sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

TrOLhada com poesia...

Esse poema do Drumond foi postado pelo meu bom amigo, don Cabezza, no blog Comentários do Cotidiano...À época, um "herdeiro" local tentava aprisionar o processo democrático do IFF em suas folhas de embrulhar peixe podre...O blog Comentários então lembrou com Drumond como se comportam nossos "deuses KOM UNIK ASSÃO"...
Hoje, com o passar do tempo, os objetivos são bem mais modestos...A escória como sacerdotes/seguidores está cada vez mais escassa, assim como as "oferendas das verbas públicas"...

Mas no altar da verdade, segue o sacrifício da inteligência...

Oremos, então...

AO DEUS KOM UNIK ASSÃO
(Carlos Drumond de Andrade)

EIS-ME prostrado a vossos peses
que sendo tantos todo plural é pouco.
Deglutindo gratamente vossas fezes
vai-se tornando são quem era louco.
Nem precisa cabeça pois a boca
nasce diretamente do pescoço
e em vosso esplendor de auriquilate
faz sol o que era osso.

Genucircunflexado vos adouro
VOS arnouro, a vós sonouro
deus da buzina & da morfina
que me esvaziais enchendo-me de flato
e flauta e fanopéia e fone e feno.
Vossa pá lavra o chão de minha carne
e planta beterrabos balouçantes
de intenso cameiral belibalentes
em que disperso espremo e desexprimo
o que em mim aspirava a ser eumano.

Salve, deus compacto
cinturão da Terra
calça circular
unissex, rex
do lugarfalar
comum.

Salve, meio-fim
de finrinfinfim
plurimelodia
distriburrida no planeta.

Nossa goela sempre sempre sempre escãocarada
engole elefantes
engole catástrofes
tão naturalmente como se.
E PEDE MAIS.

A carne pisoteada de cavalos reclama
pisaduras mais.
A vontade sem vontade encrespa-se exige
contravontades mais.
E se consome no consumo.

Senhor dos lares
e lupanares
Senhor dos projetos
e do pré-alfabeto
Senhor do ópio
e do cor-no-copo
Senhor! Senhor!
De nosso poema fazei uma dor
que nos irmane, Manaus e Birmânia
pavão e Pavone
pavio e povo
pangaré e Pan
e Ré Dó Mi Fá Sol-
apante salmoura
n' alma, cação podrido.
Tão naturalmente como se
como ni
ou niente.

(...)

E quando não restar
o mínimo ponto
a ser detectado
a ser invadido
a ser consumido
e todos os seres
se atornizarem na supermensagem
do supervácuo
e todas as coisas
se apagarem no circuito global
e o Meio
deixar de ser Fim e chegar ao fim,
Senhor! Senhor!
quem vos salvará
de vossa própria, de vossa terrííil
estremendona
inkomunikhassão?

Nenhum comentário: