terça-feira, 17 de novembro de 2009

De volta ao passado...

Em 1993, Ytzhak Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat consturaram em Oslo, Noruega, o que poderia ser um primeiro e importante passo na direção da paz, e a construção da convivência e reconhecimento de dois estados na região...

Como se sabe, extremistas de ambos os lados bombardearam a iniciativa, com a cumplicidade cínica ou omissão covarde dos países mais influentes da comunidade internacional, que de uma forma ou de outra, enxergam no enclave a oportunidade de fazer prevalecer seus interesses geopolíticos...

Assim, tombou Ytzhak Rabin, morto pelos seus, e não por um atentado terrorista, como podia esperar a lógica simplista, dos que reproduzem na análise da região apenas preconceitos, desprovidos de qualquer bom senso...

O tema é destaque na coluna A Semana da Carta Capital, e me chamou a atenção: O presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, líder da Al-Fatah, não concorrerá as eleições, e nenhum integrante de sua denominação política também o fará...

Um ultimato desesperado para forçar os EEUU e Israel a entabularem negociações que, ao menos, considerem os pontos mínimos estabelecidos em 1993, ou uma desistência da via da negociação, com a sinalização de que o único diálogo possível é o conflito...???

Infelizmente, nesse caso, parece que essa duas alternativas se completam...

O acordo de Oslo previa, principalmente, a criação de um Estado independente com base nas fronteiras de 1967, com alguma negociação de troca de territórios(para os que excedem esses limites, os assentamentos), a partir desses limites...

Como Israel não parece inclinado a honrar seus compromissos, e os EEUU não parecem dispostos a cobrar-lhes por isso(haja vista a postura de Hillary Clinton), os líderes da Al-Fatah parecem dispostos a abandonar o papel de "prepostos de Israel nos territórios ocupados"...

Ironicamente, como diz a revista brasileira, Obama poderá passar a História como o Nobel que enterrou um acordo de paz, firmado por outros ganhadores...

A Al-Fatah, de acordo com a publicação semanal, pensa em retornar a Intifada(guerra santa), e os negociadores já defendem que a idéia de dois Estados deve ser abandonada, e a luta deve ser transportada para dentro de um grande e único Estado...
Com essa vertente, o sonho do Grande Israel democrático estaria ameaçado, uma vez que o percentual de judeus na região será minoria(42%) em breve(2020)...Assistiríamos, provavelmante, o surgimento de um novo apartheid...

Será a maldição do Prêmio Nobel...???




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