domingo, 9 de agosto de 2009

Destaque da TRolhA...

Não há o que acrescentar...Leia, e reflita...Veio lá do blog outroscampos.blogspot.com/

SEXTA-FEIRA, 7 DE AGOSTO DE 2009

A MÁ-FÉ DO SISTEMA DE SAÚDE EM CAMPOS

Fabrício Maciel
Acabo de sair de uma gripe daquelas. Com medo de ser a suína, corri para os hospitais de Campos. Fui direto no Ferreira, por toda a fama dele. Lá, os funcionários nada sabiam. Depois de algum tempo e um bate-boca básico, alguém chamou um médico que estava praticamente atendendo as pessoas na porta do hospital. Havia um rapaz visivelmente bem pior do que eu. O médico deu uma olhadinha rápida nele e disse: "é melhor vc ficar em casa se tratando por que aqui não temos leitos e a possibilidade de vc piorar é maior". Espantado, fui parar nos Plantadores, onde disseram haver o teste da gripe suína. Havia, mas nao naquele momento, era fim de semana. Como se a doença tivesse descanso. Disseram para ir ao PU da Saldanha Marinho. Nada sabiam por lá também. Aliás, no jogo de empurra básico, disseram que no Ferreira resolviam... Fui parar no HGG. Neste até fui atendido, mas depois de duas horas esperando fui embora. Achei melhor morrer em casa como o médico havia sugerido.
Alguns dias antes, eu havia me consultado no Hospital da Unimed, supostamente de classe média. Mas em Campos é igual a qualquer outro. Qualquer piada do Casseta e Planeta sobre planos de saúde precisaria ser exagerada aqui. Até o de Caruaru, no interior do Nordeste, é melhor do que o daqui. Fiquei aqui umas duas horas para uma consulta e Raio X. E não fizeram nenhum exame.
Bem, não estou contando muita novidade aqui para um bom leitor campista. Em época de novo vírus, o descaso com a saúde do campista continua. Jessé Souza e seu grupo de pesquisa denominam esta situação como má-fé institucional. Isto significa que as instituições modernas possuem uma função manifesta, no discurso, e outra latente, na prática, que geralmente distinguem classes sociais de acordo com seus valores objetivos na sociedade do mérito. Geralmente a ralé é quem mais sofre nas instituições públicas, e ainda mais quando a sobrevivência imediata do corpo está em xeque.
No entanto, toda a população paga numa circunstância como essa, onde o vírus não escolhe cor, gênero ou classe social. Toda a sociedade é nivelada por baixo quando temos instituições que desprezam o bem estar da população. Um dos fatores desta realidade sem dúvida deriva do velho problema de administração e boa vontade política, ou poderíamos dizer, boa fé. Quero declarar aqui uma nota pública de desprezo pelo desprezo da administração da saúde pública em Campos. Numa cidade rica de tantos royalties, é um vexame público um cidadão visivelmente doente ser incentivado a voltar para casa. Ou ficar duas horas no HGG como fiquei, onde só tinha um médico de plantão para tudo, emergência ou não. Isso é um vexame público, que me faz como intelectual sentir vergonha desta cidade.
Enquanto isso, nossa prefeita está inaugurando escolas, que parece dar mais visibilidade. Se houvesse pelo menos inteligência governamental, não precisaria nem haver boa vontade para com o povo, mas pelo menos noção administrativa, se faria neste momento uma política totalmente voltada para saúde pública. Algo do tipo: "nenhum campista morrerá de gripe suína". Seríamos exemplo para outras cidades, apareceríamos bem no Jornal Nacional. Teríamos orgulho desta cidade. Isso deveria ser a pauta do dia. Mas não, é mais fácil aparecer como mais uma cidade onde houve uns quatro ou cinco casos, como se isso fosse pouco.
É claro que a mídia exagera, que outros tipos de vírus sempre mataram e os números são omitidos. Os médicos que vi tentam amenizar sua debilidade coletiva com tais discursos. Isso não justifica a debilidade geral do sistema. Uma política de saúde totalmente nova, com recursos e acompanhamento profissional é urgente. Talvez uma estatística um pouco diferente seja possível.

6 comentários:

Anônimo disse...

Essa é a realidade em nossa Campos dos Goytacazes. Vergonha a gente ter certeza de que a Imprensa mente quando acolhe uma palavra do Secretário de Saúde dizendo: "está tudo sob controle."Brincadeira, minha gente. Abram as portas dos colégios públicos e particulares nessas duas próximas semanas, aí veremos matança coletiva. O vírus está em ação, os medicamentos burocraticamente engavetados, médicos , geralmente recém formados em dúvidas : é ou não é suína. Nós, pobres mortais. com muito medo de passar mais uma dessa.

Anônimo disse...

A verdade é que o HFM anda fazendo sua "triagem" na porta do hospital, com médicos que absolutamente nada entendem de humanidade... e pra quem tem um pouquinho mais de condições de procurar outro hospital inicia uma verdadeira via crucis. A impressão que temos é de que os médicos vivem num mundo muito diferente do "resto"... sim porque parece que nós somos o "resto".

Gaby disse...

A prefeita prefere cantar "Poxa" com o Elimar Santos, na praça São Salvador, pq ela acha que isso dá mais ibope. Qto ao resto ela quer mais é que se phoda. Se alguém da família dela contrair gripe suína, vcs acham que essa pessoa vai ser tratada aonde? No HGG? No HFM? Nos PUs? Nos postos de saúde? Que nada! Vai é para o Copa D'Or, no Rio.

Anônimo disse...

Os três comentários aqui registrados( 14:08/16:06/16:19) tem um peso muito importante. Creio que a comunidade não está muito ingênua como se pensa ou melhor se tenta manipular.A medida de suspensão das visitas na Santa Casa de Misericórdia é plausível, muito embora a gente saiba que o doente necessita da visita para uma conformação, um ganho de carinho tão essenciais a recuperação de cada um. Outros hospitais( particulares ou públicos) deveriam adotar medidas mais severas com relação a visitas que chegam sem ao menos uma higienização básica.
O momento é de alerta e cuidado. Num dos blogs de propriedade de um conceituado cidadão foi colocado uma estimativa de doentes acometidos pela gripe suína. Alguém fez um comentário dizendo que leitor multiplicasse aquela quantidade, o comentário foi logo dissolvido.Por quê?
Precisamos nos unir nessa hora de extrema preocupação. Médicos, acadêmicos, enfermeiros, todos juntos num multirão de ajuda e orientação à população. Mesmo assim , não basta. Sou da área de saúde e acompanho mais de perto toda situação.

Anônimo disse...

Garotinho e Rosinha vocês estão sendo muito malvados com a cidade de Campos.
Você é um garotinho muito mal e você, rosinha, é uma menininha muito ruim.
Se vocês não forem bons com a cidade vou mandar vocês dois para um posto de saúde da cidade para serem atendidos por uma tia dentista usando luva ginecológica e a mesma máscara de outros 20 pacientes, isso em plena crise de gripe suína.
E se também não tiver luva ginecológica no dia que vocês forem lá, a tia dentista vai atender vocês com a mão suja ou sem enxugar as mãos, pois não tem papel toalha mesmo.
Afinal de contas é para economizar máscara e papel toalha, pois a Prefeitura está sem dinheiro e luva cirúrgica aparece de vez em quando.
Mas não tem problema, uma infecçãozinha "qualquer" em paciente ou na tia dentista não é nada importante, pois criança não vota e o dentista é concursado.

Bicho Possuído

Anônimo disse...

"Garotinho e Rosinha vocês estão sendo muito malvados com a cidade de Campos." ( Transcrito de um dos comentários da página.)
Verifique a condição de higiene nos postos de saúde, no próprio HGG,HFM, vocês ficarão surpresos. Hoje estive numa escola pública federal para apanhar uma documentação muito embora estivesse sem alunos, tinham pessoas trabalhando gripadas( firma de limpeza mantendo funcionários dessa maneira). Como pode isso. A conscientização do problema é um processo falho. Até quando?
A Municipalidade e seus órgãos diretos deveriam estar unidos aos dirigentes das Instituições de Ensino, Comércio em geral traçando metas para as próximas semanas. E, aprendam a falar a verdade, colocar as cartas na mesa e encontrar soluções mais adequadas.