quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Os camelôs de hoje...

Depois de uma rápida ronda virtual, encontrei no blog Urgente e do Roberto Moraes algumas considerações breves, porém "encorpadas", acerca da importância da blogosfera em nossa cidade...
Acho que essa discussão já está superada...
Ninguém mais questiona a relevância dos serviços prestados pelos blogueiros dessa cidade, uns mais outros menos, ressaltando que aqui não hirearquizamos o conteúdo, com a classificação blog melhor ou pior...É uma referência ao desprendimento pessoal de cada um, ao dedicar seu tempo a essa excruciante tarefa...

Mesmo os blogs de coleira, aqueles que funcionam como correia de transmissão do poder econômico, e de grupos de mídia, têm o papel de oferecer o contraponto, e aqui, mais uma "qualidade"(aqui entendida lato sensu, ou seja como uma diferença) da blogosfera: devido a sua natureza, fica impossível esconder esses interesses, e portanto, os leitores entram em cada blog e sabem o que encontrarão...

Portanto, os blogs, como ferramentas de comunicação transparecem os interesses de seus donos, assim como os meios tradicionais, mas nos blogs, não dá para fingir "imparcialidade"...

Assim, os blogs de coleira, embora estejam espremidos em dois ou três exemplares, permitem também uma interlocução, ainda que indireta, ainda que truncada...

Um fenômeno interessante tem ocorrido na blogosfera goitacá(embora seja um erro particularizar esse fenômeno globalizante, é impossível não enxergar a segmentação do discurso com temas "bairristas")...

Ainda não identifiquei as causas, mas tenho palpites...

Ocorre uma "centralização" de audiência em alguns blogs, e isso pode ser percebido(ainda que de forma precária)nos contadores de acesso, e na participação de comentaristas...
Talvez, diante da "saturação" de discussões acerca do lamaçal da política local, a sobreposição de estilos e propostas, estejam os leitores estabelecendo suas "preferências"...

Aqui, um parêntese: não consideremos aqui os blogs vinculados a um determinado jornal local, que embora tenham "forma" de blogs, não passem de apêndices da pauta do jornal e, na maioria das vezes, como mero replicadores(eco)dos assuntos veiculados nos outros meios do grupo...O leitor identificou essa tendência, e mesmo que acesse esses espaços, não confere aos mesmos o vigor da participação e da interação, característica fundamental a essa modalidade de comunicação social, ou seja: o debate...

Nesses espaços, reféns dos interesses do partido da imprensa golpista, seção local, os funcionários e outros "sócios-contribuintes", apenas fazem o papel de "boneco de ventríloquo"...E aumentam essa percepção da "distorção" pelos internautas...
Há casos sui generis, que se tornam corpos estranhos...
Certas figuras estão ali, como a vereadora Odisséia, em total desalinho com o que defende, ou pelo menos deveria defender...O ainda blogs com pseudôminos(que eles chamam de "anônimos)em um local que se diz intolerante com essa modalidade de comentário/participante...

Voltemos, então, aos blogs "de verdade"...Ou como naquele errôneo conceito mercadológico de classificação de bens culturais: os blogs "de raiz"...

Uma resenha interessante da Carta Capital dessa semana, traz em sua página 106(em diante), uma abordagem que me chamou a atenção...Trata-se do livro: O Camelô...Um pouco do texto:

"O animado cordel da belle époque"
Pesquisa mostra como os camelôs controlaram a opinião pública francesa durante o século XIX"...
Por Elias Thomé Saliba...

"(...)O camelô foi a principal figura desta ebulição cultural.Herdeiro de mascate das feiras medievais, do comerciante de banca do Antigo Regime, do vendedor de artigos de ocasião e dos pregoeiros de pasquins do início do século XIX, ele ganha notoriedade durante a democratização republicana, de refluxo na repressão nas ruas e, sobretudo, da rápida popularização da imprensa.(...)
os camelôs ressurgem como mediadores entre os que tentam influenciar a opinião pública e a grande massa da população. Reconhecidos pela aparência e mesmo pela bagagem que carregam - caixa, cesta de vime, fardo ou carriola para os mais afortunados -, transformam-se em mercadores de conhecimento. Mollier calcula existência de 150 mil camelôs em atividade na França durante a belle époque. Mediadores entre o mundo da oralidade, que morria, e do impresso, então triunfante, eles preencheram muitas funções disputadas pelo Estado republicano e civilizador(...)"

Embora as analogias sejam prejudicadas(SEMPRE), impossível não associar com os blogs, e o momento de ruptura entre o mundo impresso, que morre, com a transição para a realidade virtual, que mescla uma texto e interação, em uma nova "quase-oralidade"...
Aqui, novamente a questão dos interesses, quer dizer:quem deseja manipular e deter o monopólio da informação, como bem inestimável e imprescindível para o "controle social", e enfim, a "democratização" dos processos de comunicação, que amplia a possibilidade de derrubar o estamento anterior, para quem sabe, ressurgir em novas formas de controle...

O texto da resenha é longo, não cabe aqui...E não li o livro para escapar a mediação do autor dessa resenha....Mas prometo fazê-lo, para quem sabe, possamos retornar a esse debate...

E para que pensemos: será que esse movimento de censura é a tentativa de caçar e cassar os camelôs de hoje...?



3 comentários:

Cabrundo do Chuvisco disse...

Caro Xacal,

análise perfeita!!!

E você com esse devaneio de encerrar suas atividade...

até breve

Anônimo disse...

Caro Xacal
Os camelôs tem por característica escolher produtos de fácil aceitação e rápida comercialização além de terem grande capacidade de convencimento com os clientes. É por isso que esses "jornaleco$" metido$ a formadore$ de opiniõe$ tem medo dos Blog's que estão obrigrando a imprensa (digo Folha) partir para a concorrência usando de um produto que há muito eles não sabem o que é:
A VERDADE, e sem receber nada por ela.
Que venham então os camelôs!!!

Marcos Valerio disse...

Gostei muito de sua postagem Xacal, embora esteja comentando atrasado, pois o tempo anda muito curto. Dê uma passadinha no www.super-energia.blogspot.com também postei algumas linhas sobre o assunto.
Abraços!