quarta-feira, 5 de agosto de 2009

cabral júnior e daniel dantas, o rasputin de Brasília...

Durante muitos meses, a TrOLha sempre se referiu ao (des)governo do Estado do Rio de Janeiro, personificado no júnior cabral como uma administração anódina...Se é verdade que não possuía nenhuma marca que distingüisse sua gestão das demais, também não era uma "mar de escândalos"...
Bom, pelo menos a julgar pela complacência seletiva da mídia PIG fluminense, acostumada a desnudar as falcatruas de diversos governos passados, mas que parece dócil e obediente à pauta do Palácio das Laranjeiras, atualmente...

Mas essa impressão acabou, e o (des)governo do júnior cabral, que até agora, poderíamos à grosso modo dizer, que nem fedia, nem cheirava, começa a exalar os odores das "negociações estranhas com dinheiro público"...

Na revista Carta Capital dessa semana, na reportagem denominada "Último Elo", às paginas 22 até 27, há uma minuciosa e dedicada investigação sobre como o Governo do Estado do Rio de Janeiro, supostamente, teria sucumbido aos interesses do banqueiro Daniel Dantas, réu em diversos processos, e já condenado a dez anos por corrupção ativa, dentre outros crimes apurados na Operação Satiagraha...

A matéria é extensa, e não cabe aqui transcrevê-la...

Apenas ressaltemos um dos trechos mais contundentes:

"(...)
No espaço de 13 meses, entre 2008 e 2009, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, do PMDB, assinou dois decretos de desapropriação de imóveis situados na capital fluminense, amobos com curiosa característica: haviam sido comprados, dias antes, pelo Opportunity.(...)
O uso de desapropriação de imóveis é um dos casos clássicos previstos nos manuais de combate a lavagem de dinheiro no mundo todo.
(...)"

A matéria da revista esmiuça o esquema, que pode ser assim resumido:

O banco de Daniel Dantas compra imóveis, supostamente, por uma quantia determinada, e dias ou meses depois, vende esses imóveis para o Governo do Rio de Janeiro, pela mesma quantia que adquiriu, e torna lícito um certo volume de dinheiro...

Tudo isso ficou evidenciado por questões estranhas que chamaram atenção da bancada da oposição, inclusive do deputado Paulo Ramos(PDT)...

Primeiro, a rapidez dos processos de desapropriação, que geralmente, levam anos, e que nesse caso duraram apenas pouco mais de um ano, se considerados a compra e desapropriação dos dois imóveis(um prédio no centro da capital, e um terreno na Barra da Tijuca, sobre o qual, inclusive, pesa a suspeita de que seja imóvel da Marinha do Brasil), que, individualmente, no entanto, foram comprados e "vendidos" ao governo estadual em menos de dois meses cada um...Tempo recorde...

Depois foi o preço pago pelo Governo do Estado...No prédio Kosmocap (decreto de desapropriação 41.152) foi desapropriado pelo Governo do Estado por valores quase idênticos aos que foram pagos pelo Opportunity para comprá-los dias antes...
O que não aconteceu com os proprietários de outras salas do mesmo edifício, que receberam cinco ou seis vezes menos na desapropriação, o que foi inclusive alvo da questionamento judicial, que chamou a atenção para o caso...

No outro caso de desapropriação suspeita, um terreno da Barra da Tijuca que será utilizado pelo Metrô, além desse mesmo modus operandi há outras implicações, além dessa: O terreno não seria do Governo do Estado, e sim área da União(Marinha do Brasil)...
Detalhe: até bem pouco tempo, o banco do rasputin de Brasília, Daniel Dantas, é um dos acionistas da companhia Metrô, que será beneficiada com a permissão para utilização do mesmo terreno por 20 anos...Ou seja, Daniel Dantas ganha sempre: quando vende o terreno, e "lava" seu dinheiro, e depois quando usa o mesmo terreno que vendeu ao Erário para explorar uma atividade econômica, nese caso, o Metrô...
O contribuinte perde sempre...
O que será que os governantes ganharam ou perderam...? É certo que perderam a vergonha...!

A reportagem é extensa, e vale à pena ler, pois nela se conhecerá um pouco mais das relações promíscuas entre Estado e capital, entre público e privado, e como, no Brasil, e no Estado do Rio de Janeiro, na maioria das vezes, esses interesses se misturam, sempre em prejuízo do contribuinte....

Um comentário:

Anônimo disse...

A primeira pessoa a ser presa sera o Protogenes. Talvez a unica.
Nessas horas da vontade de pular do barco mesmo...