quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Obama, uma incógnita....

Toda vez que recorrermos a analogias diretas e simplistas, onde as variáveis em questão são países e seus líderes, estaremos fadados ao fracasso...
Aliás, esse método é sempre perigoso, e em condições normais, são úteis apenas para que observemos alguns pontos comuns, para quem sabe, estabelecermos valores a partir da constatação de que certo fenômeno se repete, ainda que sob condições diferentes...

Superado o lenga-lenga inicial aí de cima, passemos ao objeto dessa análise...As incríveis diferenças e semelhanças entre Obama e Lula...


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A rede mundial de computadores e diversos analistas essa semana se dedicaram a avaliar os problemas enfrentados pelo presidente estadunidense, e as contradições que expõem a sua fragilidade política no momento, a despeito da enorme força popular de seu mandato...

No blog do Fábio Sisqueira, o professor Gustavo Carvalho trouxe um bom texto(Obama decepcionante)...

Nos jornais internacionais, como El País, The Independent, Liberátion, dentre outros, há análises que trilham o mesmo caminho, ainda que com olhares diferentes: Obama é refém das próprias expectativas que criou...?

Aqui, colocamos o primeiro ponto em comum entre Lula e Obama: ambos significaram uma "ruptura" no establishment que estavam inseridos, sem que as instituições fossem tocadas, ou seja: Um presidente negro e um presidente operário trazem em seu ineditismo a ruptura dos limites que as democracias de ambos os países impunham a chegada ao poder de certas camadas de suas populações...

Mas os dois não eram apenas símbolos, e deviam representar para os amplos setores que sufragaram suas vitórias nas urnas uma mudança nas estruturas do estamento político, econômico e normativo...

Não se pode comparar as crises que assolaram o Brasil em 1999, e os EEUU, agora em 2008...Mas dada a enorme diferença das economias e sua posição no jogo global e a natureza da crise, é correto dizer que a crise da Rússia em 1999 arruinou tanto o Brasil, como a crise global atingiu os EEUU recentemente...Quer dizer: embora diferentes, causaram estragos semelhantes, salvo por um detalhe: as ferramentas de enfrentamento da crise no Brasil estavam quase anuladas, dada as desastradas opções políticas da dinastia fernandista...Se nos EEUU o tamanho de sua economia garante a possibilidade de recuperação, no Brasil de ffhhcc, a anemia da economia atou o país na bancarrota...

Tanto Obama quanto Lula herdaram, sim, países quebrados...De início, a implementação de suas agendas de governo ficaram submissas a tarefa de "consertar" os fundamentos econômicos, sem os quais, a estabilidade política não se realiza...

Lá como cá, os mandatários maiores dos países, como convém nos regimes democráticos, tiveram que recompor seus países com aqueles que, justamente, tinham sido co-responsáveis pela quebra das suas economias: o setor financeiro...

Para a platéia, ou melhor, sua base social de apoio, a frustração é quase imediata, na medida que os "compromissos históricos" parecem abandonados ou traídos pela necessidade pragmática de garantir governabilidade...

Nesse ponto, mais uma semelhança nos dois casos: embora as elites econômicas dos dois países tivessem desfrutado da melhor parte do universo neoliberal, e tivessem contribuído para a derrocada dos princípios e valores da proteção estatal dos mais necessitados, essas elites, de um lado se colocam como "fiadoras" do processo de reconstrução(desta forma, mantêm intactos seus privilégios), e pela mídia capturada fomentam o acirramento e o desgaste da imagem dos líderes nacionais, multiplicando a dimensão das contradições entre os programas partidários-eleitorais e das ações políticas de governo...Algo como: "Viram...? Não há como ser diferente..." ou em palavras anglo-saxãs: "That's the econmy, stupid"...


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O desafio maior de Obama e Lula pode se resumir, simplisticamente, a um ponto: como criar barreiras ou regulações para a intervenção dos interesses do grande capital no processo decisório democrático...Consideradas,de forma ampla, o financimento e pressão econômica sobre o poder político, e a manipulação de informações promovida pela mídia...Tudo isso, sem ultrapassar os limites da convivência institucional e democrática...

Lula, até por estar em fim de mandato, nos oferece um espectro de tempo maior para avaliação...

Soube equilibrar essas enormes demandas, conciliar interesses antagônicos, sem abrir mão do carro-chefe de sua administração: a inclusão social...Essa habilidade inata ao presidente brasileiro encurralou seus adversários que ficaram sem qualquer agenda para apresentar: a gestão financeira do Estado melhorou, os aspectos sociais mudaram da água para o vinho, enfim, a vida melhorou para todos...Restou a cidadela da corrupção e do moralismo, que não resistiu a um exame mais detalhado dos próprios inquisidores...

E outro ponto raro de sua trajetória: isolou a mídia, que não consegue mais impor seu ponto de vista a toda a população, ou influir no processo decisório de forma definitiva...Tudo isso, sem colocar em prática nenhum dos pontos da pauta de democratização do acesso a informação(veiculação) e produção de conteúdo, duramente, rechaçados, cinicamente, pela grande mídia como dirigismo estatal toda vez que esse debate entrou em cena...


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No caso de Obama, ainda em início de mandato, as questões são muito maiores e complexas, uma vez que os EEUU desempenham papel muito mais amplo no contexto geopolítico mundial, por exmeplo...
Como Obama lidará com as guerras que herdou...??? A primeira constatação óbvia...As escolhas morais sobre a guerra são quase impossíveis...Os interesses estadunidenses se alimentam desse conflito, e não há saídas fáceis...
No lado interno, sua pedra de toque, sua agenda fundamental, a expansão do sistema público de atendimento de saúde foi desfigurada pelos enormes interesses dos garndes grupos econômicos...
O país do Tio Sam também descobre que não basta legalizar o lobby...É preciso controlá-lo...A revista Carta Capital da semana passada traz um artigo sobre o assunto:

Grandes grupos financeiros levaram ajuda oficial, e usam grandes somas de dinheiro(uma gorda parte do contribuinte)para criar fundos mútuos de pressão em cima dos deputados e senadores que regulamentarão as leis sobre os limites do mercado financeiro...Raposas a controlar o galinheiro...

Ao contrário de Lula, e em grande parte devido as diferenças de maturidade institucional dos dois países, Obama decidiu enfrentar a grande mídia conservadora, e de forma singular, passou a considerá-la e tratá-la como ela se comporta: partido político...

E tem pago um preço alto por isso...Mais uma vez as semelhanças: os preconceitos de classe no Brasil e EEUU dão coesão a plataformas políticas cada vez mais anti-democráticas...É verdade que esses preconceitos se manifestam de formas diferentes nos dois países, por motivos óbvios, mas os efeitos na vida política são convergentes: na ausência de uma plataforma política que seduza a maioria, os integrantes da elite reforçam os laços de solidariedade a partir de temas subjetivos, e garantem assim certa "reserva de mercado ideológica", para então, sobreviverem...

Há uma espécie de transição na América(de norte a sul)que interessa ao mundo todo...Aqui, a transferência de poder em 2010 pode ditar os rumos regionais, que refletirão no novo bloco de poder(G20)que começa a se formar, em escala planetária...
Nos EEUU é certo dizer que a transição bush x Obama ainda está em curso...E essa mudança(se vai acontecer de fato, ou não)também determinará os rumos da Humanidade...

Vamos torcer, então....

3 comentários:

Anônimo disse...

Puta q los pariu Xacal
Q post chato véio

Xacal disse...

Meu caro,

temas áridos não podem ser tratados de forma rasteira...

eu sei que o papel de quem escreve, e deseja se comunicar, de fato, tem que fazê-lo de um modo acessível...

mas veja que do outro lado também há que se ter alguma boa vontade em fugir às amarras dos faustões, gugus e pânicos na tv, que imobilizam o senso dos leitores como você...

o aprendizado é chato, e por isso talvez que tais fórmulas de comunicação populares façam tanto sucesso, mas ao mesmo tempo, embotem tanto o pensamento...

mas o blog tem mais de 3000 posts, alguns com essa linguagem simples e rastaquera que você reivindica...

agora não me venha dizer o que escrever e como escrever, a não ser que você seja capaz de fazer melhor e trazer mais debate para o espaço...

no mais sinto muito por não ter me feito entender, ou que o assunto escolhido seja "chato"...eu já penso diferente: a discussão sobre os rumos de nosso futuro nunca são chatos...

mas gosto é gosto: alguns curtem os olhos, outros, como você, só a remela...(viu, linguagem bem simples...?)

Anônimo disse...

Excelente post!
Lula é melhor que Obama!