segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Bom debate...

Por ocasião da concessão de subsídios econômicos, com garantia de preço mínimo para a tonelada da cana,proposta do deputado federal chico d'ângelo frente ao Ministério da Agricultura, a TrOLha propõe o debate...

Vejam aqui os argumentos do pessoal do outroscampos.blogspot.com/, com os quais nos filiamos...E veja também a defesa do Professor Fábio Siqueira em seu blog...
Contra:

SÁBADO, 15 DE AGOSTO DE 2009

Subsídios Agrícolas: quem ganha?


Não posso negar que coaduno com uma série de questões normativas que embasam intervenções do Estado na economia. E subsídios agrícolas são parte importante destas. Entretanto, confesso que não consigo enxergar qualquer argumento que sustente minimamente uma política redistributiva que beneficie agricultores de cana-de-açúcar no norte fluminense - locus privilegiado para se observar práticas desumanas desta cultura. Após décadas de incentivos governamentais, na região ainda se presencia extenso emprego de trabalho escravo, sonegação tributária, administração precária e baixa produtividade. Características que seriam suficientes para sustentar intervenções que visassem causar exatamente o oposto dos incentivos que estão por vir.

É de bom alvitre ressaltar que, não obstante o foco dos subsídios nos pequenos produtores, os benefícios atingem mais os compradores da cana-de-açúcar. São estes os detentores dos meios de produção, e que irão ter a garantia da matéria prima a baixo custo. Como se pode observar claramente no gráfico de preços internacionais divulgado pela THE ECONOMIST (ver matéria abaixo), não existiria momento mais inoportuno para uma política como esta.

Destarte, vejo-me obrigado a aderir, neste caso em particular, ao argumento evolucionista do mercado: se as empresas canavieiras não conseguiram se reconstruir para se auto-sustentarem mesmo após longas benesses do Estado, deixe-mo-las à falência. O que não podemos é contribuir (com recursos públicos) para a persistência de práticas nefastas tanto do ponto de vista humano quanto do meramente econômico.

Por fim, seria mais importante e eficiente o Estado bancar o custo social do desemprego com políticas redistributivas responsáveis, que sejam capazes de realocar a mão-de-obra dos canaviais. A região ganharia mais e os trabalhadores perderiam muito menos.
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A favor:

SÁBADO, 15 DE AGOSTO DE 2009

Trabalhando

Quem esteve ontem em Campos foi o Deputado Chico D'Angelo (PT-RJ). A convite da Asflucan, o parlamentar petista foi à UFRRJ participar do evento onde a equipe da CONAB apresentou aos produtores de cana da região como se dará o aporte do subsídio de R$ 5,00 por tonelada de cana com o qual serão contemplados a partir da próxima safra como resultado da inclusão desta região na política de preço mínimo da cana desenvolvida pelo governo federal, consequencia da ação do seu mandato.
O sucesso da iniciativa, de suma importância para a economia local, pode ser identificado a partir da presença de outros parlamentares que apoiaram a intervenção articulada pelo mandato de Chico junto ao Ministro da agricultura no evento de ontem.

4 comentários:

Uenfezado disse...

O único produto agropecuário que defendo subsídio é o leite, tendo em vista seu alto custo de produção, a dedicação que exige de quem está na atividade e por ser esse o mais completo alimento (que deve ser barato, para que toda a população tenha acesso).

Os produtores de cana fluminenses ao solicitarem o subsídio e fazer festa por ter sido aceito seu pleito, entregam a si mesmos um atestado de incompetência. Provam para todo Brasil que são incapazes de competir com as regras de mercado.
Isso não deveria ser motivo de alegria e sim de tristeza, pois é mais uma pá de cal na moribunda atividade do Norte Fluminense.
Os produtores deveriam se reunir, sim, para encontrar soluções viáveis para sua atividade e não fazer papel de vítima e se beneficiar, mais uma vez, de recursos públicos!

a hiena disse...

Alás, esse pessoal da cana (lavoura dos que não gostam muito de trabalhar), sempre se acostumou com uma ajudazinha oficial. Acabaram com o Instituto do Açúcar e do Álcool e muitos dos recursos por esse órgão foram aplicados em coberturas na Vieira Souto e outros investimentos sem palha e doce. Concordo com o Uenfezado.

Anônimo disse...

Faltou exigir uma contrapartida:acabar com a queimada da cana, que além de contribuir com produção de poluentes para a atmosfera é fator preponderante nas doenças respiratórias...

FÁBIO SIQUEIRA disse...

O comentário do anônimo das 12:32 de ontem é de fato muito pertinente.

Quanto ao debate proposto pelo Xacal, devo aceitar a provacação - ainda que tardiamente em função de problemas particulares - destacando que há dez anos atrás, quando assessorei o Professor Luciano D'Angelo na Secretaria Municipal de Agricultura, participei da gestão que tentou efetivamente promover a diversificação agrícola entre os pequenos produtores de Campos, com o apoio da EMATER e da Pesagro. Leite, piscicultura, fruticultura, beneficiamento da própria cana (aguardente), foram alternativas fomentadas pelo então secretário junto aos pequenos e médios produtores rurais, que já àquela época representeavam a maioria dos proprietários rurais do município, no sentido de agregar valor à produção e promover a pequena agroindústria familiar.
Hoje, uma década depois, e apesar da desvalorização da cana, é inegável o apelo que tal cultura continua a ter junto aos produtores locais. Para quem não sabe, até mesmo assentados da Reforma Agrária produzem cana como uma das poucas alternativas de comercialização da produção, apesar do preço aviltado.
Assim, é um equívoco associar a medida aqui em debate aos interesses de usineiros e grupos empresariais que aqui se instalaram para explorar usinas locais. Isso se daria, se for o caso, de forma indireta.
O perfil dos associados da Asflucan hoje é diferente do que tal entidade já representou no passado e que ainda preenche o imaginário de militantes de esquerda.
É fato que a associação hoje reúne um conjunto de pequenos e médios fazendeiros empobrecidos e que muitas vezes não conseguem extrair da cultura lucro algum, além do que cobre os custos da produção. A medida aqui em debate não favorece latifundiários, e gera empregos. Não ignoro que empresas de fora que exploram usinas locais tem sido pródigas em burlar a Lei e explorar trabalho escravo, o que tem o meu mais veemente repúdio. Mas isso nada tem a ver com os dados do CAGED que atestam que a presença de trabalhadores locais em situação regular na lavoura de cana tem aumentado sistematicamente sua representatividade no emprego formal na cidade, fruto da ação fiscalizadora do Ministério do Trabalho no governo LULA.
Assim, pelos argumentos expostos, insisto que a medida é completamente distinta dos subsídios de outrora, citados pel' a hiena, contemplando uma base social que hoje é distinta dos usineiros e latifundiários questionados com razão pelos comentaristas supra.