sábado, 1 de agosto de 2009

Vale o que está escrito...

Durante anos e anos, ouvimos uma mentira por mil vezes, que passamos a tomá-la como verdade: É presciso crescer o bolo, para então dividirmos...

O resto da História nós conhecemos...Essa construção ideológica dominou a formulação e excução das políticas econômicas durante a década de 70, 80, e 90 do século passado...

Um modelo calcado na rápida expansão da indústria de base, e das grandes intervenções de infra-estrutura, mas que por outro lado, alijava e excluía enormes contingentes de pessoas, que se amontoavam nas perfirerias da grande cidade, expulsas do campo, quer pela atração que os bens de consumo e facilitadas urbanas provocava nas populações rurais, quer pelo crescimento da concentração fundiária que estruturava o agrobusiness exportador...

Todo esse projeto de nação foi bancado pelo endividamento externo e interno, que engordava o caixa das corporações finaceiras nacionais e internacionais, deixando o Estado refém das teses do Consenso de Washington, dos humores da ciranda financeira, e das chantagens dos mercados compradores das matérias-primas(commodities)que dominavam nossa pauta de comércio exterior...

Assim, produzíamos itens que não eram destinados ao nosso povo, e ao mesmo tempo, tínhamos que manter seu padrão de consumo reprimido, tanto para vilipendiar o preço do trabalho, tanto para alimentar o padrão de conssumo do habitantes dos países ricos...Construímos estradas para escoar a comida, enquanto uma legião de famintos se aglomerava nas margens: da sociedade e dessas estradas...

No embate das forças políticas, a esquerda sempre se postou contra essas teses desenvolvimentistas-excludentes-concentradoras de riquezas...

Eis que de forma ainda tímida, e sempre pressionado por uma elite obtusa, aliada ao cinismo do PIG, o governo Lula promoveu alguma distribuição de renda, sob a forma do aumento da base de consumo com transferência direta de renda(programas sociais), e com o financiamento da aquisição de bens de consumo(duráveis ou não), que refletem rápido na atividade econômica, e que recuperam a massa salarial e o nível de emprego...

O napoleão da lapa sempre bateu com força na política econômica do governo, e em algumas vezes, até com certa razão...
Faltava-lhe, no entanto, como ainda falta, a legitimidade para propor o debate...

Suas administrações sempre privilegiaram esse modelo desenvolvimentista excludente, com a injeção de bilhões de reais em setores verticalizados da economia, que geram grandes volumes de negócios, mas que consomem enormes quantias de investimentos públicos(diretos ou inidretos)para gerar um único posto de trabalho...
Some-se a isso, o fato de que esses privilegiados sempre retornam os favores amealhados, com gordas contribuições de campanha, como forma de perpetuar um modelo que lhes favorecem...

A certidão de incongruência do projeto do casal de napoleões da lapa está consignada na Lei de Dietrizes Orçamentárias, a LDO de 2010, engolida pelos vereadores dóceis, e sancionada pela marionete do executivo...

Antes, em seu blog, e em outros meios de comunicação, os napoleões da lapa desancavam a preferência do governo Lula e do Banco Central por beneficiar a camada mais rica do país...

Mas quando têm a oportunidade, e guardadas as devidas proporções entre as atribuições de cada ente federativo, a União e o município, os napoleões da lapa praticam, exatamente, o que criticam...

Foi assim com a terceirização da merenda, e agora se repete com a LDO...
Se considerarmos que a LDO é a carta de navegação de um governo, este parece ter rumo certo: engordar o caixa dos empresários, com fundecam e outras leis de renúncia fiscal...

Vejam vocês no trecho que extraímos do Diário Oficial, logo aí embaixo...

Fica evidente que a concepção de desenvolvimento estratégico do governo é pobre e reduzida a questão econômica, com o artifício de torrar milhões e milhões de reais em incentivos e subsídios para empresários-parasitas...
Sua pobre e reduzida visão estratégica exclui o desenvolvimento social, meio-ambiente e a estrutura urbana, que aparece separada nesse artigo 3ª da LDO...
E pior: desenvolvimento econômico como uma prioridade anterior às políticas sociais de desenvolvimento humano e distribuição de renda, na boa e velha tradição dos generais do Brasil Grande...!

Fica assim claro que não haverá novidades e mudanças...Dinheiro e desenvolvimento para quem já tem dinheiro, e algumas esmolas para cooptar so eleitores desse projeto...

Art. 3º. As prioridades e metas para o exercício financeiro de
2010 são as constantes do Anexo I desta lei, elaborado conforme o Programa
de Governo do Poder Executivo, norteado pelos seguintes temas e
objetivos estratégicos:
I - Desenvolvimento Estratégico:
a) Desenvolvimento Econômico.
II - Política Social:
a) Proteção Social;
b) Segurança Pública;
c) Habitação;
d) Cultura, Esporte e Lazer;
e) Saúde;
f) Educação.
III - Estrutura Urbana:
a) Meio Ambiente;
b) Infra-estrutura;
c) Saneamento.
IV - Modernização Administrativa:
a) Gestão do Patrimônio;
b) Gestão Administrativa;
c) Base de Arrecadação Municipal.


Lamentável...simplesmente, lamentável...

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