terça-feira, 27 de outubro de 2009

Nosso 11 de setembro...???

Dias atrás, o secretário de segurança do Estado do Rio de Janeiro, em meio ao bombardeio da mídia, acuado pela série de eventos catastróficos que pontuam o fracasso da política pública implementada em sua gestão, produziu, em um dos meios de comunicação, uma pérola como essa: "eu queria que a queda(do helicóptero)fosse percebida pela nossa sociedade como o 11 de setembro foi para os americanos"...

Sabemos o quanto é difícil falar em momento como esse...e ainda, o quanto uma frase fora de contexto pode causar estragos...Enfim, a prudência é a melhor conselheira, e autoridades, que atuam em áreas tão sensíveis, deveriam evitar o açodamento de frases de efeito...

O que se produz assim, para a compreensão geral, é um resumo "perigoso", que tende a simplificar a questão...

Por outro lado, não podemos desconsiderar por completo o sentido dessas frases, uma vez que a competência de um gestor é, majoritariamente, forjada em momentos de crise...Sua reação a essas situações extremas é que construirá a confiança da sociedade para tempos ditos, "de paz"...

Nesse sentido, aqui, nada mais revelador que a frase do secretário...

A construção de um consenso baseado no pânico é o que se deu nos EEUU, no pós-11 de setembro...Os efeitos para os estadunidenses e para o mundo conhecemos, e sentimos até hoje...
Esse "acordo" pela "eliminação do mal", confere aos governantes um duplo salvo-conduto, que atinge duplo objetivo:
1.mascarar a assunção de responsabilidade desses governantes pelos erros cometidos, e pelos efeitos desses erros, ou seja, na queda das torre gêmeas, o pavor contra o terrorismo levou os estadunidenses a "esquecerem" as causas daquela escalada de violência, que tinha suas raízes na opressão sistemática provocada pelas políticas externas dos EEUU nso anos anteriores...
2.conferir a esses governantes, a partir desse esquecimento, uma "carta branca" para atacar os agressores, com a supressão de todas as liberdades individuais, e com a disseminação de conceitos rasos, preconceituosos, que fragmentam ainda mais o frágil tecido social, e sua própria capacidade de superar seus traumas...

Assim, cinicamente, os governantes de Washignton, à época, apareceram com "consternada surpresa" frente a população, como se desconhecessem que essa possibilidade era plausível pelo histórico de ataques anteriores, e pelo deteriorar permanente da situação na qual estavam envolvidos...Não se trata aqui de corroborar teses conspiratórias, mas qualquer um é capaz de entender que a política externa estadunidense foi a principal causa dos ataques de 11 de setembro...

Aqui, em nosso Estado, nossos governantes, também consternados, e fingindo surpresa, vociveram contra os galhos e as folhas, mas esquecem a raiz do problema...No revés de sua política suicida, respondem com "mais força", ou seja, ao invés de perguntarmos que política de segurança é essa que tem a "necessidade" de vôos de helicópteros em cima de favelas, perguntamos por que as aeronaves não tinham blindagem necessária...Perguntamos de quem são os projetis de fuzis que atingem todos os lados(moradores, policiais, supostos traficantes, etc), sem ao menos nos assustarmos com o fato de que fuzis NUNCA poderiam ser utilizados em patrulhamento de rua...

Lá, como cá, a mídia conservadora traz a sua parcela de produção de "arcabouço teórico", onde os "inimigos da vez" são escolhidos, e oferecidos nos "altares" da ignorância...Nesse caso, não diferimos nada das civilizações que praticavam sacrifícios para os deuses...
Nos EEUU, os muçulmanos, os imigrantes, e todos os que se colocaram contra o assalto as liberdades individuais, foram transformados em "inimigos da pátria"...
No RJ, e no Brasil, temos os "usuários" e "varejistas" como "inimigos nº 1" da boa sociedade"...Qualquer construção "teórica" diferente, é tida como "covarde", ou pior, "conivente"...
Para isso, a mídia local não se furta a remoer o sofrimento das vítimas, sob novos "ângulos", esmiuçadas em "detalhes", dando novas cores ao sadismo vouyerista...O mesmo de sempre reportagens "especiais", com "especialistas", o choro sincero dos atingidos, heroísmo, demonização do outro, etc, etc..

Não se trata de anuir ou fazer apologia ao uso de drogas...Não é nada disso...
Nem tampouco de menosprezar o poder de fogo dos traficantes que moram em comunidades carentes...
Mas resumir o flagelo do tráfico internacional de drogas a uma questão privada, a saber: usar ou não usar drogas é má fé da pior espécie...
De outro lado, focar todos os esforços da política pública de segurança para reprimir o tráfico em favelas é como enxugar gelo...

A pergunta é, se as pessoas usarão drogas, lícitas ou ilícitas, como podemos:
1.Diminuir os danos desses uso nas pessoas(política de sáude)...?
2.Evitar ou diminuir os danos do uso em terceiros(como a Lei Seca, por exemplo)...?
3.Se o tráfico é reconhecido como um negócio(e muito lucrativo), por que atacar o varejo, se a "fonte" é o atacado...?
4.Se o dinheiro é que (re)alimenta o tráfico, onde estão as ações de combate a lavagem e ocultação desse dinheiro...?
5.Se as armas são a face mais visível(e sangüinária)dessa "guerra", como explicar que o Brasil, terceiro maior produtor de armas leves do mundo, não fiscalize o destino das armas que exporta, sim, pois um carregamento da IMBEL ou TAURUS, "vendido" para a África dos Sul, não conta com qualquer comprovação de sua chegada a esse comprador...?

Pois é caro leitor...As armas que assustam e matam, são produzidas e (na sua maioria)vendidas de forma "legal"...É assim que elas chegam ao Paraguai...

Aé quando nossos governantes permanecerão a ignorar essa realidade, e fingir que sua "operações militares" são bem sucedidas...?

Será que o secretário de segurança do RJ vai esticar um faixa em algum "porta-avião", onde se leia "mission accumplished"(missão cumprida), tal e qual donald rumsfield, então secretário de defesa dos EEUU fez com bush jr...?

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Os estadunidenses parecem ter sinalizado ao mundo que aprenderam que não se pode semear violência e colher paz...Ainda que os movimentos recentes do governo Obama sejam contraditórios, como se estivesse "refém" da agenda militarista que herdou, é inequívoca a disposição da política externa dos EEUU em dialogar sobre novas premissas...

Resta saber se os fluminenses terão a coragem de enfrentar esse debate, e oferecer a sociedade brasileira uma boa dose de bom senso, para além dos editoriais óbvios e das bravatas de palanque...

Faz sentido lutar uma guerra que não se pode ganhar...? Por que...? Para quem...?

Responder é urgente...

Senão, todas as vidas perdidas, aí sim, serão em vão...

3 comentários:

Anônimo disse...

A plícia sabe que é fácil reprimir o tráfico de drogas: é só botar uma viatura na "boca de fumo". Se os viciados sabem onde ir comprar, é claro que os policiais também sabem onde vende e podem reprimir, se os governantes quiserem.
O problema é que os traficantes já se acostumaram ao dinheiro fácil, por isso se ficam sem dinheiro, partem para os seqüestros, roubos, etc. E isso é um problema gravíssimo, pois seqüestros atingem preferencialmente os ricos e estes gritam alto.
Me recordo que no início do Governo Garotinho a ordem era reprimir o tráfico, os seqüestros dispararam. A imprensa mostrava a sociedade desesperada e, não teve jeito, Garotinho entrou em acordo com os traficantes, o tráfico parou de ser reprimido e os seqüestros acabaram.
Logo, os viciados fazem um trabalho de proteção da sociedade, pois abastecem os traficantes com dinheiro e estes compram suas mansões e carros de luxo sem precisar extorquir os ricos.
Imagina se os usuários de drogas repentinamente parassem de consumir. Voltariam os seqüestros, roubos aos carros fortes, e outros crimes que incomodam os mais abastados.
E nós sabemos que se o crime atinge as classes mais abastadas ele é investigado e reprimido. Alguém já viu furto em casa de pobre ser desvendado? Só se o pobre for policial, amigo de policial ou pagar a policiais para desvendarem.
Já presenciei caso em que a vítima sabe quem cometeu o crime, mas a polícia simplesmente se negou a agir e tudo ficou impune.
Não se enganem, rezem para que tudo permaneça como está: que os drogados continuem gastando seus dinheiros com o tráfico, para que os traficantes não percam seu meio de vida, para que não aumente o número de traficantes, para que o tráfico abandone os financiamentos de campanhas políticas, para que os políticos financiados pelo tráfico não se elejam, e, finalmente, para que você e os seus nunca se envolvam nesse meio maldito e consigam passar pela vida sem enfrentar problemas causados pelos traficantes e viciados.
Reze também para que a partir deste Governo, todos os que entrarem melhorem o Brasil a ponto da nova geração não precisar traficar drogas para sobreviver, deixando a profissão de traficante ficar pouco vantajosa.
Se acabarem os viciados, os traficantes apelam para outros crimes e isso atinge gente inocente, traficando eles atingem, principalmente, os viciados, nós, pessoas de bem, só queremos ficar de fora da ação desses imprudentes.

George Gomes Coutinho disse...

Todas as perguntas são cruciais para serem respondidas. E todas estas detém uma outra concepção de segurança, dificil de ser compreendida pelos "gênios" ao redor do Beltrame, o que faz com que por enquanto continuemos pastando.

Xacal disse...

Caro comentarista,

é essa visão simplista que combatemos aqui...

o número de aprrensões e prisões crescem em escala exponencial, e o tráfico de drogas sequer dá mostras de recuo...

alguém já falou para você em "troca" de local...? bom, a não ser que você defenda um Estado policial, com uma viatura em cada rua, sua tese não se sustenta...

não há qualquer sentido lógico em sua afirmação: "(...)Me recordo que no início do Governo Garotinho a ordem era reprimir o tráfico, os seqüestros dispararam(...)"

Não há base esttística alguma apresentada por você, apenas achometria...

Depois, você mistura algumas informações verossímeis, como o fato de que a política pública de segurança age em favor dos mais abastados, para "construir" o maior besteirol da face da terra, com generelizações(do tipo, a polícia só funciona quando age em interesse próprio), ou: uma vez acabado o tráfico, os criminosos resolverão atuar em outras esferas...
revela assim um completo desconhecimento do modus operandi e das motivações que levam a condutas criminosas...

enfim, só publiquei esse comentário delirante para exemplificar o tipo de reacionário que combatemos...

um monte de asneiras produzidas por overdose de Veja e Rede Globo...as piores drogas que algupem pode consumir...

lastimável...