terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sem memória, sem história...

Preocupados em lutar um guerra assimétrica e inglória, os jornalões da cidade de Campos dos G., perdem oportunidade atrás da outra, em explorar temas que poderiam aprofundar o conhecimento dos leitores, despregados da temporalidade e da necessidade do exclusivismo descartável...Propor debates, abrir perspectivas, enfim, ir além da futrica cotidiana a qual está resumida o pobre jornalismo dessa pobre cidade rica...

Passados 70 anos, hoje, do principal conflito armado do século XX, onde morreram mais de 30 milhões de pessoas, e que dos escombros da Europa e Ásia, foi redesenhado o mundo, não há nas páginas eletrônicas dos jornais locais nenhuma alusão, por menor que seja a esse evento épico...

Em primeiro de setembro de 1939, apoiado em uma nova e surpreendente tática de guerra, a blitzkrieg, que consistia na combinação de maciços ataques aéreos da Luftwaffe, com o rápido deslocamento terrestre das panzer divisionen, Adolph Hitler invadiu a Polônia, e deu início ao conflito, que nessa altura, todo o mundo sabia ser inevitável, menos o chanceler inglês Chamberlain...

O resto já sabemos, e embora a História geralmente registre a versão dos vitoriosos, que lhes doura as iniqüidades e feitos atrozes com heroísmo, ficou o registro de que as crises sistêmicas capitalistas detêm um poder destrutivo inigualável, e imprevisível...

Uma boa série jornalística poderia ajudar aos leitores(eu sei, são poucos, pois ninguém mais confia no que lê) a entender o momento atual que vivemos, a partir de uma leitura do passado...

Após a crise de 1929, acirrou-se o processo de deslocamento do eixo central de hegemonia capitalista, em outras palavras, mesmo com a quebra da bolsa de Nova York, havia um movimento irreversível de esvaziamento da Europa(nesse caso, a Inglaterra)como locomotiva do mundo, em favor dos EEUU...Na verdade, a crise que se originou em solo estadunidense e se espraiou por todo mundo só confirmava onde estava o coração do capitalismo a partir daquele momento...
Esse movimento gerou uma reação do continente europeu, nesse caso, localizada na Alemanha, que enxergou no enfraquecimento de Inglaterra e França, a oportunidade de se constituir um um nova força mundial, capaz de enfrentar a expansão comunista, e de outro, rivalizar em importância com os EEUU, que sequer eram vistos como "inimigos" prioritários...

Hoje, há um novo descolcamento dos eixos de poder no mundo capitalista...A relevância do PIB mundial capitalista se move em direção ao Sul(América Latina), e a Ásia(China, Rússia, Índia)...Com esses movimentos, reacendem-se ódios regionais, rivalidades históricas, e, por fim, sonhos expansionistas, que ficaram represados pela antiga ordem mundial, que parece se desintegrar...É lógico que as potências que hegemonizavam nessa antiga ordem tenderão a reagir(violentamente, se for preciso)para manterem seus status intactos...

O desequilíbrio dos vetores geopolíticos mundiais e regionais, ao contrário de equilíbrios bi e multilaterais, como na época da Guerra Fria, é que possibilitam conflitos de larga escala...

A lembrança de 1939 é poderosa em exemplos...

Mas ao que parece, falta capacidade e vontade de aprender, pesquisar e descobrir...Nosso jornalismo local é incapaz de formular um texto sobre algo que vá além da mesquinha disputa de poder local...

São uns idiotas...

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