terça-feira, 29 de setembro de 2009

Honduras, o golpe e o outro lado da moeda...

Desde o início, alertamos que os reducionismos não cumprem boa figura na análise da crise hondurenha...

Pois bem, como prova dessa premissa, li hoje, um artigo na respeitada The Economist, que até agora, traça um panorama mais próximo do que imagino ser a realidade daquele pequeno país...

Não que eu confira crédito absoluto a esse ou aquele veículo, nem seja ingênuo a ponto de desprezar as inflexões políticas de cada discurso, da The Economist ou da rede globo...

Mas talvez, nesse texto, esteja uma boa parte da explicação da dificuldade que a diplomacia brasileira enfrentará...

Antes que alguns idiotas se assanhem: não há dúvidas, em Honduras aconteceu um golpe...ponto...!

Na comunidade internacional, onde quer que se olhe, há um consenso absoluto que a normalidade constitucional e institucional em Honduras foi quebrada...

Só os extremistas de direita, o PIG local, e alguns neoudenistas, viúvas da octaéride fernandista, e outros poucos oportunistas, têm uma visão míope dessa História...Crêem, como fanáticos religiosos que Roberto Micheletti, presidente golpista, é um paladino, à serviço da democracia...

O artigo da The Economist cita um ponto, também, incontroverso: Micheletti e Zelaya são oriundos da mesma árvore genealógica política, representantes da oligarquia local, e talvez por isso, tamanha "reação" do golpistas ao que consideram uma traição: a inflexão de Zelaya a esquerda...Ou seja: para os "democratas golpistas", o presidente não poderia, NUNCA, mudar de lado, sob pena de perder o poder, custe o que custasse...E parece que custou...

Esse imbróglio assume, então, contornos de briga "pessoal", e por isso, grande são os entraves para a negociação, simplesmente, porque não há um debate político em torno da mesa, e sim, sentimentos pessoais, ressentimentos e outros interesses escusos...

Isso, por si, não desmerece a nossa missão diplomática por lá...Ao contrário, a torna mais difícil, porém, muito mais delicada e importante...

A revista revela que apenas 25% dos hondurenhos apóiam, abertamente, o presidente Zelaya, e esse seria o motivo pelo qual Micheletti permaneça onde está...e talvez permaneça, definitivamente...

No entanto, ao contrário dessa conjuntura permitir raciocínios simplistas, do tipo: "viu, Zelaya não tem apoio popular, o "povo" está contra ele, e seus desmandos"...

Não é tão raso e ralo assim...Se o povo não o apóia: que fale isso nas urnas, quer seja em referendos ou eleições...Sem golpes...

Que o Brasil ajude o povo hondurenho a reestabelecer sua Democracia, e que através dela(a Democracia) possam dizer qual presidente querem...Pelo voto, não pelo fuzil...

Mas o desespero golpista de nossa mídia, e de seus "leitores esclarecidos", muito menos o arroubo "revolucionário dos zelaystas ajudarão na solução dessa crise...

PS: esse texto é fruto de minha curiosidade: se Zelaya tem apoio popular amplo, como esse apoio não o restituiu, como Chávez, na Venezuela...? mas isso, como disse, não torna mais fácil o entendimento da situação, como dissemos...Ao contrário, preservar mandatos impopulares é uma causa mais cara à Democracia...É aí que ela deve funcionar melhor...

6 comentários:

Anônimo disse...

A globo considera o golpe em Honduras democratico, que tal então o presidente Lula praticar um pouco dessa democracia... Pode começar fechando a rádio e rede globo de tv daqui. Tudo democraticamente, como estão fazendo lá!

Anônimo disse...

Trecho da matéria vinculada no UOL com o título : “Governo de Honduras é golpista e não interino, dizem especialistas”.

“Os especialistas ouvidos foram unânimes ao considerar que chamar o governo de Micheletti de interino seria uma concessão a uma gestão com traços autoritários – inclusive com suspensão de direitos constitucionais e censura à imprensa – e que carece de respaldo globalmente. Nenhum governo do mundo até o momento reconheceu o regime estabelecido em Tegucigalpa após a deposição de Zelaya, que desde a semana passada está abrigado na Embaixada do Brasil na capital do país.”

Fazer o que? O PIG está certo e o resto do mundo, equivocado.

Anônimo disse...

O criminoso acusa de intromissão a ação de quem quer detê-lo.
E há quem concorde.
Parece teatro de absurdo.

Anônimo disse...

Po cara esse vc ta um chato de galocha com esses artigos interminaveis
volta pro reduto de critica local e larga essa de pseudo Amorim da vida internacional de nosso brasil varonil
Bjs Rosita

Thiago Viana disse...

É xacal, o povo gosta mesmo é de pão e circo!!
Por isso Campos está nessa situação deplorável!!

Luiz Felipe Muniz disse...

Apenas para ilustrar, veja o que disse hoje o Secretário Geral da ONU sobre o assunto, saiu na BBC-BRASIL:

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou nesta terça-feira que está “preocupado” com a crise política em Honduras e declarou que ameaças contra a embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde o presidente deposto do país, Manuel Zelaya, está abrigado desde 21 de setembro, são “inaceitáveis”.

As declarações foram feitas em uma coletiva durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, um dia depois de o governo brasileiro ter enviado uma carta à ONU onde expressa preocupação com possíveis agressões contra a representação diplomática.

“Ameaças contra a embaixada do Brasil em Honduras são inaceitáveis. A legislação internacional é clara: a imunidade não pode ser violada. Ameaças aos funcionários da embaixada e a suas dependências são intoleráveis”, disse Ban.

“O Conselho de Segurança da ONU já condenou estes atos de intimidação. Eu também o faço em termos duros”, disse.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090929_honduras_onu_cq.shtml