quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A privatização do centro...

O blog Urgente! falou do assunto ontem, e em outras ocasiões...O nosso pequeno espaço idem...

Cremos que há um falso debate nessa questão...Afastemos as manipulações óbvias dos meios de comunicação que tentam nos impor a "ética" de seus interesses, e sua solidariedade com seus "apaniguados"...Não há revitalização do centro...Há privatização do centro...

Vamos aos fatos:

Mente a secretaria de propaganda da pmcg quando diz que a sociedade civil está mobilizada em torno das obras do centro da cidade...Comerciantes e suas entidades de classe são apenas uma parte da sociedade, e não toda ela...

Há diversos outros setores alijados da discussão: taxistas, rodoviários, sindicato de comerciários, associações de moradores, donos de bancas de jornais, associação de bares e hotéis, integrantes das entidades de preservação de patrimônio histórico, secretaria de cultura, conselho municipal de cultura, e enfim, câmara de vereadores...

É certo que o mandato conferido nas urnas dá a prefeita a prerrogativa de tomar as decisões sem consultar um espectro tão amplo de entidades e pessoas...O que ela não pode é "vender" uma versão falaciosa, onde dá contornos de participação popular a um convescote com um dos setores...

Não é leviano supor que as medidas de "revitalização do centro" ocorram a partir da "cartilha do lucro", afinal, essa é a razão de ser de quem é comerciante, ainda que o interesse público seja sacrificado...
Um exemplo disso é a absurda autorização(que já vigora) para que micrônibus circulem nas ruas do Centro, tornando mais caótico o trânsito na região...

Sabem, ou deveriam saber, que os "processos de revitalização" dos centros urbanos, historicamente abandonados e esvaziados em favor da migração das atividades econômicas para os bairros e shoppings, mas também pela falta de investimentos em transporte público que diminui a afluência de pessoas, bem como pela extinção de espaços públicos de convivência(praças e calçadas), não são iniciativas que podem ser "impostas" por intervenções do poder público, sob pena de restringir esse "renascimento" a um dos setores, ou pior, desperdício de recursos públicos...

Há exemplos e exemplos, cada qual com suas características e injunções próprias...A Lapa no Rio floresceu, mas o Pelourinho na Bahia, depois de breve renovação, volta a experimentar a degradação...

Dentre os dois exemplos, uma certeza: não há projeto autoritário que vingue, ou seja, a reativação do Centro, dessa ou de qualquer outra cidade é conseqüência da mobilização das pessoas, de TODAS as pessoas, com a convergência e conflito de VÁRIOS interesses...

Na Lapa, no RJ, o poder público veio "a reboque", com as medidas regulamentadoras, fiscalizadoras e de manutenção: reordenação da ocupação do solo, postura, segurança, engenharia de trânsito...Mas também, entraram com a medidas de fomento direto e indireto: algumas ferramentas públicas foram restauradas, mas houve incentivo fiscal para a remodelação dos imóveis privados...

Ainda assim, esse modelo, bem mais complexo que a "guaribada" pretendida pelos integrantes do poder e da elite local, com a previsível "caça aos camelôs", encontra dificuldades de implementação e flui e reflui...

Não dá para resumir anos e anos de descaso em uma peça de propaganda, algumas reuniões ou editoriais de baixo nível...


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