quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Dados para o debate...

Em tempos onde não se pode ter certeza da informação com a qual o PIG assedia a sociedade brasileira, aqui vai um pouco dos resultados da aferição do Censo Agropecuário 2006, último levantamento estatístico do IBGE, que traça uma radiografia do campo, e de quebra, quebra alguns mitos, tão caros ao PIG, e seus acólitos:

Mito nº 1: As grandes propriedade geram empregos...
Fato: pequenas propriedades geram 84,36% dos empregos no campo...

Mito nº2: A pequena propriedade tem baixos níveis de produtividade...
Fato: Pequenas propriedades respondem por 87% da produção de mandioca, 70% do feijão, 46% do milho , 38% do café, 58% do leite, 59% do plantel de suínos e 50% das aves, embora ocupem uma porção infinitamente menor de terras: representam 84, 4% das propriedade e ocupam apenas 24,3% das terras, enquanto as 15,6% de propriedades ocupam 75,7% das terras...

É em cima desses números que devemos nos debruçar para discutirmos a estrutura fundiária brasileira, e a perspectiva que ela oferece para o sucesso de nossa agropecuária...

O problema, suspeitamos, não é a produtividade do pequeno, mas o fato de que o que ele produz tenha pouco valor, e esteja mais sujeito as intempéries do clima, e alheio às inovações tecnológicas que as comoditties, voltadas para o mercado exportador...
Se é verdade que não devemos abrir mão dos saldos positivos desses produtos, em nossa balança de comércio exterior, é preciso lembrar que não sobrevivemos à base de soja e suco de laranja...

Portanto, resta ao governo encontrar o equilíbrio entre as duas modalidades de agronegócio: o grande e o pequeno...

Mas uma premissá é inadiável: reeestruturar a divisão de terras nesse país, sem a qual, fracassarão os esforços de integrar nosso sistema produtivo para atender todas as demandas da sociedade, e não só de alguns grandes grupos privados...

Em qualquer outro país do mundo, onde vigorassem tais números de concentração de terra e renda, os conflitos de terra seriam muitísssimos mais violentos...

8 comentários:

Maycon Bezerra de Almeida disse...

Bom texto Xacal, todo apoio a elevação do índice de produtividade e por uma maior incisividade na política de reforma agrária (terra, crédito e assistência técnica ao pequeno produtor).

Anônimo disse...

Aliás, em tudo que a Rede Globo, Jornal O Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Revista Veja, etc, etc publicam sobre o MST tem mentira.
Quem quiser saber a verdade dos fatos vá a esse endereço: http://www.mst.org.br/node/8299, lá descobriremos que a empresa que se diz dona da terra, onde planta laranja, não é dona coisa nenhuma, apenas grilou e plantou laranja. Lá será possível saber que o MST destruiu 2 hectares de laranjais para plantar feijão, e não 7000 pés, que a imprensa alardeia e mostra a imagem de todo laranjal intacto, com o trator passando em cima de uma filaeira. Por que a imprensa não mostra o laranjal destruído? Simplesmente porque o laranjal não foi destruído.
Não quero dizer que o MST é sempre inocente, é claro que existem vários grileiros infiltrados, apenas querendo terra para vender. Mas no MST não tem mais pessoas desonestas do que no nosso legislativo, por exemplo. A diferença é os ladrões infiltrados no MST não usam paletó e gravata e os do PIG e do Legislativo detestam a concorrência.
Nascimento Jr
nascimento.jr@bol.com.br

Anônimo disse...

Essa história de aumentar produtividade é de uma idiotice só..nem mesmo o ministro é a favor, porque envolve bem mais do que uma simples conta.

Ex. simples: Quando o mercado vai mal, o agricultor tem que produzir menos, senao toma prejuizo. Isso é lógico é a ordem natural das coisas. Mas não, querem aumentar a produtividade, ou seja, agora, o agricultor terá que pegar emprestimo, e produzir tudo ao maximo, mesmo que isto signifique ter que jogar fora, pois o mercado não vai absorver.

Sabe qual vai ser o resultado disso: falencia no campo. Mas apenas dos pequenos produtores, mesmo os mais competentes, porque as empresas, o agronegocio vai conseguir se adaptar.

Maycon Bezerra de Almeida disse...

Idiotice, ou má-fé, é sustentar um índice de produtividade agrícola de 1975, completamente defasado em relação à técnica agrícola moderna utilizada no país hoje em dia. No Brasil, a propriedade privada está submetida ao preceito da função social, meu caro, isto foi resultado de muita luta dos movimentos populares progressistas no contexto da constituinte. Aqui, ao menos na letra da lei, o interesse público está acima do privado, não adianta espernear, xingar e ofender.

Xacal disse...

Caro Maycon,

veja que a falta de argumentos produz desespero, e desepero, resulta em péssimos modos...

concordo contigo: os índices de produtividade atuais, que desprezam o avanço da tecnologia(só um dado do mesmo censo agropecuário: houve acréscimo de 88% da produtividade da soja, embora as área não tenha crescido na mesma proporção, resultado de insumos agrícolas e melhoramento genético), e favorecem cálculos que preservam a estrutura fundiária desigual no país...

o comentarista, de propósito, confunde mercado(demanda e oferta) com índices de produtividade...
uma coisa é redefinir os índices e parâmetros de terra produtiva e improdutiva no Brasil, outra coisa é política de regulação de preços e mercado...

Ora, nessa sentido, cada setor deve procurar "securitizar" suas comoditties de acordo com as possibilidade do mercado...É claro, que em alguns casos até podemos aceitar a subvenção ou auxílio público para regular essas distorções, inclusive as de natureza cambiais, provocadas pela política macroeconômica...mas sempre dentro da razoabilidade, e de definição de prioridade: ajuda para quem mais precisa, ou seja, dos mais pobres para os mais ricos, e não ao contrário, como sempre acontece por aqui...

nesse debate, os sem-argumentos buscam misturar todos os temas, como se buscassem reforçar o caldo de cultura preconceituosa que foi construído em torno da questão da terra no Brasil, que nos remete ao século XVI e as capitanias hereditárias...

um abraço, Maycon

Xacal disse...

PS: se esquecem os sem-argumento, que os índices de produtividade são um conjunto de parâmetros, escalonados em um tempo(período de avaliação)que buscam adequar a realidade do campo aos novos "ganho" de produtividade do país...

o problema é que eles não escolhem um argumento, ou pior, usam o que melhor lhe convêm: clamam aos quatro ventos que são o esteio produtivo do Brasil, mas não querem que essa "realidade" seja colocada como parâmetro para delimitar os "improdutivos"...será por que...?

Anônimo disse...

Numeros de verdade, sem a visão romantica e nebulosa apresentada como verdades absolutas.

1- O agronegócio hoje representa quase 30% do PIB; quase 40% das exportações nacionais

2- Uma simples comparação entre a produtividade média das nossas melhores fazendas e assentamentos é até maldade, mas uma comparação entre a média nacional é possivel, ex.: Prod. de café, média nacional 1,08hec/ano, contra 0,25 assentamentos.

3-A maior parte dos assentamentos hoje existentes vivem dos programas assistenciais do governo

4- Em 94 o numero de famílias assentadas era de menos de 4mil, hoje alcançou quase 250mil. Ótimo sinal, certo?? Errado, a produtividade média diminui mais de 60%. Se fossemos contar com esta produtividade, a nossa cesta básica seria mais cara. Cesta básica cara = mais fome. Legal né?

Enfim, revisão de indices de produtividade, ok, desde que levem em conta os custos economicos variáveis, como custo de emprestimos, e cotação de safras.

Xacal disse...

Caro comentarista:

primeiro, aqui não cabe, nesse debate, desconhecer o interesse político que está por trás de cada argumento, ou seja: o nosso, de avançar com a melhor distribuição da terra e da renda no campo, e quem sabe, acabar com os conflitos seculares, que, pasmem: só matam pobres, enquanto os mandantes continuam soltos(e depois ainda criminalizam o mst)...bom, o seu, ficou claro é defender o latifúndio...

bom, dito isso, não restam mais "nebulosidades"...
vamos ao debate:

1.tomemos o seu número como confiáveis, embora você não tivesse o cuidado de citar um fonte, como fizemos...
2.os dados de produtividade estão confusos: 1,08hec/ano de quê contra 0,25hec/ano de quê...? bom, ainda assim, seus números nada mais dizem que confirmar o que dissemos:
embora 58% do café produzido esteja a cargo da agricultura familiar/assentamentos(pequenas propriedade)sua produtividade é menor, devido a falta de financiamento, inovação tecnológia e outras facilidades, que os "grandes" sempre arranacarm de governos: a custa de muita ideologia e chantagem de bancadas ruralistas...

veja que sua defesa de um postulado ideológico(o latifúndio como fim em si mesmo)é tão arraigada, que esquece de ler o texto...em nenhum momento desprezei a utilidade e a capacidade do agrobusiness...ao contrário, defendo um política agrícola que equilibre o grande, o mpedio e o pequeno negócio agrário, com recursos e oportunidades para todos, pois lembre-se: o dinheiro do Estado é para quem MAIS precisa dele, e não para quem acha que MERECE mais...

bom, qualquer agricultor sabe que a agricultura familiar e o agrobusiness não são comparáveis...tratam-se de vocações diferentes, com estrutura produtiva diferente enquanto no agrobusiness prevalece a especialização(monocultura), no pequeno negócio, as lavouras são consorciadas e múltiplas, o que prejudica a definição de parâmetros de produtividade rígidos...

se é verdade que a maior parte dos assentamentos ainda vive de "ajuda" do governo(embora você não apresente números), eu posso afirmar:
o latifúndio sempre viveu pendurado em dinheiro público(subsídios, empréstimos a fundo perdido em bancos oficiais, isenções fiscais para exportação)...aí eu pergunto, dinheiro é dinheiro, e só porque é para lavrador pobre é que subsídio muda de nome e vira "assistencialismo"...?

enfim, ainda que o número de assentados que você apresenta, com a progressão, estejam corretos, vale lembrar, que a divisão de terra não cresceu nessa proporção, pois veja os DADOS do censo agropecuário:

o índice de concentração fundiária piorou, ou seja, passou de 0.856 para 0.872, onde propriedades com mais de mil hectares ocupam 43% da área total, ante os 2.7% da área ocupada pelas menores(>10hectares), embora representem 47%das propriedades...

logo, o raciocínio é quase automático, e sei que você vai conseguir acompanhar:

mais gente espremida em porções de terras que permanecem quase iguais, ou seja, se dividir o número da produção, pelo aumento das famílias assentadas, sem a expansão das terras, verás, é lógico, um brutal decréscimo da produção...

bom, a despeito de todos os outros números, de produtividade, voltemos a tocar em outro aspecto: a função SOCIAL da propriedade, goste você ou não...é lei, é constitucional...

portanto, ao assentar gente na terra, ainda que a produtividade esteja, pelo menos, no inpicio, sacrificada, o governo está revertendo o quadro sistêmico de êxodo, inchaço das cidades, e desemprego, dentre outras coisas...

um abraço, e obrigado pelo debate...