segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Muro de Berlim: por um pouco menos de confete...

Vou replicar o título do e-mail que o George Gomes Coutinho me enviou sobre o tema...São 20 anos, hoje, desde a queda do Muro de Berlim, que redesenhou a geopolítica mundial...Muito foi dito desde então...A História não acabou, nem a luta de classes entre pobres e ricos...Outros "muros" se ergueram, mais ferozes e intransponíveis...

De novo, a mídia(sempre ela)vai tentar empurrar em nossas "goelas abaixo", a sua versão da História...

Eu prefiro essa aqui, e principalmente, a parte que grifei, lá do final:

O muro interior

O HISTORIADOR ERIC HOBSBAWM DIZ QUE A QUEDA DO MURO DE BERLIM, EM 9/11/1989, DESESTABILIZOU A ORDEM MUNDIAL E CRIOU UM ESTADO GENERALIZADO DE INSEGURANÇA

7.out.1961/Associated Press

O muro é aumentado do lado leste de Berlim

MARCOS FLAMÍNIO PERES
EDITOR DO MAIS!

Ícone da historiografia de esquerda, o britânico Eric Hobsbawm não perdoa: para ele, o principal efeito da queda do Muro de Berlim, em 1989, foi a desestabilização da geopolítica mundial em prol da única superpotência remanescente -os EUA.
Como consequência, o mundo se tornou mais perigoso.
Em "A Era dos Extremos" (Cia. das Letras), ele já defendera os desdobramentos da queda do muro como cruciais para o século 20. Mais do que isso: cruciais para encerrá-lo antes da hora. Daí o termo que cunhou, "breve século 20".
Já do ponto de vista econômico, Hobsbawm afirma que o pós-1989 levou a um recorde de desigualdade social nos países da antiga Cortina de Ferro -termo que designava, durante a Guerra Fria, os países comunistas europeus sob influência soviética.
Sobre Berlim, cidade que cristalizou a derrocada da velha ordem e o início da nova, o pensador se mostra decepcionado, na entrevista que concedeu por e-mail à Folha.
Apesar de haver se tornado a capital do Estado mais rico da União Europeia, Berlim não se tornou a virtual capital da Europa -como se esperava 20 anos atrás- nem ficou à altura de seu glorioso passado anterior à ascensão do Terceiro Reich (1933).
Coerente, Hobsbawm vê a crise financeira que assolou os mercados financeiros em 2008 como o "Muro de Berlim do neoliberalismo". Ele detecta nesse aparente revés capitalista a possibilidade de rearticulação do pensamento de esquerda -mas desta vez, alerta, em bases "mais realistas".

FOLHA - Passados 20 anos, qual é o legado político e econômico da queda do Muro de Berlim?
ERIC HOBSBAWM -
O legado econômico é certamente menos dramático do que o político. Economicamente, significou a destruição do que restara de um sistema socialista planejado na União Soviética e na Europa do leste -que já estava em declínio- e a integração da antiga região socialista à economia capitalista global.
Isso levou a um colapso social e econômico na ex-União Soviética, embora, posteriormente, a Rússia e algumas ex-repúblicas soviéticas tenham visto alguma recuperação, baseada nos altos preços da energia e dos insumos industriais.
Com algumas exceções, a região provavelmente permanece, em termos relativos, mais atrás do Ocidente do que estava antes da queda do muro. Ela desenvolveu um nível chocante de desigualdade econômica.
Os efeitos políticos, por sua vez, têm sido enormes. Eles reduziram a Rússia de superpotência a um Estado não maior do que era no século 17.
Além disso, a União Europeia saltou de 15 para 27 Estados, e foi criada uma Alemanha unificada no coração do bloco.
Também foi reintroduzida a guerra [conflito nos Bálcãs nos anos 90] e a instabilidade política na Europa, após o colapso do único Estado comunista, a Iugoslávia. Isso acabou por tornar os Bálcãs mais "balcanizados" do que antes.
Outro efeito da queda do muro foi a destruição de um sistema internacional estável.
Isso porque se atribuiu aos EUA a ilusão de que poderiam, como única superpotência global, exercer sua hegemonia no mundo todo -o que acabou por transformar o mundo no lugar perigoso de hoje em dia.

FOLHA - Berlim não se tornou uma das principais capitais europeias, como se previa 20 anos atrás, e a Alemanha, embora rica, foi há pouco superada economicamente pela China. Nesse sentido, a queda do muro foi um fracasso?
HOBSBAWM -
Berlim não se tornou uma grande capital europeia porque a reunificação política das Alemanhas Ocidental e Oriental não teve como recriar um país genuinamente unido.
A antiga Alemanha Oriental -embora seus habitantes estejam hoje muito melhor do que estavam antes de 1989- perdeu sua base econômica para a Alemanha Ocidental. Além disso, apresenta índices de desemprego elevados e continua a perder sua população para a antiga Alemanha Ocidental.
Berlim tem muito poucos habitantes para uma cidade com sua importância histórica.
Para quem a visita, ela parece uma pessoa encolhida usando um sobretudo grande demais para seu peso atual. Culturalmente, nunca reconquistou a posição que detinha entre 1871 [quando o Império Germânico inaugurou o Segundo Reich] e a ascensão de Hitler [em 1933].
Isso não quer dizer que a Alemanha como um todo esteja em declínio. Ela, por exemplo, não pode ser comparada com a China (80 milhões de habitantes contra 1,3 bilhão). Mesmo com um PIB maior do que o da Alemanha, a China é muito menos desenvolvida, muito mais pobre e menos capaz em áreas como tecnologia de ponta.
Se há perigos futuros para a Alemanha como potência econômica, eles nascem da relativa lentidão do desenvolvimento econômico da UE.

FOLHA - A queda do muro representou o colapso do pensamento de esquerda?
HOBSBAWM -
Ela simbolizou, mas não foi a causa, da crise do pensamento de esquerda, que já vinha desde os anos 1970.
Estritamente falando, ela apenas demoliu a crença de que o socialismo de corte soviético (economia planificada comandada por um Estado centralizador que eliminou o mercado e a iniciativa privada) era uma forma factível de socialismo.
Na verdade, como foi a única tentativa de realizar o socialismo na prática, seu fracasso desencorajou os socialistas como um todo -embora a maior parte deles tenha sido crítica do sistema soviético.
Entretanto as raízes da crise da esquerda retrocedem ainda mais. Ela ainda não chegou ao fim, mas o colapso do capitalismo financeiro global em 2008-9 -que foi uma espécie de queda do Muro de Berlim para a ideologia neoliberal- oferece uma chance de reabrir as perspectivas para a esquerda. Mas, espera-se, em uma base mais realista do que no passado.

5 comentários:

Anônimo disse...

é o sujo falando do mal lavado.

O comunismo era tão bom, mas tão bom, que precisava (e ainda precisa, ex. corea do norte) de muros pra evitar que a companheirada deixasse o país...

Xacal disse...

lixo como esse é publicado para ser exposto ao ridículo...não merece resposta...

George Gomes Coutinho disse...

Possivelmente no mundo do anônimo não exista a faixa de Gaza, Guantanamo, polícias de fronteira da União Européia expulsando imigrantes pobres, o muro com a fronteira do México...

O mundo edificado pós Muro de Berlin, na leitura do anônimo, é um doce, livre e cor-de-rosa capitalismo moralmente superior a qualquer tentativa civilizatória.

Anônimo disse...

Como é interessante ver a falta de argumento em defesa do passado perdido e utópico se mostrar através de um "não merece resposta".

Foi escrito alguma mentira? O argumento de que o fim do comunismo é o culpado pelas mazelas do mundo é tão real quanto que o capitalismo vai acabar devido a crise de 2009...balela! Papo de quem tinha o poder e perdeu...

Alias, continua o questionamento: se era tão bom, porque tinha que prender o povão pra continuar existindo?

Ah, e o dito foi: "é o sujo falando do mal lavado" não vi ninguém defendendo e achando "cor de rosa" o capitalismo..afinal, não é, mas é o único viavel.
Ou você acha que se estivesse na Alemanha oriental, seria possível ter um blog como este? Vai na China e tenta escrever algo pra ver o que acontece...

Xacal disse...

blá, blá, blá, blá...isso só pode ser carência afetiva...

onde algum post desse blog fez a defesa de regimes autoritários, quer de berlim oriental ou qualquer outro, pré-Muro de Berlim, ou de agora...

a crítica que se fez aqui é que a leitura feita pelos "arautos do fim da História" estava, e continua errada...

a luta de classe continua, a divisão entre ricos e pobres idem, e a luta ideológica não acabou...

se o comentarista quer algum debate, pelo menos ache o alvo certo...

blá, blá, blá...para atacar tão pueris argumentos, travestidos de senso comum, lá vai uma chavão: não quero o pão socialista sem liberdade, nem a liberdade capitalista sem pão...

é disso que se trata aqui, ó pobre alma...