domingo, 4 de outubro de 2009

"O Rio deve essa ao Lula"...

Leia aí o texto do jornalista Leandro Fortes:

Lula poderia ter agido, como muitos de seus pares na política agiriam, com rancor e desprezo pelo Rio de Janeiro, seus políticos, sua mídia, todos alegremente colocados como caixa de ressonância dos piores e mais mesquinhos interesses oriundos de um claro ódio de classe, embora mal disfarçados de oposição política. Lula poderia ter destilado fel e ter feito corpo mole contra o Rio de Janeiro, em reação, demasiada humana, à vaia que recebeu – estranha vaia, puxada por uma tropa de canalhas, reverberada em efeito manada – na abertura dos jogos panamericanos, em 2007, talvez o maior e mais bem definido ato de incivilidade de uma cidade perdida em décadas de decadência. Vaiou-se Lula, aplaudiu-se César Maia, o que basta como termo de entendimento sobre os rumos da política que se faz e se admira na antiga capital da República. Fosse um homem público qualquer, Lula faria o que mais desejavam seus adversários: deixaria o Rio à própria sorte, esmagado por uma classe política claudicante e tristemente medíocre, presa a um passado de cidade maravilhosa que só existe, nos dias de hoje, nas novelas da TV Globo ambientadas nas oníricas ruas do Leblon.

Lula poderia ter agido burocraticamente a favor do Rio, cumprido um papel formal de chefe de Estado, falado a favor da candidatura do Rio apenas porque não lhe caberia falar mal. Deixado a cidade ao gosto de seus notórios representantes da Zona Sul, esses seres apavorados que avançam sinais vermelhos para fugir da rotina de assaltos e sobressaltos sociais para, na segurança das grades de prédios e condomínios, maldizer a existência do Bolsa Família e do MST, antros simbólicos de pretos e pobres culpados, em primeira e última análise, do estado de coisas que tanto os aflige. Lula poderia ter feito do rancor um ato político, e não seria novidade, para dar uma lição a uma cidade que o expôs e ao país a um vexame internacional pensado e executado com extrema crueldade por seus piores e mais despreparados opositores.

Mas Lula não fez nada disso.

No discurso anterior à escolha do Comitê Olímpico Internacional, já visivelmente emocionado, Lula fez o que se esperava de um estadista: fez do Rio o Brasil todo, o porto belo e seguro de todos os brasileiros, a alma da nacionalidade. Foi um ato de generosidade política inesquecível e uma lição de patriotismo real com o qual, finalmente, podemos nos perfilar sem a mácula do adesismo partidário ou do fervor imbecil das patriotadas. Lula, esse mesmo Lula que setores da imprensa brasileira insistem em classificar de títere do poder chavista em Honduras, outra vez passou por cima da guerrilha editorial e da inveja pura e simples de seus adversários. Falou, como em seus melhores momentos, direto aos corações, sem concessões de linguagem e estilo, franco e direto, como líder não só da nação, mas do continente, que hoje o saúda e, certamente, o aplaude de pé.

Em 2016, o cidadão Luiz Inácio da Silva terá 71 anos. Que os cariocas desse futuro tão próximo consigam ser generosos o bastante para também aplaudi-lo na abertura das Olimpíadas do Rio, da qual, só posso imaginar, ele será convidado especial.

4 comentários:

Anônimo disse...

JUCA KFOURI

PRIMEIRO é preciso dizer que a escolha do Rio para sediar a Olimpíada de 2016 foi fruto de um trabalho brilhante.

Pura ficção, mas brilhante.

Quem viu o Pan-2007 não tem por que acreditar em nenhuma das promessas feitas e sabe que aquela cidade maravilhosa que os filmes mostraram não existe.

É claro, porém, que pode existir.

Bastará gastar o que está previsto, de fato, nela.

Em segundo lugar, é preciso dizer com todas as letras e sem nenhuma ironia que nunca, jamais, o Brasil teve um presidente da República como Luiz Inácio Lula da Silva. Nunca, jamais e em tempo algum.

Nenhum governo antes tirou tantos milhões de brasileiros da linha de pobreza, diferença maior dele em relação a todos os seus antecessores.
Porque, de fato, um presidente preocupado com os excluídos, coisa que os outros só conheceram na teoria, enquanto Lula foi um deles, na prática.

Claudio Kezen disse...

Bem, passado o momento da emoção, é preciso descer do palco iluminado da comemoração desenfreada e ufanista, e contextualizar as coisas.

O empenho do Lula para trazer a Olimpíada de 2016 para o Rio não se deve apenas à uma atitude generosa, magnânima e altruísta, um "tapa de luva" elegante e professoral nas vaias do Pan como quer o jornalista Leandro Fontes.

O empenho do Lula tem sim um elemento de sincera paixão pelo Brasil, isto é inegável, mas também um compromisso com grupos de investidores, mais especificamente construtoras e empreendedoras, que na véspera da "eleição" oficial na Dinamarca já gastavam alguns milhares de reais em forma de anúncio nas páginas do Globo parabenizando a vitória carioca.

A Copa do Mundo e as Olimpíadas serão inegavelmente fatores de elevação de uma auto-estima arrasada e maltratada pelos motivos óbvios, mas antes de tudo, trata-se de "business".

Haja visto o empenho e rapidez com a qual o governo federal acudiu com alguns bilhões dos cofres públicos, isso mesmo, bilhões de reais a confusa e mal planejada feitura das obras que culminaram no Pan.

Estão previstos investimentos em infra-estrutura gigantescos para viabilisar estes dois eventos, e o Lula sabe o quanto isto vale em termos de capital social e político, e mais ainda dos compromissos firmados com os lucros a serem aferidos por estes investidores. Nada contra, jogo é jogo...

Me emocionei com o Lula, o Pelé, etc..., mas a imagem do afetuoso agarra-agarra com o Cabral Jr às lágrimas (que atores!), vale mais do que mil artigos sob medida para babar ovo do Lula.

Menos, por favor...

Anônimo disse...

É Claudio Kezen, você não gosta mesmo de Lula, semptr vai encontrar um senão em qualquer coisa que Lula faça, você está igual a Globo, sempre tem um MAS, depois de uma notícia boa sobre Lula!

Anônimo disse...

Depois de investir pesadamente, conforme acontecerá, o Brasil poderia garantir também as Olimpíadas de 2020.
Muita gente pode estar achando absurdo, mas é só contratar Garotinho, Marcos Bacellar e mais alguns vereadores de Campos que eles garantem o evento.
Nossos políticos são talentosos na hora de comprar votos.