quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Destaque da TRolHA...

O comentário do leitor, o 13º, despertou nossa atenção...Dividimos na front page com vocês...

Anônimo disse...

"O professor Marcelo Neri, economista e chefe do Centro de Pesquisas Sociais da FGV-RJ, para o Entrevista Record, que vai ao ar hoje à noite, pela Record News.
Leia abaixo os principais pontos da entrevista:
. Em 1992, a classe média era um terço do total da renda brasileira.
. Hoje, é mais de 50%.
. Entre 2003 e 2008, 32 milhões de brasileiros, ou seja, metade da população da Franca, ingressou no conjunto das classes A, B e C. O principal fator dessa ascensão não foram os programas assistenciais, mas a renda do trabalho.
. Entre 2003 e 2009 foram criados 8 milhões de empregos com carteira assinada.
. Pode-se dizer também que essa é uma década da redução da desigualdade.
. Entre 2000 e 2008 a renda dos 10% mais pobres da população cresceu 72%. Ou seja, o crescimento da renda dos pobres no Brasil é um crescimento de tamanho chinês.
. A renda dos 10% mais ricos cresceu 11%.
. Todo mundo cresceu.
. É uma bolha?
. Não, frisou Neri. Esse processo já dura cinco anos: de 2003 a 2008 a renda do brasileiro cresce 7% ao ano. Ou seja, não é bolha porque a renda sobe por causa do trabalho e porque os brasileiros passaram a estudar mais.
. Trabalhar e estudar são coisas que ficam, não vão embora como uma bolha.
. A queda na desigualdade é inédita.
. No anos 60 o Brasil viveu o período mais desigual da sua história. O Brasil tinha a terceira pior distribuição de renda do mundo.
. Hoje é o décimo. Quer dizer, é um país ainda muito desigual, mas se a desigualdade continuar a cair, será um país de desigualdade tolerável.
. É o que mostra uma pesquisa feita por ele sob o título “Produtores e Consumidores da Nova Classe Média”. O nordestino botou o filho na escola, conseguiu emprego com carteira assinada e a renda dos produtores cresce mais que a renda dos consumidores.
.Ou seja, o brasileiro é mais formiga do que cigarra.
. As mulheres são o maior sucesso dessa história.
. Elas fizeram uma revolução há 30 anos. Foram para a escola e conseguiram salários que começaram a se aproximar do salário dos homens.
. A história da ascensão das mulheres nordestinas é a mais significativa. Um exemplo disso é que as mulheres são as principais clientes do Crediamigo, o programa de microcrédito do Banco do Nordeste, que detém dois terços do mercado nacional de microcrédito.
O Crediamigo promove sobretudo no Nordeste uma revolução nos pequenos negócios. Os empréstimos começam com R$ 400 e o avalista é um grupo de três a cinco pessoas em que um se responsabiliza pela dívida do outro.
. Entre o primeiro empréstimo e dezembro de 2008, aumentou em 42% o lucro dos que tomam dinheiro no Crediamigo. Sessenta por cento deles deixaram de ser pobres.
Concluiu o professor Marcelo Neri: o Brasil muda rapidamente para melhor e muita gente não percebe.

19 de Novembro de 2009 14:43"

9 comentários:

Roberto Torres disse...

Esse cara tem umas pesquias mt interessantes. O legal dele e que ele tem um argumento que leva em conta algo decisivo: como os movimentos de ascensao socio-economica se sustentam no tempo, ou seja, ele enfrenta a seguinte questao: o que autoriza a dizer que um indivíduo pobre, que num dado momento entrou para a classe média (c), tende a se manter nela e ou manter seus filhos nela.

Anônimo disse...

O ESTADO DE S. PAULO


Sexta-feira, 17 de novembro de 2007



NOTAS E INFORMAÇÕES



As perdas da classe média
Para um segmento expressivo da sociedade brasileira, a política econômica adotada nos últimos anos tem sido particularmente nociva. Além dos resultados pífios que apresenta, com um ritmo muito lento de crescimento, essa política tem sido cruel para a classe média, pois a tributa excessivamente, comprime sua renda, corta seus empregos e, pior, corrói sua esperança de vida melhor.

A reportagem de Fernando Dantas publicada domingo pelo Estado contém dados surpreendentes sobre as condições econômicas da classe média e exibe uma sombria realidade da qual pouco se fala, especialmente porque, durante a campanha eleitoral, o presidente Lula usou sua grande habilidade política para mantê-la afastada dos debates. Lula fartou-se de referir-se aos benefícios auferidos pelas camadas mais pobres da população - e os dados mostram que houve melhora para elas -, para daí extrair o maior número possível de votos, mas silenciou a respeito do preço que o modelo por ele colocado em prática impôs e está impondo a outros setores da sociedade.

Numa sociedade com tanta desigualdade como a brasileira, não se pode criticar o fato de 86,1% dos empregos com carteira assinada, criados de 2002 a 2004, terem sido para trabalhadores com renda entre um e dois salários mínimos. Mas é frustrante constatar - como fez uma pesquisa realizada em janeiro pelos economistas Claudio Dedecca e Eliane Rosandiski, da Unicamp - que, no mesmo período, diminuiu 10,6% o número de empregos com carteira assinada para trabalhadores com renda igual ou superior a dez salários mínimos.

Esta é, justamente, a faixa que pode ser considerada a da classe média brasileira. Por representar um ponto de equilíbrio numa sociedade marcada por desigualdades e, desse modo, evitar o surgimento de conflitos entre os extremos, o crescimento da classe média deveria ser fortemente estimulado. Mas o contrário é que vem ocorrendo no Brasil. Filhos de família dessa faixa social não estão conseguindo manter os padrões de vida dos pais, o que significa que a classe média está diminuindo.

Esta é uma tendência forte que deveria preocupar as autoridades. Calcula-se que a classe média represente menos de 20% da população. Mas sua importância econômica e social é muito maior do que essa porcentagem parece indicar. Como mostrou a reportagem do Estado, ela concentra praticamente toda a parcela mais instruída da população, ocupa a maioria dos empregos que mais agregam valor e é responsável pela geração de 50% da renda nacional.

O sistema tributário brasileiro, ruim para todos, é especialmente perverso com a classe média. A carga tributária cresceu velozmente de meados da década passada para cá, mas cresceu ainda mais depressa para a classe média. Ela paga cada vez mais impostos como proporção de sua renda, mas é cada vez mais esquecida pelos programas de governo custeados pelos impostos. Os gastos sociais se concentram nas camadas mais pobres.

Também do sistema previdenciário ela recebe um tratamento inadequado. Aumentos maiores limitam-se aos benefícios de menor valor, em muitos casos limitando-se àqueles que não excedem um salário mínimo. Acima desse nível, ou os benefícios ficaram congelados ou tiveram reajustes muito pequenos. Em outros países também não costuma haver aumentos reais do valor dos benefícios previdenciários, mas no Brasil os fortes aumentos para o piso resultam em fortes pressões sobre as contas da Previdência, o que exige contenção das aposentadorias de maior valor.

Dessa pressão generalizada - e socialmente perigosa - sobre a classe média escapa uma camada privilegiada - a dos funcionários públicos e empregados das empresas estatais. Protegida por garantias com as quais raramente contam os trabalhadores do setor privado, essa elite tem recebido tratamento generoso do atual governo. Só neste ano, os gastos com pessoal federal cresceram 11% em termos reais, praticamente todo o aumento observado entre 1995 e 2005.

Antônio Olegário disse...

Xacal, concordo contigo e com o caro pesquisador; de fato, Lula deu uma nova cara ao pais. Agora eu pergunto: vc acha que ele conseguirá transferir os votos suficentes a Dilma? Sinceramente, acho que o carisma da Ministra está bem aquem do nosso presidente.

Ana Paula Motta disse...

Bons ventos, que não são apenas ventos que passam.

Xacal disse...

Como sempre, o PIG encontra seus lacaios para repercutir suas manipulações...

Confrontemos os textos, e nem precisa debater muito para saber onde estão as inverdades...

"(...). Em 1992, a classe média era um terço do total da renda brasileira.
. Hoje, é mais de 50%.
. Entre 2003 e 2008, 32 milhões de brasileiros, ou seja, metade da população da Franca, ingressou no conjunto das classes A, B e C. O principal fator dessa ascensão não foram os programas assistenciais, mas a renda do trabalho.(...)"

Mas vamos a dados adicionais...
O governo Lula criou mais faixas de retenção de IRPF na fonte, e aumentou significativamente o valor mínimo da cota de isenção...

Como se não bastasse, os números da indústria automotiva e outros indicadores, revelam que o poder de compra da classe média só aumentou...

O que aconteceu é que mais gente ingressou na classe média, e portanto aumentou a base de pessoas pelas quais se divide a riqueza adstrita a esse estrato social, então, é lógico imaginar que se a riqueza apropriada pela classe média, e mesmo o nosso PIB, não cresceram na mesma veolicidade da inclusão dessa massa em nova classe social, teremos números que sugiram um "empobrecimento" dessa classe, o que é enganoso:

mais gente entrou, como sinal de apropriação de riqueza...em proporção muitíssimo maior do que as supostas perdas...

mas ainda assim, a riqueza dos mais ricos, aí incluídos classe B e A cresceu 11%...



E por último: a carga tributária entre os mais pobres é MUITO maior do que entre os classe média alta e classe alta, ora vejamos:

alíquota de ICMS da fatura de energia no Estado do Rio 25%...essa alíquota fixa pune muito mais os mais pobres que os mais ricos...como imaginar que uma empresa, uma casa de rico pague a mesma alíquota que uma casa de dois quartos...

outro exemplo: se os impostos dos alimentos são altos, e cobrados de todos, na mesma faixa, e sabemos que quanto mais pobres mais gastos com alimentação, fica fácil entender que os pobres pagam mais impostos para comer que os ricos...

e por aí vai...

Roberto Torres disse...

Isto que o Estado de Sao Paulo chama de classe media esta muito acima. Fazem parte das classes B e A, que aumentaram em termos absolutos, mas diminuiram em termos relativos. O crescimento da classe C levou a isso.

Xacal disse...

Olegário,

O percentual de transferência de votos é ainda um mistério...

Há, pelo que sabemos um sintoma: o eleitor satisfeito não vota em mudança de rumo...Por isso os demotucanos evitam as "comparações plebiscitárias", e tentam "descolar" a imagem da Dilma do Lula...

Não há dúvidas: o carisma, a origem de classe dão contornos especialíssimos ao Lula...

Mas a história de vida da Dilma, sua capacidade de gestão e o fato de ser mulher vão conferir outra dimensão a eleição...

Por enquanto, podemos dizer que ela só apanhou, e continua em níveis de aceitação excelentes...

Tenho certeza, quando a eleição começar(leia-se, campanha), elea chega em fevereiro empatada com zé serra...a pergunta é: vai ter ou não segundo turno...

um abraço, e desculpe a demora em responder, porque hoje, aqui, a barra foi pesada...

Anônimo disse...

Que bom que você gostou, a entrevista na íntegra está nesse link:
http://democraciapolitica.blogspot.com/2009/11/crescimento-economico-do-nordeste-e.html

Bjos
Mariana

Xacal disse...

Mari, você como sempre nos trazendo tópicos interessantes...

beijocas...