domingo, 8 de novembro de 2009

Vermelho de vergonha e indignação...

Durante a ronda virtual de hoje, no blog do Roberto Moraes, me deparei com uma notícia estarrecedora, ou melhor: ainda mais estarrecedora...
Assim como o editor do mais lido blog da planície, também evitei o assunto do minivestido vermelho, onde uma aluna foi hostilizada por uma multidão de imbecis, que "desaprovaram" sua escolha de vestuário...

Mas no caso da TrOLha, a indiferença ao assunto foi para evitar afastar análises ruins em momentos de saturação...Tenho praticado essa lógica, ultimamente...
Pode parecer oportunismo, mas é incrível como certos eventos tendem a oscilar a opinião pública de forma acentuada, como variáveis marcadas em um gráfico de função de segundo grau(parábola, senão me recordo bem)...Logo, esperei para enxergar melhor todas "as possibilidades", e quem sabe aí, tecer uma análise melhor...

Mas eis que fui surpreendido por um acontecimento mais grave, que precipitou essas linhas, assim que li o post do Roberto sobre o tema...

A Uniban, entidade de ensino onde se deu o escabroso fato, resolveu expulsar a estudante que foi agredida em suas instalações...

Confesso que tive dificuldades em acreditar no que li...

Depois, recuperado do susto passei a refletir sobre o assunto, e divido com vocês:

Na verdade, o que mais me espanta, agora, depois desse desfecho, é que a decisão da entidade de ensino reacende um viés ideológico que imaginava estar sendo superado pela nossa sociedade...

Explico:

Ao punir a vítima de assédio moral, da difamação e das injúrias, a Uniban revigora a criminalização da vítima, processo conhecido, onde procura se justificar a violência praticada pela "censura" ao comportamento "inadequado" da vítima, algo como: "com uma roupa dessas, ela estava querendo aparecer e provocar"...

Ou seja: algo como justificar um assassinato porque alguém falou: atira se você é homem...

O desdobramento dessa criminalização da vítima, no caso de violências contra as mulheres, e outras violências de gênero(gays, negros, religiosos)já demonstrou(e ainda demonstra) todo seu potencial homicida em anos e anos de nossa História...
Milhares de mulheres sofreram e sofrem abusos e crimes sexuais, e toda a sorte de violência, e ainda são tratadas nas delegacias como "provocadoras" dos desfechos trágicos aos quais foram submetidas...Daí que muitas vítimas sequer se encaminham a esses locais por "medo e vergonha"...

Mas há componentes mais complexos, que tornam mais dramáticos esses casos...

Salta aos olhos uma hipocrisia desacarada, que expõe ao ridículo uma sociedade que cultua a pornografia, a banalização do sexo, o exibicionismo, e depois se apresenta para condenar alguém que deseje se portar como "manda o figurino"...
Muito embora o tom das matérias jornalísticas fosse de reprovação da ação da turba ensandecida, não se deixou de registrar, cinicamente, uma suposta ausculta ao ânimo popular, onde se oferecia ao espectador a "opinião" de que a verdadeira causa foi o vestido e não a intolerância e hipocrisia dos estudantes...
E por aí seguiram todos os "programas tipo superpop"...Falsas polêmicas para "apresentar" um outro lado que nunca poderia ter sido recolocado em pauta: a criminalização da vítima...Algo como chamar neonazistas para falar da "culpa" dos judeus pelo Holocausto...
O pior de tudo, é que a protagonista só resta continuar a se enquadrar, como ela fez ao colocar o vestido...Incorpora-se ao grotesco, e "aproveita" a repercussão e fama súbita, e "vende" a infâmia que sofreu para um mercado cultural ávido por enxergar o que há por trás(e por baixo)do vestido...
Defitivamente, o ser humano não é viável...




4 comentários:

Anônimo disse...

Alguem já se permitiu indagar "a outrem" qual é o limite a ser usado e permitido pelo verbo seduzir dentro da nossa grande e evoluida sociedade ocidental ?
Esse seduzir comporta os objetos e todos os seus adjetivos.
Lógico que eles tem um modelo, regado a consumismo, modismo, padrão.
Quem lembra da dama de vermelho mostrando a calcinha vermelha ?!
Hummm, tesuda, gostosa e safadinha !!!
Mas ela PODE.É o modelo, é linda, é mignot, é é.
Será que foi a ausencia desse " é " que fez os grupos e as instituições acionarem as sirenes da intolerancia ?
E a imprensa ?
A imprensa está adorando e muito, pois é ipobe com baixo custo...aparentemente !

Ana Paula Motta disse...

De novo a mesma lógica perversa que há muito perseguia (???) as mulheres que eram estupradas. Eram interrogads com perguntas do tipo:Como a senhorita estava trajada? Usava soutien?

Anônimo disse...

Acho que realmente ela não estava adeguadamente trajada pra aula, mas isso é uma questão de bom senso, e elegância, mas agora cerca de 700 vândalos xingarem e acuarem a moça em uma sala é um verdadeiro absurdo.
Afinal estamos no Brasil, onde se usa fio dental na praia e onde as mulheres são valorizadas pela sua sensualidade.
Ou não????????
bjos Xacal

Mariana Arêas

Anônimo disse...

A menina com carinha de suburbana, virou celebridade graças a um bando de imbecis, ela tem mais é que aproveitar a fama e ganhar dinheiro encima desse povo preconceituoso!