possibilidades de achatamento salarial traziam um passivo político-jurídico-social grande, que sempre fluíam e refluíam, de acordo com as conjunturas, e que por sua vez, repercutiam em outras esferas macroeconômicas...

Assim, a terceirização dos processos de produção foi a saída ideal para essas empresas gigantes...Diluíam suas responsabilidades trabalhistas e cortavam consideravelmente os custos do pagamento de salários, uma vez que as empresas menores que forneciam os insumos para o processo produtivo, tendiam a espremer seus preços para ganhar o cliente...Sem falar que era infinitamente melhor negociar com dez ou vinte fornecedores a negociar com categorias inteiras, em meio a greves e piquetes...Não havia custo em recrutamento, treinamento e rede de amparo social, tudo a cargo das terceirizadas, e no fim das contas, do Estado, quando essas se eximiam...

Com o ápice das teses neoliberais, fomentadas pelo Consenso de Washington, a terceirização logo chegou ao aparato estatal, como resposta a necessidae imperativa, ou urgência, de aniquilar a presença estatal na economia, e no enciolhimento do funcionalismo, como panacéia para ajustes fiscais e corte de gastos, que agora se revelaram infrutíferos em todos os sentidos...

Apareceram conceitos como atividade-meio e atividade-fim, onde as primeiras viraram um alvo para grandes negócios, contratação sem concurso público, e a conseqüente manipulação eleitoral do espólio desses cargos públicos, transformados em empregos sob domínio dos feudos eleitorais...Era como unir o útil ao agradável: de um lado, gordos lucros com o sangramento dos cofres públicos, uma vez que essas terceirizações nunca significaram economia alguma, e de outro, a possibilidade de contratar servidores(sem o concurso exigido pela Constituição), com dividendos eleitorais óbvios...

Logo, logo, a fronteira que delimitava a atividade-fim do Estado, como gestão, elaboração de políticas públicas, planejamento, fiscalização, atendimento em saúde, saneamento, educação, etc, passaram a ser a meta dos empresários e dos seus políticos de algibeira...

Recentemente, pasmem, há um avanço sobre uma área que até então estava intocada...Em MG, o governo de Aécio Neves comemora a primeira PPP(parceria público-privada)para construção e manutenção de presídios..Em cena, o bom e velho argumento da ineficiência, do caos e da economia para os cofres públicos com mais eficiência...Tudo bem, se não fosse o próprio Estado e seus entes de poder, os responsáveis pelo sucateamento e do desperdício que, agora, justificam a privatização de uma das mais caras atribuições do Estado: Seu monopólio do uso da força e da punição para cumprir a Lei...

Em Campos dos G., esse absurdo chegou com força...O Cléber Tinoco já alertou faz tempo, mas nunca é demais reforçar...
O governo dos mil patetas simplesmente se exime da tarefa para qual foi eleito, e transfere toda a responsabilidade do ato de governar para terceiros, com altos custos para o Erário, e sem garantia alguma que haverá bom atendimento ao público e lisura nos processos...

O histórico de relacionamento desse governo com a iniciativa privada, e ou concessionários não os abona a merecer nossa confiança, muito ao contrário...Basta ver o programa de passagem a 1real...
É verdade que há vários elementos envolvidos nesse ataque dos mil patetas ao funcionalismo: a necessidade de prestar os favores aos que financiaram suas campanhas, a incompetência e absoluta falta de quadros políticos para tocar o governo, a agenda eleitoral que impõe que a máquina esteja a serviço da campanha, enquanto os serviços fiquem por conta das terceirizadas...

O ataque dos governantes-terceirizadores parece que obedece a uma tendência: Tanto em SP, como no Governo do Estado do RJ, do Muncípio da Capital, e agora por aqui...

Esse é um dos paradoxos que a idéia de controle social mediada por entidades empresariais apresenta: afinal, de que lado ficarão os empresários e suas associações de classe: Do lucro e dessa privatização espúria da coisa pública, expressa da terceirização, ou da população e suas necessidades...?

Pensando bem:

Quem controla o controle...?

10 comentários:

Anônimo disse...

Dá a solução Xacal.

Xacal disse...

Caro comentarista...

não pe atribuição da blogosfera, nem desse escriba apresentar soluções para governos...eles foram eleitos para tanto, e portanto...

é verdade que só a crítica já aponta por si mesma qual caminho não seguir, o que no caso dos mil patetas, e de outras instâncias de governo já é um grande auxílio...

é como se fôssemos um "controle de qualidade", já que as instâncias de reavaliação dos processos do governo municipal estão emperrados, quer seja pela sua falta de diálogo com a sociedade civi, quer seja porque seus correligionários só existam para dizer amém...

mas, tudo bem...posso arriscar meu palpite:

1-A elaboração e execução de uma política fiscal e fazendária digna desse nome: com o escalonamento dos tributos municipais para atender o princípio da capacidade contributiva, que em suma diz: quem pode(ganha) mais, quem pode (ganha)menos, paga menos, a fim de que possa aumentar a arrecadação...nossa arrecadação de IPTU e ISS é pífia, e engessa a possibilidade de contratação por concurso, o que é exigido por Lei...

outra medida no sentido de aumentar a arrecadação é ampliar a rede de fiscalização, e recuperação de ativos fiscais, via cobrança e, ou inclusão na dívida ativa...

2-otimização das compras, com pregão eletrônico, e outros meios de transparência, a fim de aumentar a capacidade de negociação e pressão do município sobre os fornecedores...

3-plano de cargos e salários para os servidores, recomposição salarial, treinamento e cobrança rígida, para otimizar os serviços públicos e cortar gastos com desperdício...

4- estudo e planejamento das polpiticas de incentivo e intervenção nas atividades econômicas, obedecendo uma lógica que misture vocação regional, mercado favorável, retorno em empregos e impostos, etc, etc...não "torrar" dinheiro de subsídios e incentivos fiscais em atividades "parasitas", que retornam pouco, e levantam "acampamento" assim que o din-din acaba, deixando para nós só o prejuízo...

enfim, há um sem número de soluções, todas conhecidas pelos patetas da lapa, para economizar dinheiro e investir na máquina pública, para melhor atender ao público...

com a terceirização se gastará mais e pior, muito pior...é só olhar a hsitória e os fatos...

Anônimo disse...

Nem a maior empresa brasileira, consegue viver sem as facilidades da terceirização, o que esperar de governos incompetentes.

Tramem disse...

nesse caso é melhor acabar com as eleições e realizarmos logo licitações para ver quem administra ...

Cebolinha disse...

se é tudo telceilizado polque plecisam de tantos calgos comissionados?

Anônimo disse...

A TERCEIRIZAÇÃO é NECESSÁRIA,PORÉM NÃO É PARA ACABAR COM OS CONCURSOS E SIM PARASOLUCIONAR EMERGÊNCIAS.
MAS AO QUE PARECE ESSE GOVERNO POR SI É A PRÓPRIA EMERGÊNCIA,OU MELHOR É UMA CALAMIDADE.

Anônimo disse...

Muito bom seu texto, inclusive é sempre sobre isso que busco mostrar quando faço alguns comentários em seu bolg, ou seja, a lógica do sistema. É inaceitável serviços essenciais e vitais nas mãos (e no bolso) das empresas. Águas do Paraíba e Ampla estão preocupadas em atender a população? É lógico que não!
Paulo Sérgio

Raskolnikov disse...

Caro Xacal, vóis micê esteve na continuação da I Conferência Municipal de Controle Social? Caso positivo, gostaria de saber tua avaliação sobro o ocorrido. Afinal de contas, até que ponto o hipotético "Nossa Campos" é o mais do mesmo patrimonialismo ou um movimento de respnsabilização real da nossa sociedade civil pela coisa pública? Qaul é tua opinião?
Saudações inconformistas

Anônimo disse...

Amigo Xacal,

Será que o Lula ou melhor dizendo, o nosso guia(nas palavras do Elio Gaspari), não está fazendo um caixinha, para campanha da mala sem alça e sem rodinha da D. Dilma,através da privatização ou sei lá o quê... talvez concessão por algum tempo da Br 101 Norte? Pelo o que eu sei, foi no governo do nosso guia que a nossa Br 101, foi entregue a iniciativa privada, e o pior, a duplicação só sairá daqui há alguns anos. Primeiro se cobra, faz-se uma poupança, ajuda Dilmão e depois a patuléia começa a comer os pedacinhos das migalhas do bolo, que cairá da mesa do nosso guia. Como diz José Simão da Folha de São Paulo: "agente sofre mas nóis goza" rs rs rs...

Xacal disse...

Meu caro Raskolnikov,

sabes bem minha opinião...ela está exposta no post...

não há como vaticinar sobre o QUE É o movimento...se é que ele existe...

sabes dos limites impostos por iniciativas isoladas e isolacionistas como a do professor hamilton da UENF...

sabes que um movimento que cede, de início, aos apelos e cânticos do capital privado e de suas entidades de classe, está fadado a se tornar um instância de pressão dos patrimonialistas...

se haverá um contraponto dos setores organizados da parte de baixo da pirâmide social...? não sei...melhor: há esses setores organizados com esse corte de classe em Campos dos G....? não, não me lembro...Os há...?

portanto...