sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Para que os ambientalistas, os vestais e outros hipócritas possam fazer sua boa digestão...

Que bom que em nosso país, problemas como violência, educação, saúde, e a fome estejam resolvidos...É uma pena que o capitalismo não tenha resolvido esse problema ao redor do mundo...Mas nós não...!!!! Estamos com nosso dever de casa cumprido, e já podemos deslocar o eixo da discussão para os temas "universalistas" da proteção ambiental...Aqui não há mortes por balas perdidas, fome, falta de saneamento, ou outras intempéries, fruto da desigualdade e da marginalização de enormes contingentes humanos...

Como bem disse nosso oráculo do bem, a senadora Marina Silva, essa agenda supera a luta de classes, e extrapola a diferença entre ricos e pobres...Que ótimo, ainda mais quando já alcançamos um nível de distribuição de renda que aproxima esses opostos, como nos países de primeiro mundo...

Veja como funciona o mundo onde a luta de classes permanece, e os interesses geopolíticos dos ricos se sobrepõem a preservação desses famintos animais, chamados de seres humanos...

As fotos são da Faixa de Gaza, Somália, República Democrática do Congo, Zimbabwe...Lugares que ainda não conquistaram uma "agenda verde", para além da luta de classes, e da pobre divisão entre pobres e ricos...Sorte a nossa...agora temos Marina candidata...

Bon apetit, mes ami...E se der vontade de regurgitar a saladinha orgânico-macrobiótica, utilize uma sacolinha oxibiodegradável...





Fotos: Médicos Sem Fronteira...

19 comentários:

Claudio Kezen disse...

Caro Xacal,

Não esperava de sua parte a descaracterização grosseira e rasteira do legítimo direito da senadora Marina Silva de seguir o rumo político que bem lhe convir.

Se a sua fidelidade canina ao núcleo duro do PT, que faz tanto pela luta de classes quanto papai noel pelas criançinhas, te impede de ver para além da lógica nunca-antes-na-história-deste-país, não é a velha estratégia da desmoralização do oponente que vai mudar os fatos, além de manchar sua digamos...biografia.

Não tenho procuração para defender a Marina, e apoio alguns dos avanços recentes conquistados no Brasil, mas os 30 anos de fundação e militância dentro do PT além da conduta contrária ao que eu chamo de pragmatismo cínico adotado pelo Lulalá e seu grupo mais próximo conferem a Marina uma legitimidade política em várias esferas difícil de se igualar nestes tempos de governo meia-boca.

Nosso estrategista Lulalá foi pego de caças arriadas nessa e vai vendo sua estratégia de polarizar a eleição vindoura entre Dilma e Serra indo por água abaixo.

Não fica bem para vc, um democrata acima de tudo, este tipo de manipulação dos fatos que reduz de forma constrangedora seu arsenal de argumentos que eu tanto admiro.

O preço de vilipendiar o partido em nome de um projeto que reúne ao seu redor figuras nefastas já conhecidas e que só serve à seu projeto pessoal é alto, e a fatura deve ser enviada para o ocupante do Palácio do Planalto.

Roberto Torres disse...

cada vez mais parecidos com os europeus... a "agenda verde" é o auto-engano que nossa classe media precisa!!!

Que pena que coube a Marina cumprir esse papel ridículo... Como disse o Lula, ela "corre o risco de virar santa na campanha".

Xacal disse...

caro Cláudio, bem sabes que és um dos interlocutores que mais admiro e respeito...

pois vamos lá:

não há redução de argumentos...a "agenda verde" que a marina propões para além da luta de classe, com a "conscientização" do "empresariado", como aquelas propagandas de banco e de mineradora com temas sócio-ambientais é que parece um estelionato da ex-ministra com sua própria biografia...

hoje, todos os jornais dizem que a marina externou que o governo lula não tem "sensibilidade social"...ora, ora, a marina só descobriu isso agora...???

bom, esse é o problema de debater temas políticos com mulheres: elas batem como homens, mas querem ter uma resposta que preserve sua frágil condição...

é verdade que apertamos um pouco nas críticas, mas esse é po debate ao qual ela se propõe, e sua biografia, por mais imaculada que seja, não lhe dá o direito de falar asneiras como o fim da luta de classes pela "agenda verde"...

adotando um discurso muito caro a você, meu bom Cláudio, olhemos as companhias da marina e vejamos aonde ela irá...

é só ver quem insufla sua candidatura para ver a serviço de quem ela estará...

se o raciocínio das péssimas companhias serve para o lula e o pt, deve servir para ela também, ou não...

mas será que é só ingenuidade...????

bom, vou desprezar suas ofensas "descaracterizadoras", como fidelidade canina ao npucleo duro do pt...

basta lembrar que só por aqui você pode debater a questão daniel dantas e outros temas, que fragilizam esse governo, que aliás, não poderia ser perfeito, muito embora o nível de "exigência" da mídia nativa e da classe média reacionária(neoudenista zona sul)lhe cobre a isso a todo instante, enquanto esuqece os escândalos da octaéride fernandista...

nãoe esqueçamos,pois você mesmo disse: a marina esteve no pt, por 30 anos até ontem, e no governo, até meses atrás...se ela fosse tão congruente e correta com o que entende por partido, programa, etc, por que ela não devolveu o mandato...????

bom: uma dado para você: 20 milhões de pessoas migraram da miséria para a classe C e D...o maior movimento de migração de classe social da história do capitalismo, em todos os tempos...os dados não são meus, são do BIRD, e da ONU...

se isso não algo para dizer de que lado estamos na luta de classe, então só nos resta comprar fuzis e sair às ruas para caçar usineiros e empresários...

um abraço...

Claudio Kezen disse...

Bom debate, Xacal...bom debate...

To saindo pra tocar meu bluesinho e depois vou ler com mais calma sua resposta. Confesso que não li as declarações da Marina, então não posso colocar os dois lados na balança. Em termos de consciência social acho que o governo Lulalá foi um avanço, embora a gente sempre espere mais.

Desculpe-me se peguei pesado com vc, tenho meu "temperamento" e às vezes cometo minhas injustiças.

Abraço e obrigado pelo tom educado da sua resposta.

Claudio Kezen disse...

Só mais uma coisa. A "agenda verde" pela social, já é evidentemente discurso de campanha, não acredito em ingenuidade aí, mas, faz parte do jogo.

gentil carioca disse...

Sinceramente, não entendo o porque da ironia contra os ambientalistas.
Até porque o PT, inteligentemente, faz dessa "luta" uma plataforma, quando lhe convém.
E também não entendo sua raiva contra uma ideologia que, pelo visto, não faz parte de seu conhecimento político: fome, saúde, educação e violência são questões ambientais, sim, e de profunda relevância, até porque os vemos como interligados, indissociáveis, siameses.
A discussão ambiental não poderá nunca ser colocada em segundo plano, se é que pode haver um primeiro, segundo ou terceiro planos quando se trata da sobrevivência dessa raça humana.
É quase como se dissessem que discutir a corrupção é menos importante do que discutir a educação, ou a fome.
Simplesmnete não dá para separar, fazem parte da mesma pauta: cidadania.
E o espaço aqui é pequeno para ir muito além. Principalmente quando o interlocutor se mostra tão comprometido com suas "verdades" e tão ignorante (no sentido cru do termo, não pejorativo) à respeito dos ideais coloridos pelo verde.
Uma pena.

Xacal disse...

gentil carioca,

o espaço aqui será sempre o que for necessário ao debate, portanto, não esconda sua falta de argumentos nessa premissa: a falta de espaço...

primeiro, obrigado pelo ignorante...claro que sim, SEMPRE, SEMPRE à busca de conhecimento...

mas veja que você não trouxe nenhum conhecimento novo...

é claro que enxergo a transversalidade de temas como a "agenda verde" ou o combate a corrupção...

o problema, é que seu próprio argumento já mostra uma contradição: temas tranversais não podem ser hierarquizados, e colocados no centro da agenda...eles permeiam todo o debate, às vezes com mais ênfase, às menos com menos ênfase...justamente o que você nos acusou de usar de acordo com as conveniências...
é claro que sim: toda medida ou ação administrativa é fruto da conveniência e da mediação política...de enxergar quando o cenário é favorável, e quando temos que trabalhar para que o seja, e quando não há condições para implementar essa ou aquela medida...caso contrário, teremos sistemas autocráticos de gestão, e isso não é próprio da "agenda verde", ou é...??

o que a senadora fez, foi enxergar esse limite da "sua agenda" e agora procura desqualificar a "agenda" que não lhe é própria...tudo bem, é do jogo, mas não podemos dar um verniz de causa santa para um estratégia tão limitada...

bom, mas dentro da minha ignorância pelo tema, vamos tentar desenvolver algo:

ora, é a própria natureza do tema: o ambiente, que traz a principal dificuldade de isolá-lo em uma "agenda verde", como dissemos...se entendermos o ambiente como um sistema, é possível que medidas de redução de impacto de certos ramos produtivos, acabem por gerar maior impacto ambiental em outros segmentos...não é difícil imaginar o que estou dizendo...
mas veja o exemplo:

pela primeira vez em dez anos o painel internacional de controle de mudanças climáticas, como você deve saber, uma instância internacional de cientistas que monitoram a emissão, aquecimento e mudanças climáticas, disse que houve uma redução das emissões, e estacionamento do aumento da temperatura média do planeta, e sabe por que...??? retração econômica, crise mundial...

e aí, boa notícia, ou má notícia...???

continua...

Xacal disse...

continuação...

outro exemplo mais próximo do nosso dia-a-dia: a extinção das sacolas plásticas...ótimo, uma maravilha...mas alguém já perguntou quantos empregos de empacotadores(que assimilam jovens sem expeiência e pouco estudo, idosos e até portadores de necessidades especiais)serão ceifados...houve "estudo" desse impacto social na apresentação da proposta???eu não vi...???
e quantas árvores terão que ser plantadas para suprir a necessidade de celulose para produzir sacolas de papel ou caixas de papelão...???
você sabia que a produção de celulose em áreas de reflorestamento desertifica grandes porções de terra, onde não poderão se plantar alimentos...???

boa notícia, ou má notícia...???

quantos estão desempregados, e nas filas dos programas sociais para que, enfim, o sonho verde se realize...???

o que digo aqui, gentil carioca, se você teve o cuidado de enxergar o debate, para além da minha ignorante jocosidade e acidez é: nenhum país desenvolvido, onde os problemas básicos (segurança, saúde, educação, etc)já estivessem minimente resolvidos, conseguiu estabelecer uma "tecnologica" de desenvolvimento econômico com preservação ambiental satisfatória...nem a marina silva, em seus anos de governo, como ministra, conseguiu formular uma política pública desse porte...e olha que tempo e espaço para isso ela teve...

como no caso da corrupção, o ambientalismo não se coloca como tema autônomo...eles estão subordinados a escolhas de modelos...

sabemos todos que modelos de gestão privatistas, onde a participação popular seja pequena, e que os interesses coletivos sucumbam aos interesses particulares sempre desembocarão em sistemas corruptos e poluidores...

falar em combate a corrupção e ambientalismo, sem tocar na luta de classes, nos privilégios e na luta contra todas as desiguldades é como colocar uma cereja em um monte de merda...

desculpe minha imagem de retórica tão ríspida, mas quem sabe assim você entende...

ahhh.... use quanto espaço você quiser...e se quiser...

um abraço

Luiz Felipe Muniz disse...

Xacal, eu também pego nesta isca lançada!

Tudo bem, o debate é dos melhores...sempre será...e cada vez mais será: capital, trabalho e a "hipocrisia"(?) dos verdes!

Talvez a discussão tenha se iniciado por um viés pouco comum para um tema tão complexo, mas...fazer o quê? Sigamos em frente...

A saída da Marina é emblemática sim para o PT e como alguém de raízes da densa floresta, ela também sabe utilizar bem as artimanhas para uma boa "pesca" ou uma boa "caça".

Até porque vagas hoje para ingênuos somente em campos de futebol como gandulas, e olhe lá!

O jogo da Direita brasileira continua o mesmo, eles e a imprensa vendida e venal permanecem atônitos buscando um caminho para atingir a popularidade infernal do Lula...a Marina serve bem neste momento e propósito, daí o destaque...mas somente isso...o jogo é somente político e mais nada!

Não há discurso salvacionista, há sim uma luta infernal e política pelo domínio deste país, que descobriu agora que não é mais colônia faz tempo!

A Marina se utiliza também desta lógica e traz para o centro sim do debate a agenda ambiental. Ela também tem carisma e sabe muito bem do que fala...e não acho que tem falado do que não lhe compete...a mulher é Senadora, foi Ministra da República e ganhou vários prêmios internacionais por sua atuação política e técnica rsrsrsrsr

Podemos chamar isso do que quizermos, mas simplesmente desqualificar a manobra e ou detonar a "visionária" porque saberia ela que não leva com este discurso raso de florestas, insetos, pererecas em extinção...e o abandono das lutas classistas históricas...ahhh, meus amigos blogueiros e xacais, o tema é por demais central para ser desprezado e renegado.

A força das imagens de sofrimento e dor dos negros, pobres, excluídos e marginais mundo afora não expressam nada a respeito do processo histórico que nos trouxeram todos a esta encruzilhada da jornada humana na face da Terra.

Alguém já falou que o espaço é pequeno para nossas discussões filosóficas. Porém eu vejo nos blog's uma oportunidade ímpar de aproximação dos extremos e dos laterais. Talvez devêssemos pensar e propor um grande debate sem o privilégio das verdades, mas com os espíritos livres e desarmados da convergência em tempos de absurdos sociais e ambientais.

O capitalismo chega hoje ao ponto de ser visto por muitos socialistas de outrora como a única saída viável. Teses bem elaboradas são produzidas apenas para registrar que aceitam sim as mazelas da exclusão, do extermínio oficial e das guerras sem fim em prol do prosseguir de uma minoria incorrigível e das conquistas tecnológicas...até lançam mão das teorias da evolução das espécies para justificar tanta atrocidade...

...segue em outra postagem...

Luiz Felipe Muniz disse...

...continuando...

Pois eu acho, Xacal, que estamos sim definitivamente numa grande encruzilhada!

Queremos o direito de chegar onde chegaram os países dito "desenvolvidos" - me parece que não estamos trazendo todos os dados para avaliar bem esta visão de "desenvolvimento"...a maioria destes países estão muito mal na foto, mesmo diante de todo o conforto conquistado por uma parcela importante de suas comunidades, mas ainda muito longe da maioria!

No Brasil há brechas significativas para fazermos diferente em várias áreas do desenvolvimento humano: agrícola, políticas urbanas, energia, turismo, transporte, etc...mas continuamos muito presos à visão das regiões centro-sul-sudeste, num fomento desproporcional ao transporte individual, à industria com baixa ênfase e eficiência energética, ao avanço desproporcional da monocultura dentre outras dimensões que retratam bem o flagelo do desenvolvimento capitalista-industrial que marcou e maculou todo o ocidente e agora invade como nunca o oriente...

De fato há conteudo para mais "de metro"!

Mas o erro não está em defender os diversos pontos de vista, na minha breve opinião, mas sim na retórica que não acolhe e simplesmente desqualifica por meios que normalmente são combatidos, porque são praticados em larga escala pelos empresários do setor de comunicação de massas acéfalas!

Xacal, acabaram de me informar que nem para gandulas há mais vagas para os ingênuos de carteirinha.

Xacal disse...

Luiz Felipe,

não fui eu quem pôs palavras na boca da sendaora santa:

"a agenda verde está além da luta de classes..."

"o governo lula não tem sensibilidade social..."

tudo bem, tudo bem, deixemos isso para o jogo político...mas parece estranho e paradoxal, alguém querer vestir o figurino de "santa vestal", e produzir conceitos tão mesquinhos e lugares-comuns...

bom, vamos ao cerne do debate:

parece que você esqueceu(só pode ser isso)que eu disse que o ambiente é um tema transversal, e como tal, não pode ser hierarquizado, porque a tentativa de fazê-lo o isola como princípio, como um valor, que deve ser perseguido, porque afinal, diz sim, respeito não só a nossa sobrevivência, mas qualidade dessa sobrevivência...

creio eu, e você parece concordar que esse debate entrou pela porta dos fundos, e tutelados pelos "padrinhos" errados...

mas você bem sabe, que na TrOLha os temas sócio-ambientais sempre tiveram acolhida...o que não aceitarei é "contrabando de vestais", aí não...e pode ser senadora, doutora, ex-ministra, premiada, o escambal, vai levar trolhada...gente muito mais "credenciada" fala asneira, e os títulos não são salvo conduto para isso...carteirada aqui não, meu caro...

bom, o desafio é estabelecer desenvolvimento com sustentabilidade ambiental...OK...fundamental são as escolhas políticas sobre quais modelos adotaremos...

modelos solidários, onde os mais pobres são protegidos em redes sociais e por poíticas públicas de distribuição de renda, qualificando a cidadania para a fiscalização de todas as práticas poítico-administrativas, enquanto conquistam conforto e mobilidade social e consciência ecológica,

ou modelo privatistas, exclusivistas e segregadores, adornados com práticas faz-de-conta de "responsabilidade sócio-ambiental", tipo propaganda de banco...

não há ingenuidade...esse papo da marina que é possível "reeducar" o empresariado a adotar práticas corporativas ecologicamente corretas me parece um idiotice que nada acrescenta a luta justa de vocês...

um abraço

Luiz Felipe Muniz disse...

"...a luta justa de vocês..."(????) Vcs quem Latoraca??

Usando suas palavras: o escambal, caro Xacal!

Os movimentos ambientais cumpriram muito bem os seus papeis de alerta e de inserção política, técnica e científica desde a década de 60 nos países dito "desenvolvidos" e de 70 no Brasil.

Tenho orgulho sim de ter participado diretamente desde 1978...mas esta demanda não mais pertence absolutamente aos ambientalistas e ecologistas.

Todos os líderes da atualidade, sejam eles políticos, juristas, economistas, blogueiros, jornalistas, etc, tem a sua cota de responsalidade ambiental e social, meu caro.

A bandeira foi fincada no quintal de cada um de nós e em todas as praças públicas do Planeta...enquadrar e rotular esta demanda numa perspectiva político-partidária ou numa visão reducionista de um Club é sinalizar que ainda não entendeu bem do traçado que estamos tentando alinhavar.

Xacal disse...

aqui reside o cerne de nossa discórdia:

"(...)
A bandeira foi fincada no quintal de cada um de nós e em todas as praças públicas do Planeta...enquadrar e rotular esta demanda numa perspectiva político-partidária ou numa visão reducionista de um Club é sinalizar que ainda não entendeu bem do traçado que estamos tentando alinhavar"

ora, ora, aqui a "agenda verde" revela sua natureza "universalista" intrínseca...quando se pretende acima da política-partidária, e usa como contraponto um Club, nivela, por desconhecimento ou oportunismo, ferramentas institucionais distintas e com objetivos distintos, e depois crava a pretensão de pairar acima dos conflitos da sociedade, e não como um valor que permeia esses conflitos...

é triste...

com tanta história, o movimento ambientalista padece do mesmo "pecado original" de todos os "movimentos setoriais"(mulheres, gays, negros, etc)...

não conseguem se despender de que a razão de sua existência(e deixar de existir) são as agressões que denunciam...assim, se debatem com o loucos para que essas "violências" continuem a lhe fornecer uma causa, mesmo quando a realidade lhes mostra que eles são apenas mais uma engrenagem de um jogo muito mais amplo...

um abraço, Luiz...

Xacal disse...

para continuar o raciocínio:

se é bem verdade o que dizes, e de certa forma, acredito nisso, uma vez implantada a questão ambiental como um valor, assim como a Democracia, a liberdade de expressão, etc, não faz mais sentido um partido verde, um movimento e uma "agenda verde"...

como não faria mais sentido um partido da Democracia, ou da liberdade de expressão...

o que não significa dizer que esses valores possam ser praticados por partidos ou entidades ligadas a destrição desses valores, como os conservadores direitistas, neoudenistas, e todas as espécimes de fascistas travestidos de "liberais"....

um abraço...

Luiz Felipe Muniz disse...

Desde o início eu disse que a discussão seria muito boa, pois está sendo de fato!

Xacal, vamos por parte.

Adorei a sua constatação expressa na “natureza “universalista” intrínseca...”. Estamos chegando lá, mas ainda falta alguma coisa...

O sufixo “ista” não cai bem a esta definição! “Ista”, segundo o próprio Aurélio significa:

“partidário ou sectário de doutrina, escola, seita, teoria ou princípio artístico, filosófico, político ou religioso’; ‘que pratica certo ofício’, ‘que tem certa ocupação’; ‘especialista’; ‘que toca certo instrumento musical (ger. com talento e/ou dedicação)’; ‘que pratica determinada modalidade ou atividade esportiva’; ‘que pratica certo tipo de ação, ou que tem certo hábito, ou conduta’; ‘aluno (de determinado ano escolar)’; ‘nomes gentílicos’: budista, classicista, socialista, moralista, balconista, cinegrafista, eletricista, alergista, pneumologista, organista, violinista, boxista, enxadrista, blefista, calculista, cigarrista, primeiranista, terceiranista, paulista, sulista.”

Se algo se enquadra num sufixo “ista” é porque, de alguma forma, acolhe a fragmentação imposta pela visão. Pois eu digo que a natureza desta discussão não é “ista”, não é fragmentária, ela é sim global, terrena e intrínseca à espécie humana, àqueles que habitam e sabem que habitam a biosfera terrestre. Não misturemos esta visão com visões salvacionistas, facistas, classistas, egoístas, capitalistas, comunistas, petistas, verdistas...você mesmo afirma o papel transversal do tema, mas ainda não buscou sedimentar e amadurecer uma concepção racional enriquecida com esta transversalidade.

Não é um problema pessoal, caro amigo Xacal, é o resultado do que de fato somos a esta altura do processo evolutivo – a maioria, mais que absoluta, dos humanos do nosso tempo, após milhares de anos de evolução, permanece estacionada num mundo à parte do mundo real, natural, o mesmo que lhe fornece água, alimento solar da fotossíntese e compostos minerais para seu metabolismo orgânico diário. Predomina uma visão extremamente reduzida de nossa realidade terrena e de nossos limites temporais...as nossas instituições são por natureza antropocêntricas demais...além de concebidas para o conflito permanente das idéias e a inflação hierarquizante dos egos.

Quanto aos movimentos que vc qualifica de setoriais, eu os vejo como verdadeiramente movimentos sociais, inescapavelmente todos, inclusive o dos trabalhadores, dos magistrados, dos partidos políticos, dos sem-terra, dos sem-tetos, dos africanos, dos árabes, dos palestinos, dos budistas, etc. Não cabe entendê-los numa perspectiva de valoração hierárquica, sob pena de cometermos os excessos próprios dos ditadores de outrora e atuais.

Você nos diz que “é triste” identificar, segundo você, nos movimentos ambientais o mesmo “pecado original” dos movimentos sociais - tratados por você como algo menor, setorial, sazonal...que seriam extintos após as conquistas pleiteadas...ora, ora, é você quem rotula para encontrar sentido nos movimentos sociais, mas os movimentos sociais possuem a mesmíssima dinâmica dos organismos vivos quando ameaçados em sua ordem...por exemplo hoje é a gripe suína que está mobilizando movimentos sociais em busca de nova ordem...um vírus mobiliza uma legião de células para combater a invasão... a bem da verdade, todo o movimento social é orgânico e é setorial pois se insere numa lógica maior da biosfera...mas o setorial apontado por você não tem como eixo ordenador o sistema Terra e sim uma visão antropocêntrica hierarquizante da humanidade...

Luiz Felipe Muniz disse...

...continuando...

É claro que não faz sentido um Partido Verde, uma agenda verde, uma discussão dos verdes! Da mesma forma que eu sempre defendi uma visão contrária a do Professor Soffiati sobre Educação Ambiental: enquanto ele acreditava e defendia veementemente – e talvez ainda defenda – que deveria ser criada uma disciplina para dar conta do assunto, eu defendia exatamente o contrário acreditando numa outra dinâmica de implantação inter, multi e transdisciplinar, estabelecendo co-responsabilidades de todos na tarefa hercúlea para tentar uma mudança de visão de mundo diante do descomunal desafio imposto à humanidade.

Mas a presença do Partido, da agenda e dos verdes também faz algum sentido na medida da nossa ofuscante distância do entendimento político mútuo mínimo e das urgências sócio-ambientais que não param de surgir mundo afora. O problema é este: o discurso trágico catastrofista não aglutina esforços enquanto não houver evidências reais, mesmo nas evidências que temos, a memória coletiva nos falha e novamente nos vemos manipulados, discutindo o sexo dos anjos e amenidades que nem Freud ousaria tentar explicar, quando nova calmaria surge no cenário.

Reconhecer como um valor ainda seria muito pouco para expressar o que está no caminho da Humanidade!

Talvez vc tenha razão Xacal, continuemos escrevendo segundo o que acreditamos ter que ser dito e sigamos todos em frente para ver no que vai dar...uma coisa é certa: todos nós estaremos por aqui mesmo, na biosfera terrestre nos odiando; filosofando; pescando (quando tiver peixe); morrendo de fome; em guerra matando; enganando; furtando; quem aprendeu a amar amando; quem aprendeu a lutar lutando...

Um forte abraço,

LF

Xacal disse...

fraternos e democráticos abraços...

Anônimo disse...

Esses ambientalistas...
Se preocupam mais com a extinção do mico leão dourado do que com amorte de uma criança com desnutrição no nordeste!

Luiz Felipe Muniz disse...

Anônimoooo...vc se encontra no séc. XVII...alguém precisa lhe falar!!