domingo, 15 de novembro de 2009

Morte impossível...

O monitor campista não morreu, e não morrerá jamais...E por que...??? Ora, jornais não morrem, jornais encerram suas atividades...Pessoas morrem...

Pode parecer um tom jocoso, um trocadilho infame, mas não é...Não dessa vez...

É um malabarismo semântico para delimitar uma diferença grave...

Que se dane o jornal, a marca...Jornalistas que pratiquem jornalismo de verdade(e não de coleira) são imprescindíveis a Democracia...Jornais "sobrevivem" sem jornalistas e jornalismo, a Democracia não...!!!

Há jornais nessa cidade, e no país, que vivem e lucram(muito) sem jornalistas e jornalismo dignos desse nome...

O acervo...??? Estão aí as entidades de memória e arquivologia estão aí para resolver...Junto com as possibilidades digitais...

É lógico, que o fim das atividades do monitor encerra a possibilidade que bons jornalistas mantenham suas interlocução com o público...Mas perguntamos: Seria o monitor uma única alternativa...??? Claro que não...

Não adianta buscar culpados... É preciso entender o processo...O monitor, como todos os jornais, são instrumentos de pressão política(lato sensu), bem como são atividades econômicas(empresas)...Esse binômio o expõe a toda "sorte ou azar..."

Coincidentemente, o monitor campista faz parte de um grupo que é o espólio de um "barão da mídia" que, praticamente, inaugurou esse conceito no Brasil...Falo de Chatô e os Diários Associados...

Assim, enxergamos que é legítimo que seus "adversários" tenham feito de "tudo" para enterrar o "velho" com sua maldição(usando o termo do João Ventura)...Desde que não ao arrepio da Lei...
Esse é o jogo...

O problema é que jornalistas(com raras exceções)tendem a imaginar que seus patrões são jornalistas(até os chamam de colegas), e que os jornais são a extensão do jornalismo...Não são...

Jornais têm dono...que decidem, brigam, lucram, perdem, ganham, influenciam a política, e são influenciados por ela...

Outro problema é que jornalistas ainda têm uma idéia romântica de que os jornais são imprescindíveis a Democracia...Não são...No Brasil, só 7% das pessoas compram lêem jornais regularmente...Os jornais, com raras exceções, sempre se prestaram a estabelecer consensos que impunham os valores da elite...Foi assim em 64, é assim agora...É assim no Brasil, na Venezuela, ou nos EEUU...

Como dissemos lá em cima: jornalistas são imprescindíveis a Democracia, jornais não...!!!

Por isso, os jornais têm encontrado tanta dificuldade em ampliar sua "base social de clientes", quando o mundo assiste a chegada ao mercado de consumo uma enorme faixa que os jornais, com seus editoriais, fizeram questão de "deixar de fora da festa", junto com seus sócios da elite...

É claro, esse não é o fator preponderante na questão do monitor, mas é sim, um dos fatores que contribuíram para esse desfecho...

Penso que o monitor encerrou suas atividades, justamente, pela sua principal "qualidade", que o monitor alardeava: ser imparcial frente a disputa entre os dois grupos que polarizam a cidade...

Ora, com essa intensa radicalização entre os dois grupos, o monitor não foi capaz de agudizar as contradições desses dois grupos, e funcionar como plataforma de um debate sobre uma alternativa a esses dois grupos que compartilham valores que destruíram nossa cidade...Ou seja: não adiantava ficar assistindo a briga entre eles...Era preciso dizer "o porquê" da briga, e acenar com conceitos para superar a contenda...

Ao contrário: enquanto gozava de boa situação econômica(paradoxalmente, proporcionada pelo conforto material das verbas públicas), o monitor escolheu(essa escolha foi editorial, e seu editor-chefe é o principal signo dessa vacilação)ficar à margem do conflito, seguro...ou "neutro"...

Não deu certo...Perdeu leitores arnaldistas, garotinistas, mas não conquistou, nem aumentou seu raio de ação entre os que não queriam nem um nem outro...

Não adianta clamar pela presença de quem se beneficiará do seu fechamento...Eles só farão proselitismo, às custas do sofrimento alheio...

Acertada é a decisão de descobrir porque o monitor lhes incomodava, e manter esse e incômodo intacto, ou pelo menos ativo...

É essa possibilidade que deve nortear o sentimento de solidariedade aos profissionais que agora estão sem emprego...
Sem populismo, é com esses profissionais que devemos levar em conta, quando propusermos novas soluções...

Se a "marca" monitor campista vai ser reutilizada nessa nova empreitada dos jornalistas, ou de uma possível cooperativa não importa...

A melhor "marca" do monitor são as pessoas que trabalharam nele...

Um comentário:

Anônimo disse...

a linha editorial de um jornal é definida pela direção e imposta aos editor-chefe e demais subeditores.
O que mais vier diante disso beira ao desconhecimento do que seja linha editorial.

Apenas os que definem como pseudo-linha editorial geralmente colocam a cara para bater.