segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O neoudenisno no Brasil: suas faces e seus propósitos...!

Antes de entrarmos em mais esse novo debate, é preciso dizer que tal reflexão foi provocada por um de nossos comentaristas, que às 02:37 da manhã de hoje, no post "Oposição bate cabeça", aí embaixo, nos brindou com algumas questões...Vejam:

Anônimo disse...

"Gostaria muito de saber sua opinião sobre Roberto Freire.
Não consigo entender um ex-comunista se tornar defensor do néo-liberalismo. Seria caso psiquiátrico ou existe explicação lógica baseada na teoria da mais valia?"

Bom, antes de mais nada é preciso situar nosso discurso, para que não páirem dúvidas sobre o tipo de mediação que propomos, e mais além evitar as chorumelas do tipo: "imparcialidade, fim dos cortes ideológicos, blá, blá, blá..."
Acreditamos, piamente, que a História não acabou...Há uma esquerda e uma direita no mundo, embora esses contornos não sejam fáceis de estabelecer, até porque os direitistas detestam se autodenominar como tais, o que, na maioria das vezes, não só os enfraquece, como enfraquece a própria Democracia...Explico: É desejável que alguém assuma e defenda as teses da direita, e se coloque como tal...Tegiversações e malabarismos ideológicos não ajudam...

Dito isso, vamos ao debate...

O "udenismo", face mais palpável do conservadorismo brasileiro nos últimos 50 ou 60 anos, tem, como não poderia deixar de ser, suas características domésticas, mas, de certa forma, é reflexo de um movimento conservador mundial, que toma corpo após a 2ª Guerra Mundial, e assume seu lugar na luta contra o avanço da esquerda e dos regimes socialistas...Ou em último caso, contra governos nacionalistas/intervencionistas não-alinhados, como eram o caso de Getúlio(1950-54) Jango(1961-64)...

Esse debate ocupou boa parte dos esforços políticos mundiais, e assim o é até hoje...Por trás dos lados dessa disputa, visões antagônicas de modelos de gestão do sistema capitalista...Nesse espectro quase dicotômico do cenário ocidental, espremiam-se versões mais à direita e mais à esquerda, que se "escondiam" sobre os "guarda-chuvas" ideológicos e institucionais dos estamentos políticos...

Assim tínhamos, aqui no Brasil, por exemplo, um conservadorismo de centro, apegado às Instituições democráticas, a alternância de poder, fiel as regras do jogo, personificado, no passado em figuras como Juscelino, Eduardo Gomes, e mais recentemente, Tancredo, Ulysses, etc...Mais na ponta, os extremistas, como Lacerda, Magalhães Pinto, ACM, que desembocam em figuras atuais de menor estatura, como Arthur Virgílio, Agripino Maia, etc...

No campo do nacionalismo/progressista também haviam expoentes extremados, como Leonel Brizola, na época, mas que não tiveram chance de transferir essa tradição política às gerações vindouras, em virtude do golpe, que precipitou a esquerda ao extermínio no suicídio da luta armada, ou a acomodação dentro das possibilidades que a Redentora permitia...

No resto do mundo, principalmente, nos EEUU, o pensamento conservador experimentou também suas inflexões, ora com mais tolerância, ora com soluções ultra-conservadoras, como foi o período macartista...

Mas aqui reside uma diferença crucial para entendermos boa parte da guinada à direita desses símbolos anteriores da esquerda nacional, como Gabeira, Freire, Jungmann, César Maia, etc, etc...

O grau de amadurecimento das instituições democráticas nos EEUU, e em outros países que gozavam dessa mesma condição, como França, Alemanha, permitiu que essa onda de conservadorismo ultra-radical fosse superado dentro das próprias regras dessas instituições, ou seja: ainda que a caça às bruxas, o comportamento moralista exacerbado, o religiosismo, etc, etc, se manifestassem no cotidiano de suas sociedade, e que, é claro, impregnassem os entes de governo e da própria sociedade, temos a intuição que a mesma noção formalista republicana desses cidadãos permitiu alternância e superação dessa expressão ultra-conservadora na administração pública do Estado...

Mas lá, nesses países, o ciclo se completou, ou seja, a ultra-direita moralista teve seus candidatos, governou o país, as instituições, e foram, ao término dos seus mandatos(lato sensu)deslocadas do poder...

Aqui no Brasil, esse ciclo ficou incompleto...Quer seja, como já mencionamos, pela ausência de instituições democráticas amadurecidas, pela tradição de hipertrofia do modelo presidencialista que atrofiava partidos e os demais poderes, quer seja pela dubiedade ideológica e teórica da direita nacional, que sempre hesitou em assumir suas bandeiras tradicionais...a defesa do seu modelo econômico, excludente, monetarista e patrimonialista sempre foi diluída em teses genéricas, como família, propriedade, etc, etc...Uma espécie de "oportunismo", na medida que por aqui, nunca "pegou bem" se dizer, abertamente, pró-imperialismo...

Enquanto nos EEUU, e Europa, os cidadãos delegavam aos seus representantes a gestão dos tributos, dentro de modelos claros(intervencionistas ou liberais), aqui, a névoa ideológica escondia o fato de que a direita apenas desejava se apropriar dessas riquezas, em benefício próprio e de seus sócios do exterior...

É claro que nem toda essa "guerra" se deu de forma tão simplista com reduzimos aqui com a pobreza de nossos argumentos intuitivos...

Mas não seria incorreto dizer que nosso udenismo era um macartismo macunaímico...Coisa nossa, mas que impediu nosso povo de optar claramente: entre teses de esquerda ou de direita, o que seria(e ainda é) legítimo em qualquer país civilizado...

Bom, onde entram então o Roberto Freire, Gabeira, e por aqui Sérgio Diniz, Andral Tavares, Hamilton Garcia, Cláudio Andrade e outros...?

Primeiro é bom separá-los na origem, para que possamos melhor entender a "fusão" de todos sob o atual neoudenismo nacional...

Situamos Freire na velha tradição comunista,algo entre o eurocomunismo e a social-democracia, que muito embora, sempre tenham sido íntegros frente às suas bandeiras, sempre encontraram dificuldades para implementá-las como práxis política...De um lado, a própria realidade que se impunha, com todas as mazelas do período de exceção brasileira, de outro, as fraquezas filosófico-ideológicas do comunismo "importado"...Assim como os direitistas bebiam em fontes externas e adaptavam seu ideário, com suas mediações e interesses locais, os ícones da esquerda também foram herdeiros dessa tradição intelectual, a saber: o vanguardismo anti-povo...

Se o udenismo era o vanguardismo moralista e elitista, pai da tese de que a democracia seria muito melhor enquanto a maior do povo ficasse alheia a ela, até que "aprendesse" a votar, o comunismo tradicional era o vanguardismo revolucionário que, nesse ponto, tocava seus adversários: também pregavam que só os "iluminados" construíram uma plataforma política que "libertasse" o povo...Apegados a "religião marxista", entendiam que a parte da população que não se encaixava no "modelo economicista da luta de classe", deveria vir a reboque do operariado "conscientizado", dos intelectuais de vanguarda...

Ora, é nessa matriz ideológica que têm em comum, a incapacidade de interlocução com as massas marginalizadas, ou sub-humanos, ou o lumpen-cidadãos, que se unem os neoudenistas...Hoje...

Gabeira é uma versão mais polida desse neoudenismo, e talvez mais recente...Sua experiência na guerrilha, na extrema-esquerda, paradoxalmente lhe confere as credenciais para o discurso neoudenista mais radical, aquele que transita entre a zona sul carioca e a Oscar Freire nos jardins paulistas...

A inflexão desses "ícones da esquerda nacional", ombreando o conservadorismo de direita, como linha auxiliar, nada mais é que a constatação de uma fato: sem as bandeiras da vanguarda esquerdista, que de certa forma foram apropriadas pelo pragmatismo petista-lulista, que se incorporou como fenômeno de massas inconfundível, e pelo menos, até agora, insuperável, sobrou aos ex-esquerdistas a bandeira da ética na política...

Desqualificadora da política e das instituições, porque precisam desmerecer as escolhas populares dentro desses instrumentos representativos, servem como uma "luva" ao discurso privatista das elites financeiras direitistas, que precisam fazer crer que tudo que é público é ruim, pelo motivos óbvios: quanto menos Estado, mais lucro, mesmo que seja em sacrifício do bem estar social...É o Estado sem povo...

É, enfim, a convergência de dois lados que tiveram a mesma gênese ideológica: Imaginar que o povo não sabe escolher...

Aqui em nossa planície, a pérola neoudenista se consagra nos integrantes de uma certa classe média, associada ao poder econômico e a meios tradicionais de mídia...Incapazes de assumirem suas bandeiras conservadoras, na defesa da diminuição do Estado, do patrimonialismo da gestão pública, esses setores buscam na "moralização da política" uma cortina de fumaça que esconda os conflitos de classe que permanecem, e da dúvida crucial: a quem serve o Estado...?

Esse neoudenismo local se beneficia do clima de frustração provocado pela falência dos modelos políticos que tinham "apelo popular", a dinastia da lapa...Aqui, um parêntese: o tema populismo/conservador merece um capítulo à parte, que trataremos em outro post...
Mas de plano, é bom dizer: esse populismo/conservador difere do neoudenismo por um detalhe: ele "valoriza" a apoio popular, mas mantém esse apoio sob controle restrito de seus interesses táticos, onde o direcionamento dos meios da população de influir no debate político são limitados pela vontade do "chefe" do grupo político...

Mas o limite da superação que os neoudenistas propõem ao populismo/conservador é claro...

Não se trata de implantar modelo de administração inclusivo, que resgate grandes parcelas da população marginalizadas, ou ainda, que utilize o Estado com agente indutor de desenvolvimento humano radicalizado...Os neoudenistas querem só retomar os sistema de privilégios que gozavam, sem alterar as estruturas da desigualdade...

O discurso moralista, é por excelência, imoral porque defende uma retidão que é apenas na forma, e não de conteúdo...

Por exemplo: não adianta apenas afastar os vícios de uma licitação que preveja a terceirização da merenda escolar...É preciso afastar a própria idéia de terceirização, que é nefasta aos cofres públicos por sua natureza...

O privilégio de teses privatistas no âmbito da administração pública só restringe a possibilidade de controle do público sobre o que é público...Logo, menos controle, mais corrupção...

Isso é o que os neoudenistas não dizem, e nunca dirão...

24 comentários:

Brand Arenari disse...

Muito bom o texto Xacal! Parabéns! Vamos aguardar o debate.

Anônimo disse...

Frase de outro Roberto Freire, que conscidentemente serve para o pseudo comunista:
"Isso de a gente querer ser exatamente o que a gente é,
ainda vai nos levar além."

Anônimo disse...

Acho péssimo quando ex-militantes de esquerda passam a servir à direita e se esquecem de todas as outras ideias nas quais acreditavam e pelas quais se batiam!!!
Acho que Gabeira e Marina se encaixam nisso também!

Anônimo disse...

Que saudades de Brizola!!!

Xacal disse...

por coincidência, acreditem ou não, a revista Carta Capital traz o mesmo debate na seção Rosa dos Ventos, do Maurício Dias, o nome do texto: o catecismo da conversão...

é de lá o trecho citado pelo comentarista das 15:18...

aguardemos o debate...

Anônimo disse...

SIM... SIM...
Foi de lá mesmo que tirei!
Desculpe, esqueci de citar a fonte!
Anônimo das 15:18

Anônimo disse...

Acho que o anônimo das 15:12, poderia mudar a frase final:
Roberto Freire e cia vão nos levar para o além, isso sim!!!
Se a pretensa esquerda está traindo Lula, o que esperar de Serra, FHC e cia?

Anônimo disse...

Imperdível, leiam, como Dilma ganhará as eleições:
http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/2009_09_01_archive.html

Anônimo disse...

Não consigo enxergar decência no sr. Roberto Freire que vai pra tv falar que Lula vai mexer na poupança dos mais pobres, quando se sabe que nenhum pobre tem mais de 50.000 mil na poupança!!!!!!!!!!!
Dilma 2010

Anônimo disse...

Já não se fazem comunistas como antigamente!!!

Anônimo disse...

Roberto Freire, ex-PCB, se aliou aos nomes da "Direita" brasileira e se tornou um dos principais articuladores do golpe ao Governo Lula! E depois quer falar em decência!!

Anônimo disse...

Realmente falar que pobre tem mais de 50.000,oo na poupança é coisa de
golpista, Roberto Freire perdeu completamente a idoniedade moral, se aliar a Serra também o desacreditou completamente!!

Claudio Kezen disse...

Engraçado...

Roberto Freire se aliar à Marina não pooooode...

Lula se aliar à Roberto Jefferson (et caterva) pooooode...

Thiago Viana disse...

Felizmente, como político, o Roberto Freire já faz parte do lixo da história, mesmo caminho que deverá tomar o Sr. Gabeira. Já a Marina, esperarei o próximo pleito para ver como ela se comportará!

Claudio Kezen disse...

Caro Xacal,

Com desculpa da má palavra, mas seu discurso neste post e na maioria dos últimos relacionados à política no âmbito federal tem sido manipulador, simplista e tangencia o reacionarismo esquerdista.

Desqualificar toda e qualquer oposição ao governo do nosso barbudinho simpático, adjetivando-os ao seu bel-prazer é, no mínimo, uma postura eptelial.

Existem vários graus, matizes, interesses, e pontos de vista que levam as pessoas, como eu por exemplo, a acreditar que o nosso Lulalá é a síntese do neo-udenismo populista, travestido de pai dos pobres (se for barbudinho a verossimilhança paternal é mais evidente).

Vc sabe que quadros que fundaram, no famoso Manifesto do Colégio Sion (tradicional colégio da classe média paulistana - ultra udenista), fomataram e consolidaram o PT, principalmente no campo intelectual e ideológico, abandonaram a nau governista já durante a campanha Lulinha paz-e-amor, ao perceberem a ingerência do Zé Dirceu, Gilberto, Silvinho e seus aloprados nos rumos adotados pelo Luís Inácio na sua conduta política e pessoal. Só para ficar em alguns nomes, vale lembrarmos de Boff, Singer, etc...

Isso não faz destes nomes que preferiram não compactuar com o, repito, errático Lulalá, neo-udenistas ou coisa que o valha.

Como vc mesmo afirma, é muito difícil estabelecer contornos ideológicos nas esquerdas ou direitas a ponto de nos depararmos com a surpreendente confissão do nosso líder: Delfim Netto é hoje em dia um dos seus melhores amigos.

Xacal disse...

Cláudio, com todo respeito que tenho a você,

não me parece correto iniciar uma contra-argumentação recorrendo a rótulos...

eu tenho os meus relativos a sua carência teórica, mas nem por isso os exponho por respeito ao interlocutor, portanto, no seu caso, e em relação aos que merecem o meu respeito, aqui, não recorrerei a esse recurso para travar qualquer debate contigo...

veja, eu não sou dono da verdade e meus argumentos não tem o condão de transformar a realidade, assim, me parece injusto me cobrar pelos conceitos que publico aqui, para além do que eles são, OPINIÕES...

mas veja, que mesmo assim, não me furto a tentar aproximar essas opiniões dos fatos:

o governo realizou a maior transferência de renda da História desse país(em 500 anos)...

debelou a maior crise econômica desde 1929...

reconstruiu a Petrobrás...parou as privatizações, recuperou as carreiras de Estado, dentre elas a própria PF, reponsável pelas investigações que atingem nomes do próprio governo...

ainda assim, minha análise vai justamente no sentido contrário, e você, talvez, no afã de replicar para demarcar suas convicções(aliás, legítimas)esquece de interpretá-las: falei e repito: a nossa democracia e o governo carecem de uma oposição digna desse nome, que se assuma como direita, e que contraponha as teses que o atual governo sustenta...

a sua pontuação das alianças não resiste a um exame mais sério: com que alianças o governo atuaria...? e mais, não foi essa exigência da sociedade brasileira(o amansamento do PT)para que essa mesma sociedade sufragasse a vitória do Lula nas urnas...?

mas afinal o que você querem, o PT radical, ou o PT pragamático...?

se o PT estivesse estatizando os bancos, as empresas, fazendo a reforma agrária na marra, promovendo uma caça às bruxas moralizante, com um Estado policial, qual seria sua opinião...?

vamos lá mostre alguma proposição séria da oposição que vá além da denúncia moralista...defenda algum pressuposto de política pública, de governo ou de Estado para esse debate...

onde a oposição faria ou fez melhor que esse governo...?

qual índice econômico, social é pior agora do que já foi antes...

é claro, isso não exime o governo de seus deslizes éticos, e isso já foi dito aqui a exasutão...

mas eu pergunto: e o zequinha sarney, do PV da marina...o que fazer com ele...?

e a trupe do césar maia a qual o pv do gabeira se alia, o que significa isso...?

a grande diferença, nisso tudo, é que o governo fez as alianças necessárias, mas manteve sua agenda...com todos os desgastes que isso traz...

no caso dos neoudenistas, eles já se diluíram na direita há muito tempo, e já não é possível diferenciá-los...

meu caro, a partcipação nesse debate, e a manutenção do respeito que tenho por ti implica em evitar rótulos como "manipulação", "reacionarismo", etc...

não se trata de exacerbar os exageros e falta de argumentos praticados por alguns descerebrados que habitam a blogosfera...creio não se tratar do seu caso...

não vote no Lula, faça oposição...ótimo...mas á além do senso comum...capital intelectual você tem para isso...pelo menos eu acho...

um abraço...

PS: se julga esse blog manipulador, ou coisa do gênero, leia menos ou não leia...

Anônimo disse...

Sabe Xacal, o Cláudio Kezen e a maioria ou melhor a minoria que faz oposição ao governo Lula, não tem e não terão nunca argumentos contra todos esses dados tão relevantes pra economia do país!

Anônimo disse...

Leia o texto do Veríssimo
"Uma comprida palavra em alemão (há uma comprida palavra em alemão para tudo) descreve a guerra de mentira que começou com os primeiros avanços da Alemanha nazista sobre seus vizinhos. A pouca resistência aos ataques e o entendimento com Hitler buscado pela diplomacia européia mesmo quando os tanques já rolavam se explicam pelo temor comum ao comunismo.
A ameaça maior vinha do Leste, dos bolcheviques, e da subversão interna. Só o fascismo em marcha poderia enfrentá-la. Assim, muita gente boa escolheu Hitler como o mal menor. Ou, comparado a Stalin, o mau menor. Era notório o entusiasmo pelo nazismo em setores da aristocracia inglesa, por exemplo, e dizem até que o rei Edward VIII foi obrigado a renunciar não só pelo seu amor a uma plebéia, mas pela sua simpatia à suástica. Não tardou para Hitler desiludir seus apologistas e a guerra falsa se transformar em guerra mesmo, todos contra o fascismo.
Mas, por algum tempo, os nazistas tiveram seu coro de admiradores bem-intencionados na Europa e no resto do mundo ? inclusive no Brasil do Estado Novo. Mais tarde estes veriam, em retrospecto, do que exatamente tinham sido cúmplices sem saber. Na hora, aderir ao coro parecia a coisa certa.
Comunistas aqui e no resto do mundo tiveram experiência parecida: apegarem-se sem fazer perguntas ao seu ideal, que, em muitos casos, nascera da oposição ao fascismo, mesmo já sabendo que o ideal estava sendo desvirtuado pela experiência soviética, foi uma opção pela cumplicidade.
Fosse por sentimentalismo, ingenuidade ou convicção, quem continuou fiel à ortodoxia comunista foi cúmplice dos crimes do stalinismo. A coisa certa teria sido pular fora do coro, inclusive para preservar o ideal.
Se estes dois exemplos ensinam alguma coisa é isto: antes de participar de um coro, veja quem estará do seu lado. No Brasil do Lula, é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita mutreta a ser explicada e muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros.
Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.
Enfim: antes de entrar num coro, olhe em volta."

Anônimo disse...

Xacal posta e nós seus leitores concordamos ou não...
Onde está a manipulação?
Sr. Claudio Kezen contra fatos, não há argumentos!
Lula está sendo um ótimo presidente!

Anônimo disse...

Não há político melhor que o Lula, quero dizer que não há no Brasil. Não, não há!

Anônimo disse...

Os argumentos do Sr. Claudio Kezen, bem como as explicações do Xacal, me parecem aceitáveis e naturais, eis que defendem os seus pontos de vista.
Agora, argumentos "chulos" como outros publicados aqui,sãom também na minha opinião plenamente dispensáveis por não levarem a nada, nem mesmo à necessária reflexão por total falta de conteúdo.
Apesar da contundência de Xacal, em algumas vezes, maioria, é verdade, são todas elas embasadas em fatos e expressões de convicções que, certas ou erradas, não podem ser desprezadas, por quem, principalmente, prima pela reflexão.

Claudio Kezen disse...

Ao anônimo 22:34:

Ao contrário do que vc afirma, eu não faço "oposição" ao Lula, até porque não me considero tucano, demo, emo, e não sou "situação" no sentido de apoiar qualquer outro grupo ou partido político.

Não uso meus parcos e limitados argumentos críticos ao nosso Lulalá por uma questão de oposição, mas pela crítica per se.

Reconheço, e por isso não respondo à muitos dos argumentos do Xacal, Roberto Torres e outros blogueiros aos quais eu aprendi a respeitar, a coerência das suas idéias, mesmo quando elas não se coadunam com as minhas.

Por favor, não confunda olhar crítico com oposição.

Aproveito para reafirmar a importância do debate de idéias como uma prática democrática fundamental e de suma importância e acima de tudo, inclusive das minhas opiniões.

Também aproveito para elogiar o Xacal pelo novo rumo editorial que ele resolveu adotar no blog, não que o anterior me desagradasse, mas pelo entusiasmo e prazer pessoal (no bom sentido), que esta nova fase possa proporcionar ao canino errante da planície lamacenta.

Quem sabe, essa nova linha não signifique a permanência do blog por mais algum tempo no ar.

Vamos torcer...

Roberto Torres disse...

Xacal, ótimo debate. Muito boa a análise sobre o papel do moralismo para suprir uma falta intelectual e programática, que durante algum tempo o PT até adotou em demasia, a meu ver. Acho que o PT ate ficou melhor depois que aprendeu a relativizar a ética na politica... Fico pensando o seguinte sobre essa atrofia intelectual-moral de nossa oposicao. O fenomeno Lula é indecifrável, em termos coletivos, para a direita. Admiti-lo seria reconhecer e dar um teor muito maior a própria inanicao. Lula conseguiu (Brizola tentou a vida toda isso) trazer o povo para a cena. O seu pragmatismo nao é limitacao programática, mas visao responsável de quem sabe que idéias so tem sentido em conexao com a prática, com a vida. O arbabouco intelectual que Lula tira disso é algo gigantesco, amedronta a direita.

Nosso udenismo é fruto da acefalia política (em termos nacionais), o que para eles é mais virtude do que defeito. So que na medida em que Lula rompe esta acefalia, cria um monstro indecifrável pela direita.

Xacal disse...

é verdade, eu tinha pensado em falar sobre esse neoudenismo petista de forma separada, até para tratar de alguns assuntos locais...

fica para amanhã, senão falta assunto...rsrsrs