sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A serviço da desinformação...

Não poderia se esperar algo distinto, de um dos jornais que mais atacam a liberdade de expressão, e enfim, a Democracia, nessa região: a folha de embrulhar peixe podre...

Mas o desespero pela distância com os cofres públicos municipais, a possibilidade de derrota do "padrinho-governador", e o avanço da derrocada da mídia golpista tradicional, que perde espaço a cada dia, afundada em um lodaçal de descrédito, deve estar embaçando a visão de realidade dos editores daquele ex-jornal...

Vejam a nota abaixo, poublicada hoje, em local de destaque, o que nos autoriza a dizer, que é voz do dono:

"Queda do MST (I)

Não se trata de bancada ruralista ou coisa parecida. Fato é que o Congresso deveria mesmo abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as entranhas do Movimento dos Sem Terra (MST), uma ONG que nasceu de forma simpática, se criou de forma discutível e cresceu sob o signo da violência que ela antes se dizia vítima. O movimento, infelizmente, se perdeu.

Queda do MST (II)

O MST não respeita nenhuma lei. Seus membros parecem querer o mesmo status dos índios que não podem ser responsabilizados criminalmente. Os acontecimentos na Fazenda Santo Henrique, em São Paulo, mostram a selvageria. O governo Lula, bem intencionado, repassa dinheiro para essa gente. Chegou a hora de rever essa mesada. O movimento, definitivamente, já não é o mesmo."

A presunção de culpa, sem as devidas apurações do episódio, já revela o pendor ideológico do comentário, com a defesa de determinado interesse, nesse caso: dos latifundiários...
Sem mencionar que o jornalismo pátrio é pródigo nessas esparrelas, vide caso Bodega, Escola-Base, dentre outros...
Sonegar a informação de que as terras em questão, ocupadas pela CUTRALE, estão em processo de litígio, e que pesa sobre o imóvel o ônus do questionamento sobre o direito real(de propriedade), é manipular a informação para deformar a opinião pública, afinal: só o MST é invasor, nesse caso...? E a CUTRALE, por que não foi expulsa pela PM paulista há tempos...?

Outra questão grave, que desnuda o açodamento de nossas elites...Dinheiro para o MST não pode, mas para usineiro e lavoura que trafica, escraviza e queima gente pode...?
Dinheiro para MST é mesada, mas para latifundiário é incentivo a produção...?

Enfim, fica a pergunta: Se responsabilizar criminalmente o MST é um dever do Estado, e sobre tal fato não reste dúvida, cadê a indignação pela impunidade dos mandantes dos assassinatos dos militantes e defensores da reforma agrária, que continuam soltos, aliás, como a maioria dos criminosos da elite...?

Ora, ora, ora, senhores, vamos chamar logo os "gorilas" e instalar de vez a "volta da Redentora"...Bom, a censura já parece que eles começaram a querer colocar em prática...

11 comentários:

Matheus disse...

Caro Xacal aqui estou eu novamente e parafraseando vc "vou colocar minha colher suja" em mais este tema.
A folha de embrulhar peixe é um jornal de elite e assim como a maioria dos meios de comunicação tem por natureza criminalizar os movimentos sociais então não se preocupe com eles.
Vc já reparou que o MST para eles " invade" fazendas e a polícia quando sobe o morro com o caveirão matando pobres e trabalhadores ( sempre traficantes pra eles) " ocupa o território ? Por que essa diferença nos termos ?? ......

Matheus disse...

Após aquela invasão do MST ao Senado, Luiz Fernado verissimo publicou esse texto. Dessa vez sim to de acordo por completo e espero que nao puxe minha orelha rsrs

“A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão. A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso. Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de medicamento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz. Foram provocando por toda a vida.

Não pôde ir à escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, ele gostava de roça. Mas aí lhe tiraram a roça. Na cidade, para onde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme, firme. Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Os que morriam eram substituídos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava.

Estavam provocando. Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça. Ouvira falar de uma tal de reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa. Terra era o que não faltava. Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.

Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Pra valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação. Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano… Então protestou. Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu, espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele: Violência não!”.

Xacal disse...

matheus,

a terminologia invasão é parte da tática jurídico-patrimonialista-normativa que ao despolitizar os conflitos, os reveste de termos legais...como na esfera jurídica o Estado se representa por quem o hegemoniza, logo, você verá que os nomes dados as ações do grupos que desafiam seus estamentos é sempre associada a infração...

bom, no segundo caso, é porque a polícia do estado patrimonialista não enxerga todos os cidadãos da mesma forma, simplesmente porque oa sociedade e seu ordenamento jurídico também não os enxeragam assim...

no caso das favelas, o processo histórico de marginalização das comunidades pobres, associando sua situação sócio-econômica com a criminalidade(a tese da criminalidade por razões sociais, muito cara a Alba Zaluar), de um lado "vitimiza" e "mitifca" a violência praticada pelos pobres, de um lado, e justifica a repressão desmedida e desproporcinal de outro...

com o advento do crescimento do tráfico de drogas, ao redor do mundo, e a implementação de políticas de segurança públicas de extermínio e militarizantes, consagradas na fracassada "war on drugs" dos EEUU, e ratificada pela ONU e seus órgãos, a visão do infrator como "inimigo" se consolidou...

associe-se a isso, a confissão do Estado de que nas comunidades pobres não havia presença estatal, e portanto, configurava "territórios estrangeiros dentro do próprio país", aí temos a nomeclatura, como nome e sobrenome da política dos carros blindados(semi-tanques), com fuzis(M16, armas de guerra), e policiais-soldados, com a tática de "evitar" prisioneiros(como na guerra)...

Anônimo disse...

Xacal,

Não bata em cachorro morto. Quem criou o Jornal a Folha foi um grande usineiro de Campos, e ex-presidente do IAA. Agora o que me preocupa também, é este espaço que a Folha da Manhã vem dando a Vereadora Odisséia, aí tem. A Folha não oferece espaço por acaso. Será que a Vereadora Odisséia, já se encontra deslumbrado pelo poder? Candidata a prefeita ela já é. Mesmo sem discutir com o partido, se ela é o nome ideal. Vamos tomar cuidado com está senhora. Olho nela!! Grande eleitora de Arnaldo Vianna.

Anônimo disse...

epa, não foram vcs que disseram que o que importa é a função social

Anônimo disse...

A Folha da Manhã, como a maioria dos órgãos de comunicação deste País, não é da elite nem do proletário, é, sim,de quem tem a chave do cofre.
Certa vez o finado J. Costa foi admoestado por um seu companheiro, tendo em vista que no governo de Miguel Couto o defendia, sucedido por Celso Peçanha, passou a defendê-lo, sendo que ambos, como se sabe, eram "água e óleo". À interpelação, Costa respondeu, "não estou a favor de Miguel e nem de Celso, estou com quem for o Governador".Aí está a Folha. Que já foi Garotinho, Sérgio Mendes, Arnaldo, Mocaiber e "tá doida" pra ser Rosinha.

Anônimo disse...

E em São João da Barra, já foi Ranulfo, Betinho, agora é Carla e será quem a suceder....

Anônimo disse...

Há uma clara articulação entre os latifundiários, setores conservadores do Poder Judiciário, serviços de inteligência, parlamentares ruralistas e setores reacionários da imprensa brasileira para atacar o MST e a Reforma Agrária. Não admitem o direito dos pobres se organizarem e lutarem.
Em períodos eleitorais, essas articulações ganham mais força política, como parte das táticas da direita para impedir as ações do governo a favor da Reforma Agrária e “enquadrar” as candidaturas dentro dos seus interesses de classe

Anônimo disse...

Para ler e refletir:

O MST luta há mais de 25 anos pela implantação de uma Reforma Agrária popular e verdadeira. Obtivemos muitas vitórias: mais de 500 mil famílias de trabalhadores pobres do campo foram assentados. Estamos acostumados a enfrentar as manipulações dos latifundiários e de seus representantes na imprensa.

À sociedade, pedimos que não nos julgue pela versão apresentada pela mídia. No Brasil, há um histórico de ruptura com a verdade e com a ética pela grande mídia, para manipular os fatos, prejudicar os trabalhadores e suas lutas e defender os interesses dos poderosos.

Apesar de todas as dificuldades, de nossos erros e acertos e, principalmente, das artimanhas da burguesia, a sociedade brasileira sabe que sem a Reforma Agrária será impossível corrigir as injustiças sociais e as desigualdades no campo. De nossa parte, temos o compromisso de seguir organizando os pobres do campo e fazendo mobilizações e lutas pela realização dos direitos do povo à terra, educação e dignidade.

São Paulo, 9 de outubro de 2009

DIREÇÃO NACIONAL DO MST

hermes disse...

É uma pena que a maioria da população não tenha acesso a internet para ficar, nos momentos de busca por o que fazer lendo a midia eletronica que hojo é o que se salva, e graças a corajosos blogueiros, que ousam trabalhar em prol de informar a sociedade sobre a verdade dos fatos, não se trata nem de tomar partido, mas de colocar a questão em debate. sou militante do mst, assentado e contribuo principalmente no desenvolvimento da produção e organização da comercialização dos assentados aqui em campos a maior cidade em extensão territorial do sudeste, nordeste e sul só perdendo para os municípios do norte e centro oeste, cidade esta que é incapaz de produzir para seu próprio consumo, a própria secretaria de agricultura já constatou que em campos só é o que é produzido gira em torno de 20% do que se consome tendo que importar o restante e mesmo assim os grandes herois do município são os usineiros.
parabens pelas informações que passamos as vezes tendo que explicar às pessoas na rua, na nossa feira e onde mais somos questionados.

Anônimo disse...

LARANJAS E GENTE

(MAIR PENA NETO)

A imagem aérea de um trator derrubando uma fila de pés de laranja em um gigantesco laranjal parece chocar mais certos setores da sociedade do que a visão de milhares de pessoas sem terra e suas famílias acampadas precariamente sob tendas de plástico preto na beira de várias estradas brasileiras.

Não pretendo dizer com isso que os fins justifiquem os meios, mas após o choque inicial do poder da imagem disseminada pelos meios que costumam demonizar a luta pela terra, é bom procurar se informar do que realmente aconteceu e quais as motivações que geraram o ato perturbador.

Desde o dia 28 de setembro, 250 famílias de sem terra estavam acampadas na fazenda onde a Cutrale, uma das maiores empresas do agronegócio brasileiro, planta laranjas. O objetivo da ação era denunciar a ocupação irregular de terras da União pela Cutrale. O MST afirma que a empresa plantou laranjas na fazenda como forma de legitimar a grilagem de área pública. A produtividade da fazenda não poderia esconder a grilagem como ato ilegal e criminoso.

Muito bem. Esta é a versão do MST e cabe verificar se corresponde à verdade. O Incra confirma que já luta há três anos pela recuperação da fazenda ocupada pela Cutrale, assegurando que pertence à União. De acordo com o instituto, a fazenda integra um conjunto de terras públicas da União que constituíam o antigo Núcleo Colonial Monção.

Ainda segundo o Incra, o Núcleo Colonial Monção tem sua origem há 100 anos. Foi criado a partir de um grupo de fazendas compradas pela União ou recebidas em pagamento de dívidas da Companhia de Colonização São Paulo/Paraná. Essas fazendas somavam aproximadamente 40 mil hectares, nos municípios de Agudos, Lençóis Paulista, Borebi, Iaras e Águas de Santa Bárbara.

A primeira ocupação na região ocorreu em 1995, e dois anos depois o Incra reivindicou a fazenda Capivara, em Iaras, obtendo 30% do imóvel como tutela antecipada, o que resultou, em 1998, na criação do assentamento Zumbi dos Palmares. Em 2007, a Justiça Federal garantiu ao Incra os 8 mil hectares totais da fazenda.

Verifica-se com isso, que a disputa por estas terras tem mais de 10 anos, e a Cutrale se instalou nelas há cerca de cinco anos. Ou seja, tinha conhecimento de que o governo as considerava públicas e mesmo assim levou adiante o seu projeto de plantio de laranjas. Apesar da origem centenária do núcleo, a Cutrale informa que tem a posse legal das terras. Depois que a Justiça concedeu a reintegração de posse à Cutrale, no último dia 29, portanto um dia após a destrição dos pés de laranja, o Incra entrou com petição na Justiça Federal contra a decisão, com base no argumento de que a área de 40 mil hectares pertence à União.

O que se deduz, então, é que a Cutrale plantou suas laranjas em terras reivindicadas pela União para efeito de reforma agrária. Nesse sentido, a luta do MST é duplamente justa. Primeiro, como denúncia de grilagem em terras públicas e depois pela própria terra para assentar trabalhadores.

Pode se questionar a forma de ação do MST, mas sem ela não teria vindo à tona a ocupação e uso ilegal de terras públicas. A bancada ruralista no Congresso aproveitou rapidamente a comoção causada pelas imagens para aprovar relatório da senadora e latifundiária Kátia Abreu abrandando as exigências de produtividade para que uma fazenda não seja desapropriada para reforma agrária.

Em outra frente de ação, tenta ressuscitar uma CPI para investigar os repasses de recursos públicos a entidades ligadas ao MST. Se o Congresso brasileiro realmente se interessa em saber o que se passa no campo poderia criar uma CPI para verificar a legalidade de todas as propriedades agrícolas do país e exigir sua imediata devolução em caso de grilagem.