terça-feira, 22 de setembro de 2009

Zelaya: o retorno...

Se arrasta por meses a crise hondurenha, e tudo parece longe de uma solução negociada...O presidente eleito, constitucionalmente, decidiu "esticar a corda", e como sabemos, desembarcou em Honduras, e refugiou-se na Embaixada Brasileira, em Tegucigalpa...

É fácil ceder a tentação simplista e decretar: Bom, como Honduras não tem petróleo, os EEUU ainda não invadiram o pequeno país, e aos pontapés, expulsaram o golpista Roberto Micheletti...

Com certeza, nos últimos anos, a política externa estadunidense manteve-se fiel a defesa, inclusive e principalmente, pelos meios bélicos, dos seus interesses energéticos e geopolíticos...
Mas com a mudança de ares na Casa Branca, embora as ocupações de Iraque e Afeganistão continuem e fabricar milhares de civis mortos e mutilados, e o compadrio com Israel ainda dê "carta branca" aos sionistas para violarem toda a sorte de direitos do povo palestino, sob a cumplicidade obsequiosa internacional, é verdade que Obama quer evitar a todo custo novas intervenções...

A América Latina não é um território de boas lembranças para as administrações yankees, que até bem pouco tempo, patrocinaram regimes de exceção, sedentos por sangue...

Nesse momento delicado, onde os EEUU procuram reafirmar sua hegemonia na região, com o apoio incondicional da Colômbia, não parece sensato reivindicar a liderança de uma intervenção em Honduras...Como já dissemos aqui, esse precedente deve ser evitado até o último esforço de negociação...Não seria prudente para o equilíbrio regional latinoamericano uma "arbitragem militar" dos EEUU...

No jogo político, e nos seus reflexos em diplomacia, nada é muito o que parece...Vejam que Manuel Zelaya foi deposto em seu país por motivos semelhantes ao que levaram o parlamento colombiano a sancionar um terceiro mandato para Álvaro Uribe...A grande imprensa tentou "colar", bem no início da crise, a imagem de "déspota" em Zelaya, apenas porque esse queria uma consulta popular para aventar a possibilidade de nova reeleição, como previsto pela Constituição hondurenha...Mas essa mesma imprensa aplaude efusivamente Uribe, o rambo amazônico...Essa mesma imprensa que acusa Hugo Chávez de se imiscuir em assuntos da sobernaia de outros países vizinhos, mas silencia frente a invasão da Colômbia em solo equatoriano...

Diante da vacilação regional, no início da crise hondurenha, podemos dizer que o golpista Micheletti ganhou musculatura e sedimentou-se em uma posição de fazer exigências para ser apeado da sua posição ilegítma...

Podemos, enfim, dizer que o presidente Lula e o ministro Celso Amorim têm um tremendo "abacaxi" nas mãos para "descascar"...Isso é óbvio...Mas a habilidade em fazê-lo determinará nossa vocação de assumir as responsabilidades inerentes a condição de liderança que pretendemos reclamar para nosso país...

Um comentário:

George Gomes Coutinho disse...

Muito arriscada a entrada de Zelaya na embaixada...

Um governo golpista que deu as costas para as regras do jogo respeitará convenções diplomáticas?

Temerária demais a decisão. Acho que teremos aí um cenário trágico. Espero mesmo estar errado.