sábado, 24 de outubro de 2009

Pólo "Universitário"...

É verdade que a presença de várias instituições de ensino superior na cidade, tendem a formar uma intelligentzia, capaz de dotar a sociedade local da possibilidade de utilizar o conhecimento para fazê-la avançar no enfrentamento de seus problemas estruturais...

Lógico, que só o fato de termos entidades de ponta(como a UENF, UFF, IFF), não basta para superar os entraves rumo ao desenvolvimento humano local...Ciência não substitui a política...Ainda bem...

Mas não deixa de ser engraçado como o conhecimento acadêmico é um "fetiche" para nossa comunidade...Em boa parte pela arrogância ignorante daqueles que menosprezam a produção de um conhecimento que lhes desafie os dogmas, por outro lado, o da academia, pela postura, não menos arrogante, daqueles que utilizam esse conhecimento para excluir, marginalizar e segregar...Duas faces da mesma religião: a ignorância...aqui, como símbolo de desconhecimento do "outro"...

Uma rápida leitura pelos jornais da cidade, poderemos comprovar como se comportam esses atores...E digo rápido: esse conflito não é novo, nem é só nosso...

Até nos classificados de um "respeitado" jornal da cidade, vemos como o fato de termos tantas instituições de ensino superior, altera os hábitos e costumes da cidade...É claro, na falta de uma interlocução perene e proveitosa, prevalecem a "apropriação" dos conceitos menos nobres de cada parte, para, então, designarem, como uma "nova mitologia", pela qual todos se enxergam como sombras...

Vejam que nos anúncios das "moças-damas", veiculados naquele "impoluto" jornal, a "vantagem competitiva", ou símbolo de bons serviços, é associado a palavra "universitária"...

Não deixa de ser interessante que queiramos "quengas-esclarecidas"...
Será que elas viram o último filme do Godard...?



8 comentários:

Gustavo Landim Soffiati disse...

Xacal,

Você e os poucos leitores de meu blog (Soprador de Vidro) devem saber que nada sai nele desde 15 de setembro (e isso após um intervalo de 17/07 a 09/09). Por isso, envio o relato a seguir para você publicar, se entender que deve.

Soube de fonte segura que ontem à noite, durante o "Samba no Mercado", evento organizado por Valmir "Kanal", um sujeito proporcionalmente ridículo ao nome "artístico" que ostenta, Gigante do Pagode, resolveu apresentar um jingle de campanha do ex-prefeito Mocaiber para deputado federal. E mais: o beneficiado estava
presente, demonstrando que basta se aproximar o período de chuvas para que ele apareça (mas para se divertir, diga-se). Coisa combinada e que, como sabemos, configura propaganda eleitoral extemporânea, tal qual a feita por Barbosa Lemos para Garotinho, denunciada em meu blog em 20 de janeiro deste ano.
Para completar, o tal Gigante, com uma coragem proporcionalmente inversa a seu epíteto (ou não) ainda teria se justificado a uma pessoa ligada ao atual governo municipal, dizendo que ela sabia ser ele 12. Ao que ela respondeu que ele deveria sustentar isso, independente do risco de perder qualquer boquinha. Neste caso, a ignorância dele é que parece transbordar de muito o pseudônimo: Mocaiber é do PSB (40). Ou será que entre o 12 e o 40 há mais mistérios do que supõe nossa vã filosofia?
Parece que o organizador do "Samba no Mercado" não gostou nada do preito ao ora falante ex-prefeito. Se sim, é bom que Kanal, a despeito de qualquer relação de cordialidade que mantenha com o futuro candidato ao Legislativo, estabeleça para todos os participantes do evento de sexta sim sexta não (maravilhoso, por sinal) que não devem usar o "palco" como palanque.

P.S.: Desculpe-me contrariar a regra de postar um comentário a um texto que nada tem a ver com o que você publicou. É que não sei se seu e-mail ainda é o mesmo (não consta mais no blog). Se for o caso, desconsidere e apague.

Um abraço,

Gustavo Landim Soffiati.

Xacal disse...

caro Gustavo,

o e-mail está lá embaixo dos "seguidores"...

acho que você ficou com "preguiça" de descer até o fim da TrOLha(rsrsrs)...eu entendo...(rsrsrs)

aí, como só ficou na parte de "cima" da TrOLha(rsrsrsr) você não pode ler o post: TrOLha de fora, que é nosso espaço diário para colocar os comentários alheios ao post...

bricadeiras à parte, obrigado pela sua participação...sempre luxuosa...

um abraço....

Anônimo disse...

Hauihauihauihauihaui
Garanto que a matéria que elas tem que ter na ponta da língua (sem nenhuma conotação sexual) não se aprende nos bancos universitários não!
Muito bom o texto!
bjos
Mariana

Hugo Oliveira disse...

Campos hoje esta dando um grande passo, esta se tornando o segundo pólo universitário do Estado do Rio, muito embora tenha faculdades de ponta como IFF, UFF, UENF, acrescento FDC e FMC respectivamente melhores em Direito e Medicina da região.

Esse avanço acadêmico não tem se refletido, na formação de nossa sociedade, acho que os maus exemplos dos políticos da cidade, estão sendo mais influentes que as faculdades.

Xacal disse...

Caro Hugo,

permita-me dicordar...A FMC e a FDC não se encontram nem próximas das boas instituições avaliadas pelo MEC...

outro ponto: não dá para dissociar políticos de sua sociedade, ou seja, se os políticos continuam ruins, é porque, apenas, refletm "nosso" estado de espírito...

um abraço...

Jules Rimet disse...

Ai, ai, essas meninas falam francês? Sou antiquado, meu caro. Sinto muito. E sinto, sobretudo, tesão se me dissertam voitaire enquanto a cópula se arrefece, porque aí é que esquenta e eu me esquento.


Aahahhaaaa..

Hugo Oliveira disse...

Xacal, não estudei nelas por isso não conheço tão de perto a realidade, mas inclui as duas justamente porque pensei nas avaliações do MEC, e se analisarmos o histórico do antigo provão e o atual enade, veremos as duas bem avaliadas, entre as boas instituições do RJ, tendo até alcançado varias vezes resultados que as nivelam com as federais da capital (vide provão/enade do MEC).

De qualquer maneira, eu lamento o fato da expansão ao ensino superior em Campos tenha universalidade, acessbilidade, mas pouca qualidade.

Tem faculdades em Campos com disciplinas online, sem coordenadores de curso, que só contratam professores com mestrado e doutorado na quantidade mínima exigida pelo MEC, tudo isso porque entendem qualidade da instituição é inversamente proporcional ao lucro do dono.

Com o lobby cada vez mais crescente dos empresários
educacionais, essa realidade tende a piorar, o MEC cansou de fiscalizar, abriu as pernas para o mercado e o resultado é esse que temos.

+ cursos - qualidade = + lucro

Parabéns pelo tópico, você levantou um questionamento de muita pertinência, falta muito isso na mídia local, adoram dizer que somos pólos universitários, como se isso transmitisse uma imagem de uma cidade mais intelectualizada.

Roberto Torres disse...

Esse fetiche e antigo pra gente e reflete no fundo o quando a sociedade e a ciencia parecem querer se ignorar mutuamente. A sociedade achando que a ciencia pode resolver problemas politicos apenas com o uso da tecnica e a ciencia achando que pode corresponder a esta expectativa, mantendo se isenta da politica, ou melhor, achando que isso e possivel, pois no fundo esta sempre delimitada e condicionada pela politica.

Eu partilho da tese que existe um continuo entre ciencia e politica, como grande coalizacao que tende a substituir a antiga relacao entre religiao e politica do mundo pre moderno. Assim a ciencia tem que ser reflexiva (questionar os seus proprios pressupostos, desde a origem social do cientista ate a demanda pelo produto cientifico) se ela nao quiser ser presa inexoravel da petrificacao da poliitica pela tecnica. Acho que intelectuais como Darcy Ribeiro sao grandes exemplos de como e possivel se dedicar a ciencia (e a politica ao mesmo tempo) sem deixar que a "autoridade da ciencia" esconde as escolhas politicas.