quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Parece que foi ontem...

Há alguns "ontens" atrás, tanto pelas limitações teconológicas, mas principalmente, pelas restrições impostas pelo regime autoritário, esse debate não ocuparia uma esfera pública tão ampla...

A liberdade de expressão é uma premissa de difícil definição, mas que temos a exata noção da falta que faz...Imagine você, um dos meus treze leitores(as), que durante a longa noite que perdurou, entre 1964 e 1985, esse publicador de asneiras já estaria preso, e possivelmente, pendurado em algum "pau-de-arara"(*), sentado em alguma "cadeira do dragão"(**), ou passeando de "submarino"(***)...

Quem não viveu sob o signo da repressão, e eu não vivi, pelo menos não tinha consciência disso, tem dificuldade em valorizar a possibilidade de falar livremente...

Porém, há aqueles que viveram sob o arbítrio, e sentem saudades dele, afinal, os conflitos de idéias se resolviam pela força...E todos nós sabemos QUEM estava do lado "escuro da força", naquela triste época...São os mesmos que tentam, por desespero, calar quem ousa discordar do senso comum que fabricam em seus editoriais de encomenda...

Já sabemos que alguns barões da mídia não encaram a liberdade de expressão como um valor inexorável a Democracia...Eles apenas enxergam a liberdade(de expressão)limitados pelo viés de classe, e mais ainda, pelos critérios dos negócios e outros interesses menos confessáveis...

Nada contra o lucro, a liberdade de empresa, ou a livre-iniciativa...
Apenas uma ressalva quando tratamos do direito a informação, recentemente, consagrado pelos franceses(sempre eles)como um direito humano fundamental...
Um jornal, uma concessão de rádio ou TV, ganham dinheiro com um produto que pode alterar a percepção das pessoas sobre si mesmas e sobre o mundo que as cercam: a informação, o conhecimento, a comunicação...!

A linha que delimita a ética, a seriedade, o zelo a realidade factual, e enfim, a Democracia é tênue, e nem sempre fácil de enxergar, nós sabemos...

Mas há uma enorme e abissal diferença entre o erro, que pode ser reparado, sob controle social, ou até mesmo corporativo, e o dolo em achincalhar, chantagear, jagunçar e prostituir a notícia para auferir vantagens e perpetuar privilégios...

Uma vez ultrapassada essa linha, não há mais volta, e tudo será utilizado para alcançar os fins que se pretende, inclusive negar a própria matéria-prima sobre a qual deveria estar calcada sua ação, nesse caso, a liberdade de expressão...!

Quando um jornal, qualquer que seja ele, abandona o campo das idéias, o debate, o texto, etc, etc, e procura judicializar uma disputa que deveria ser ideológica e de conceitos, ele assina sua sentença de morte...Não a empresarial, que fique claro...Essa pode até engordar com as moedas que tilintem das sentenças corretadas por caríssimas bancas de advogados...

Mas morre sua essência, ou seja: sua credibilidade...!

Os mais céticos me dirão: nesse caso, do jornal folha-censura, não poderia haver morte do que nunca viveu de fato...

É pode ser...mas não deixa de ser lamentável...

Como há empresas que não sobrevivem a concorrência e um ambiente de disputa hostil, devem haver jornais que não sobrevivem em ambientes democráticos...

Aí meus caros, não tem juiz que dê jeito...

Caráter e dignidade não se restaura por decreto ou por sentença...

Episódios como esse nos revelam a necessidade, a urgência de estabelecermos um debate amplo sobre Comunicação Social e Democracia, sob os limites dos lucros sobre a nossa necessidade de acesso a informação...

Imprensa livre não é sempre empresa livre...!


(*)-pau-de-arara: trave de madeira, suspensa por cavaletes, a cerca de 1,20m do chão, onde os presos eram pendurados com a mãos e pernas trançadas.
(**)-cadeira-do-dragão:estrutura em forma de cadeira, revestida com chapas de metal condutor de eletricidade, onde o preso era amarrado, geralmente, com o corpo nu e molhado, e recebia descargas elétricas atrávés dessas chapas.
(***)-submarino: tanque de água onde os presos tinham suas cabeças mergulhadas, para infligir sofrimento pela asfixia ou pela iminência do afogamento.

3 comentários:

~PakKaramu~ disse...

Pak Karamu visiting you

Anônimo disse...

Enquanto isso na cidade pobre,com orçamento rico, R$ 10 milhões em 1 ano para duas empresas
planejar,criar,produzir e divulgar programas da prefeitura.
É muita grana! Será que ninguém vai subir no trio elétrico e gritar pega ladrão?
Eita povinho!

Sérgio Provisano disse...

Alguma coisa deve ser feita sim, criar-se talvez uma campanha pela Liberdade de Expressão, Ampla, Geral e Irrestrita, nos moldes como foi a da Anistia.

Acho mesmo que a ação proposta pelo jornal Folha da Manhã, dará como os burros n'água, não vejo em tese, consistência para progredir. Claro que só com mais dados é que poderemos fazer um juízo de valor mais detalhado, mas pela postagem do professor Roberto Moraes, tudo caminha para que a mesma, a ação, seja julgada improcedente.

De toda a forma, o pano de fundo dessa questão, quer me parecer ser uma tentativa clara de amordaçar um espaço, claramente democrático como o é o blog do professor Roberto Moraes, que publica comentários independentemente dos mesmos alinharem-se ou não ao espírito central do tema proposto nos tópicos postados.

Isso, por si só, diminui de forma bem intensa, a credibilidade desse órgão de imprensa, que deveria pugnar sempre em prol da liberdade de expressão, bandeira que a imprensa livre deve sempre empunhar.

Críticas são normais em todo espaço democráticos e, confesso, não ter lido nos comentários publicados, nada que depreciasse a imagem do jornal. Alguns comentários podem ter sido mais duros porém nada de tão agressivo que justificassem a proposição de tal ação. Aliás, tal propositura servirá mais para desgastar a imagem do jornal no universo de formadores de opinião que integram a blogosfera.

Como bem registrou o professor Roberto Moraes ao postar um tópico sobre os cinco anos do seu blog onde ele pondera que apesar da maioria dos comentários ainda ser de anônimos, cada vez mais outros comentaristas começam a se identificar e assinar os comentários.

A ação proposta se refere ao conteúdo dos comentários e não sobre os tópicos. O que a empresa quer, na verdade, é imputar aos proprietários dos blogs, a responsabilidade sobre a opinião dos comentaristas. Entendo ser isso como forçar a barra, mesmo que os comentários sejam anônimos, uma característica normal dos blogs em geral, não dá para passar, pura e simplesmente a responsabilidade sobre a opinião de terceiros.

Vou sugerir à todos os blogueiros que coloquem em destaque, o mesmo que os órgão de imprensa costumam colocar quando querem se isentar de qualquer cobrança posterior, o seguinte: ESSE BLOG NÃO SE RESPONSABILIZA POR QUALQUER OPINIÃO EMITIDA POR SEUS COMENTARISTAS.