domingo, 2 de agosto de 2009

Da série: ou rima ou sai de cima: As prosopoetadas da TrOLhA...

Nunca consegui escrever poemas...Poesia...No máximo, costurei frases, que em comum tinham apenas um fio de narrativa acerca de um tema só, mas resvalando no conto, arestado pela secura e dureza da prosa...

Daí prosopoetadas da TrOLha...Falta o ritmo da poesia concreta, e é lógico, o talento...Mas o xacal é assim: voyeur-exibicionista, um tímido-escrachado...
Ahh, e se ninguém gostar, ou desaprovar, resta a canalhice-soberba dos pseudo-intelectuais, tipo: Ahhh, vocês não estão entendendo nada o que eu estou dizendo...rsrsrs...


Prosopoema de corpo de delito...

Certos poemas são como um soco...
Ninguém interpreta socos...
Os socos nos atingem,
E machucam...
Os poemas-socos são assim...
Têm o objetivo de ferir,
Deformar,
Derrubar,
Ninguém entende um soco...
Levamos socos,
Sentimos socos...
Às vezes,
Esse socos, poemas-socos,
são tão fortes que,
Quebram as mãos de quem os escreve,
Sangram os dedos de quem os desfere...

Há os poemas-faca...
Ninguém interpreta um poema-faca...
Ninguém entende uma facada...
Nós,
Simplesmente,
Somos esfaqueados...
As facas,
Furam,
Perfuram,
Invadem,
Cortam,
E pelos ferimentos,
Causados pelas palavras afiadas,
Dos poemas-facas,
Escorrem,
A seiva das almas...

Na maioria das vezes,
Os poemas-socos,
Os poemas-facas,
Chegam de surpresa,
Sem chance,
De qualquer defesa...

8 comentários:

Zé Armando disse...

Doido profundo
Sanguinolento
Dilascerantes versos
Tais os Impiedosos Poetas
De Inspiração visceral
Outro não teria
Tanta maestria
Que não tú, Xacal!

Ana Paula Motta disse...

Fez um poema-soco, um poema-faca, mas também vez por outra nos brinda com prosa-flor. Um abração.

Anônimo disse...

Quem disse que você nada escreve com relação à poesia. Há poemas e poetas. Há poemas facas, poemas socos, há poemas que sangram e outros que evoluem até chegar à plenitude. A palavra é uma ARMA e é uma LUVA. É redenção, é martírio. Como tudo na vida tem os seus opostos. Você escreve bem, já falei isso muitas vezes.

Jane Nunes disse...

Um poema... um soco... um poeta!
bjs
Ah! amanhã, assim que os sinos anunciarem o novo dia , é dia do menino Xacal no "Coisas de Menina", com ilustração e trilha sonora. hehehe

rokerhunter disse...

Você está sob vigilância atenta do ROQUERHUNTER o caçador de HIPÓCRITAS.

Ava disse...

Morte Lenta


Isabella Benicio


És hábil com teu punhal.
Sabes da beleza e do perigo
Que a ele são inerentes.
Enquanto com sua ponta
Escreves poemas de amor,
Sabes que com seu fio
Matas as almas que te lêem.
És mestre na arte de apunhalar.

E eu,
Ingenuamente,
Enquanto leio tuas palavras,
Deixo-me matar por ti.
E assim morro,
Doce e dolorosamente,
Cruelmente,
Um pouco a cada dia.



Xacal, não pude deixar de me lembrar desse poema de Isabella Benício, que já postei em meu blog, quando li seu prosopoema de corpo delito...rs

Palavras sempre feriram mais que qualquer objeto cortante ou arma de fogo...

Olha, e voce pode até não querer ser poeta... Mas é um poeta nato..rs

Beijos!

°•~ ∂ąnnι °•~ disse...

"Nunca consegui escrever poemas...Poesia..."[???]

Não seja modesto Xacal!
Tenho a imprenssão que este seu poema é um mix de "mal do século" e Modernismo, com uma pitada do [voyer-exibicionista] que só o Xacal tem.rsrsrs...
Os poemas podem ser tantas coisas em seus diversos sentidos... além claro, de socos e facas e canalhice-soberba e timidez-escrachada e....


"O poema não tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não
se escrevem, lê-se país e mar e céu esquecido em
emória, lê-se silêncio, sim, tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar de doce menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
O poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é quando eu podia dormir até tarde nas férias
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo.
O poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo,
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema,
não é araiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema
porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a
carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre
os telhados na hora em que todos dormem, é a última
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.
O poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos,
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido."


[José Luís Peixoto, in A Criança em Ruínas]


Bjs!

=)

Anônimo disse...

Vc me acertou em cheio: ora soco, ora faca, sempre poesia!
bjs da Maria Maria