sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Prova de fogo...

Sabem os diplomatas, e outros negociadores internacionais que o fatalismo é inimigo da boa política externa...Todos os esforços sempre devem ser direcionados a afastar crises e decisões irreversíveis, que, em última instância, desemboquem conflitos de toda sorte: desde retaliações econômicas até animosidades bélicas...

O desafio para a diplomacia brasileira é real, e se apresenta, novamente, a partir de hoje, em Bariloche, Argentina, onde acontecerá a Cúpula Latinoamericana, a Unasur...

Como em toda parte do globo, o fortalecimento ou enfraquecimento de blocos regionais depende da capacidade dos líderes nacionais em equilibrar os interesses de suas nações, articular alianças conjunturais e estruturais, e incluir países em situação assimétrica(em todos os indicadores: sócio-político-econômicos)sob a égide de um sentimento transnacionalista, ou melhor: multi-nacionalista...

Não é uma conta fácil, e os arranjos e desarranjos desse processo tendem a valorizar impossibilidades momentâneas com fracassos permanentes...Não é bem assim, a Europa, berço do nosso Novo Mundo, está há mais de 50 anos, e ainda não consolidou, definitivamente, sua comunidade...

Nossa América Latina enfrenta um cenário paradoxal...De um lado, a rearrumação da economia mundial oferece a oportunidade de que essa região assuma papel relevante frente as novas configurações geopolíticas munidiais...O deslocamento do PIB mundial do eixo norte para sul, com a China, Rússia e Índia como novos atores/parceiros nesse contexto é ainda incipiente, mas já revela que mercados, países, enfim, regiões, onde o capitalismo ainda não esgotou sua expansão e sua capacidade produtiva, serão cortejados como "rotas de fugas" para novos investimentos...

Ultrapassada a crise mundial, haverá a necessidade de se reestabecer "laços de funcionamento" entre empresas, países e seus mercados, e tudo indica que a hegemonia, que hoje é estadunidense e européia, tende a ser modificada...Ao mesmo tempo, essas forças econômicas, até então hegemônicas, tendem a lançar táticas e estratégias mais agressivas para manter suas antigas posições intactas...

Esse é o risco que incide sobre blocos regionais como a América do Sul...Há uma tendência, confirmada pela historiografia oficial das relações com países ricos, de que a América do Sul ceda a tentação de que cada país busque parcerias bilaterais, como forma de fortalecer suas posições individuais, que em suma, enfraquecem-nos como um bloco, e os tornam, como em um círculo vicioso, presas fáceis para a manipulação praticada pelos "parceiros externos", ávidos por fincarem suas posições estratégicas, como se tratasse de uma recolonização...Nos dividem, para "reinar" sobre nós...

Açodados por uma elite míope, canalha e oportunista, que enxerga(com alcande curto e imediatista)a satisfação de suas "necessidades imediatas", de alavancarem negócios com velhos e novos parceiros, mesmo que para isso, submetam-se a velhas e novas regras de subordinação e achincalhamento da soberania nacional e regional...Essas elites míopes ainda se aproveitam dessas rivalidades históricas para mediar esses interesses externos, e de quebra, montarem uma agenda interna que enfraqueça os governos que representam uma alternativa a séculos de submissão e exploração dos povos latinoamericanos...

Assim, temos a Colômbia de Álvaro Uribe e a Venezuela de Chávez, como expoentes desse conflitos, que, no fim das contas, interessam tão somente a Rússia e EEUU, que estimulam rivalidades para ampliar as vendas de sua indústria bélica, com o risco de transformar a região amazônica em uma reprodução latina dos embates geopolíticos de outras partes do globo...Importaremos assim a "guerra morna"...

Tudo indica que a região latinomericana se lançará a uma corrida armamentista sem precedentes...

Os grupos conservadores aqui, na latinoamerica, atuam de acordo com a ocasião e a oportunidade: ora são nacionalistas extremados, a estimular conflitos que impeçam a construção de um bloco regional onde a hegemonia política seja de governos de esquerda, ora são internacionalistas canalhas, quando acorrem em auxílio e, ou silêncio omisso aos golpes e agressões a Democracia praticados por seus congêneres que estejam em algum governo, ou a serviço de algum golpe institucional...

Apostam no pior, para servirem de redenção...

A diplomacia brasileira, sob a liderança do presidente Lula deverá saber equilibrar essas e outras nuances, e reafirmar seu papel de liderança com firmeza, mas sem imposições, como aliás, tem feito com sucesso...

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