sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Nas entrelinhas...

O discurso, aparentemente, dramático da prefeita-marionete, na defesa dos royalties do petróleo traz mais significados do que está expresso nas frases de efeito...

Quando a prefeita-marionete diz que nossa região se transformará em uma Serra Pelada, caso sejam mantidos os parâmetros de distribuição de royalties do pré-sal, ela faz uma confissão de fracasso do modelo de gestão que ela, e seu marido, o napoleão da lapa, implantaram desde 1988, e que alternaram com ex-aliados que se transformam em ex-desafetos e, de novo, em ex-aliados, durante esses 20 anos...

Ora, cada dia, o aprofundamento das semelhanças, a exposição da "forma de gerir", e os pontos em comum nos escândalos, revelam que não há distinção entre os dois clãs políticos que se engalfinharam pelas chaves do cofre em 2008, e que ainda mantêm a disputa até hoje...

Logo, não é leviano supor, como sempre falamos, que se tratem de dois lados da mesma moeda...

Foi esse modelo que "torrou" bilhões de reais, e sequer tocou nos problemas estruturais e na desigualdade social...

E se a prefeita-marionete diz que, com todos os recursos que ainda teremos, em 20 ou 30 anos de manutenção da arrecadação dos royalties do petróleo que já exploramos teremos uma "serrapeladização" de Campos dos G., é porque ela não acredita, e pior, não implementará nenhum modelo administrativo que cesse o desperdício, a privatização de recursos públicos para empresas e financiadores políticos, a falta de transparência e fiscalização que ocorreram até agora...
Desta forma, subliminarmente, a prefeita-marionete nos diz que não serão adotadas ações estratégicas que rompam com nossa petróleodependência, e que tornem nossa economia autosustentável, com níveis de desenvolvimento humanos diferentes dos subsaarianos que temos...

Mas ainda assim, precisamos de mais dinheiro, e por que...? Porque não há dinheiro que chegue frente ao prodigalismo praticado por aqui nesses 20 anos...

Enfim, se ela diz que precisa de mais dinheiro, embora não diga se gastará melhor o que já tem, como dar credibilidade às suas supostas boas intenções...?

A prefeita-marionete, com essa chantagem discursiva, se assemelha a um milionário falido, que usou todos os seus recursos em festas e luxo, e hoje pede esmolas com o seguinte bordão: "ajude a encher o tanque da minha Ferrari"...

Quem se dispõe a ajudar...?

5 comentários:

Claudio Kezen disse...

Caro Xacal:

A expressão "legislar em causa própria" cai como uma luva neste episódio.

A prefeita e seu grupo apenas defendem o deixa ficar para ver como é que fica, e assim, os milhões arrecadados em forma de royalties seguirão seu caminho rumo ao desconhecido.

Abraço,
Claudio.

George Gomes Coutinho disse...

Temos aqui um elemento fundamental, algo que já discutimos em vários momentos.

Compreendi já há muito que as opções valorativas deste grupo político, suas táticas e estratégias e sua própria concepção de política operam na seguinte lógica:

a) O aliancismo sem conteúdo programático que o justifique. Isto implica na acomodação de agrupamentos políticos díspares ocupando funções que deveriam ser demarcadas por opções capazes (técnicas e politicamente). Todavia os cargos de indicação política são vias única e exclusivamente de premiação/castigo entre aliados e prováveis desafetos;

b) Esta forma de fazer política a faz paralítica em três elementos de análise de política pública séria: não se traduzem em efetividade, eficiência e tampouco em eficácia. Os quadros alojados operam em uma perspectiva "presentista" da política. Ou seja, realizam meramente a manutenção cotidiana da sua lealdade, impossibilitanto saltos administrativos reais na municipalidade;

c) A lógica da contratação de funcionários enquanto formação de uma base eleitoral leal e dócil. Mais uma vez a negação da capacidade e do mérito (que sabemos que tem lá seus problemas) promove uma administração paralítica e opaca, além de não resgatar moralmente a própria prefeitura enquanto instituição séria. Afinal, quais são os critérios para a contratação de funcionários?;

d) Na possibilidade da existência de quadros com vontade política de operar qualquer tipo de guinada administrativa, por sua incapacidade, tornam-se inertes. Sentam sobre os processos, hierarquias, por simplesmente não saberem onde, quando, como e por qual motivo devem começar.

Em algum momento eu pretendo transformar isso num post. Mas, considerei oportuno diante dos elementos aqui apresentados... O desespero em prol dos royalties em uma realidade de mudanças cosméticas se dá pelo razão simples da manutenção econômica e política de um tipo de dominação personalista na planície. Personalismo este que é a síntese da ausência de elementos programáticos já mencionados em "a".

Abçs!

Roberto Torres disse...

E incrivel... Eu fico tentando imginar o dia a dia desta forma de fazer politica .... e na logica alimentada ai. Se pudessemos isolar campos como uma unidade de analise acho que teriamos o melhor exemplo de como o dinheiro alimenta a estruturas sociais que ja estao funcionandos.

A unica coisa que move este governo,em susas relacoes com a "sociedade civil", e a necessidade de recriar a cada momento a rede de lealdades.

Gustavo Landim Soffiati disse...

O sucesso do fracasso.

Márcio disse...

Tem uma coisa que não está clara para min: Na proposta de regulamentação do Marco Petrolífero, a parcela de 10% de Royalties para estados e municípios permanece, o que acaba, são as participações especiais na área de pré-sal que ainda será explorado. O que já foi cedido em regime de concessão não altera nada. Mas se no pré-sal estimam-se reservas gigantes, 10% disso deverá ser muita coisa!! Será que realmente Campos, Macaé e Quissamã precisam de mais deinheiro pra jogar pelo ralo? Pra fazer praças de 40 milhões e banheiros de 30 mil?