segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Saída pela direita...

Primeiro é bom que se diga: a ex-ministra Marina Silva é um dos maiores quadros políticos desse país...Seu exemplo de retidão e coerência são raros, e sua história de vida dá contornos ainda mais coesos a suas opções e lutas políticas...

Seria ótimo um processo eleitoral que pudesse contar com duas mulheres de tamanha estatura: duas guerreiras...

A Marina Silva têm direito de colocar seu nome e pleitear uma vaga para concorrer a presidência onde quer que seja...
O que a Marina, a senadora dos povos da floresta, não tem direito, é manchar sua biografia ao funcionar como contraponto conservador...

O assédio que o PV, do vestal Gabeira(aquele "moralista" das passagens para a filha e a namorada), e que na capital do RJ sempre esteve encrustado no governo do césar maluco maia(por exemplo) é legítimo, e bem que poderia reacender a chama ambientalista há muito abandonada por esse partideco que não resiste a uma cláusula de barreira...

Mas o problema é a incongruência de ver a Marina ao lado de nomes como zé serra e tucanos de outras plumagens, que já incorporaram a sigla verde como legenda auxiliar e subsidiária...Sem medo de errar, o pv é a ala ecológica do demotucanato...

Logo ela que foi derrubada do Ministério pelos representantes dos interesses que sustentam política e economicamente o demotucanato...Esses mesmos interesses, de grileiros, latifundiários e do PIG, que lhe inflam o nome, em busca de sua presença em uma chapa zé-motoserra e marina...

Esse direito a Marina não tem...De "devastar" sua biografia em nome de um capricho...

Ambientalista conservacionista sim, vestal conservadora nunca...!

5 comentários:

Claudio Kezen disse...

Caro Xacal:

Por falar em devastação, a Marina foi "devastada" como política, pessoa e ministra pelo Lulalá. Foi desmoralizada, vilipendiada e humilhada em praça pública várias vezes pelo barbudinho que nada sabe, nada viu. Por lealdade ao seu líder, calou-se até quando o Lulalá lhe impôs o Frankestein Mangabeira goela abaixo sob o pretexto da sustentabilidade política do governo (leia-se alianças com o inominável).

Quando o PT, leia-se Lula, Dirceu, Berzoini, Delúbio, Luisinho, Gushiken, Gilberto, Marco Aurélio, nosso secretário especial maotrotskynarcobolivariano, o chamado "núcleo-duro" e seu projeto pessoal de poder, se aliam desde o 1º dia do seu mandato ao pior coronelismo político deste país, o coronelismo arcaico você-sabe-com-quem-está-falando, o coronelismo cruel que algema as transformações sociais em políticas sociais que geram esmolas no lugar de desenvolvimento sustentável, quem está na posição de atirar a primeira pedra?

Não estou aqui defendendo os emplumadinhos do muro, os parasitinhas do desmanche público, mas sim questionando a legitimidade da política de alianças implementadas pelo Lulalá no nosso (nunca antes na história deste) país...

Eu, humildemente, acho incompreensível a comparação política entre a Marina e a Dilma. Em termos pessoais, acredito que as duas são guerreiras, mas politicamente, a Dra Que Nunca Foi Dilma, não tem cacife moral para limpar a sola dos sapatos da Marina. A ex-guerrilheira (sem demérito) Dilma hoje sustenta como chefe de gabinete, aos berros e impropérios para que não reste dúvidas, a ida do Lulalá para os braços do Renan, Sarney e deLLe (arrgh) - entre outras aberrações humanas - é apenas a continuação do projeto neolíberosindical que tem como sua maior conquista a ocupação dos diversos cargos nos órgãos públicos com a mesma voracidade de antanho.

Se tem uma coisa que precisa ser deixada bem clara é a fome de poder (cargos, suas benesses e poder de barganha) igualmente escancarada nas bocarras de conservadores, liberais, democratas, esquerdistas, ambientalistas, o car... à quatro. Se os programas políticos/ideológicos que conceituam estes grupos tem diferentes visões de governo, na prática o que se observa é a mesma lamentável e velha máxima do meu pirão primeiro.

Se em política, como na vida, é necessário quebrar alguns ovos para se fazer um omelete, nesta disputa de cadáveres escondidos embaixo da cama, o PV e seus maluquinhos não são páreo para os atuais colegas de auditório do nosso líder.

O buraco é mais embaixo, amigo. O FFHH não fez campanha para o Serra simplesmente porque a secretaria de estado do Império vetou. Eles nunca engoliram a quebra da patente dos remédios para tratamento da Aids, o que colocou o Brasil como referência mundial neste campo e a liberação da fabricação de genéricos no nosso país, indo contra os interesses dos laboratórios mundiais. E quem peitou os gringos? O ex ministro da saúde.

Já nosso Lulalá contou depois de três tentativas, com o beneplácito do patrão, e seus tentáculos por aqui, como a Globo por exemplo, e eu me pergunto porque? É triste, mas somos país satélite, e nunca antes na história deste país nomes postos em garantia - Meirelles, Palloci - por um líder de esquerda agradaram mais ao Tio Sam do que um social-democrata.

Não existe um dispositivo que meça a idoneidade com que os partidos se movem em direção à viabilização de candidaturas, e se existisse, acho que ele explodiria, tamanha a falta de lógica que no fundo serve à lógica do poder à qualquer custo.

E assim "la nave va..."

Anônimo disse...

Não concordo com "Logo ela que foi derrubada do Ministério pelos representantes dos interesses que sustentam política e economicamente o demotucanato..." conversa fiada, ela quem podava ela era o próprio governo.

Petistas adoram culpar elementos externos, quando estão diante da falta de coragem ou interesse do próprio governo LULA.

Fora isso, é verdade, a ministra Marina é um grande quadro, seria uma perda incalculável, caso ela caminhe para a direita.

Xacal disse...

Caro Cláudio, repeito sua posição, mas discordo, diametralmente...

A política, em nível ministerial, e no centro das decisões políticas de Brasília, ou seja, no entorno da Presidência, não se dão apenas pelo currículo pessoal de cada um, e sim pela rede de articulação e interesses que cada um representa...

Vitimizar a Marina não faz justiça a grande ministra que foi, e a senadora e líder que ainda é...

Creio que só a ingenuidade para achar que ela não sabia o que estava enfrentando, e sua postura, aparentemente devastada, é nada mais nada menos que uma forma de autopreservação...

O fato é: a orinetação política que ela representava dentro do governo, em relação ao ambiente e outros temas, perdeu...

Outro fato: com todo o peso e capacidade de articulação da Marina ela não foi capaz de articular uma base política sólida em torno dos seus temas, então, aí temos um paradoxo, que geralamente, atinge esse tipo de figura: de um lado, sua figura pessoal cresce, mas de outro, seus propósitos e propostas minguam pela falta de conexões políticas com outros segmmentos, ou seja: acabam por pregar no deserto, e causam masi estragos a sua causa que avanços...

A tese conservacionista ambiental, por ela representada, há muito tempo já foi desmascarada como uma forma de transferir o ônus da preservação ambiental aos paíse pobres, qeu assim, ficariam estacionados, sem poder explorar os seus recursos naturais, de um lado, e sem poder competir pelo acesso a fontes energéticas, o que manteria o nível de consumo dos países ricos em segurança...

É claro que o desenvolvimento econômico não pode ser um cheque em branco para a devastação ambiental...Mas o emperramento do ajuste histórico da enorme dívida socal e econômica, feito pelas "guerras da licenças ambientais", só fortalece o argumento de quemenxerga nas causas ambientalistas a preservação do principal ator do ambiente: o homem...

Por último fica o registro: a Marina é uma referência, mas não foi ela quem foi eleita, e reeleita...Portanto, seu capital político deveria estar a serviço do presidente, e nunca ao contrário...Esse é um princípio caro a Democracia e a República...

Que a Marina expresse em sua candidatura, ou projeto político algo mais que seus ressentimentos pessoais...caso contrário, amargará o mesmo fim que os neoudenistas verdes, como gabeira e cia...

tirando-lhes o discurso da ética, como fim em si mesmo, não resta nada, além do isolamento...

em tempo, meu caro Cláudio: aponte qual setores seriam os "aceitáveis" para uma aliança de governabilidade que garantisse o que já foi feito, e mais: que radicalizasse as reformas necessárias, sem que para isso, rasgássemos a Cosntituição ou provocássemos uma ruptura institucional...?

Se você apontar um setor de nosso espectro político-partidário, como peso suficiente que nos garantisse a estabiliadde para governar, sem cobrarem a fatura que nos foi cobrada, eu desisto... e lhe entrego minha "espada"...

Aguardo...

Claudio Kezen disse...

Caro Xacal,

Não discordo diametralmente do seu ponto de vista, apenas em alguns aspectos pontuais.

Concordo com a não vitimização da Marina, ela é uma política experiente que sabe jogar o jogo, mea culpa.

Concordo também, e talvez esta seja a questão principal, que a corrente que ela representava dentro do poder perdeu. E perdeu para o que de pior pode existir dentro de um poder que se julgava renovador: o rolo compressor do Zé.

Honestamente, não sou capaz de apontar setores da atual conjuntura político-partidária que sejam capazes de sustentar politicamente o governo sem cobrar no mínimo...um "pedágio".

Daí surge a grande decepção com a oportunidade perdida quando da eleição do Lula. Do alto dos seus muitos milhões de votos, com o apoio incondicional da opinião pública interna e externa e guiado pela comoção causada pela simbologia da sua ascensão ao poder, o nosso Lula poderia de fato ter rompido este modelo que literalmente existe para dividir o butim do espólio público.

Para isto, ele deveria ter sido o estadista que tanta falta faz ao Brasil e denunciar este esquemão já amplamente conhecido e com o apoio de setores realmente democráticos pelo menos se empenhar no desmonte deste modelo. Ao invés disso, ele preferiu se acochambrar aqui e ali com os nanicos e oportunistas de sempre e aprofundar o toma-lá-dá-cá.

Quanto a sua espada, Deus me livre e guarde de sequer imaginar a possibilidade de tê-la a mim entregue ou qualquer coisa do gênero, esconjuro!

Um abraço,
Caudio.

Xacal disse...

veja Cláudio, só para terminar:

"Daí surge a grande decepção com a oportunidade perdida quando da eleição do Lula. Do alto dos seus muitos milhões de votos, com o apoio incondicional da opinião pública interna e externa e guiado pela comoção causada pela simbologia da sua ascensão ao poder, o nosso Lula poderia de fato ter rompido este modelo que literalmente existe para dividir o butim do espólio público."

Aí que reside boa parte da questão. E, sinceramente, vão aqui muito mais dúvidas que certezas:

Será que os votos seriam suficientes para impedir movimentos reacionários que visariam desestabilizar as Instituições Democráticas, e que no Brasil sempre foram frágeis...???

Não faz tanto tempo assim, nossos "gorilas" demonstraram d que são capazes...

Será que se Lula impusesse um modelo de "democracia direta", para além e acima do Parlamento e de outros entes de poder não seria acusado de "ditador populista"...???

Será que estaríamos dispostos a garantir nas ruas(no peito, na raça e na ponta do fuzil, se necessário) a vontade popular expressa nas urnas...???

Perguntas, meu caro, apenas perguntas...e que pelo andar da História, ficarão sem resposta...