terça-feira, 29 de dezembro de 2009

UPP: Unidades de Propaganda Pacificadora...

Qualquer medida de política pública, que deseje ser inserida no rol das ações de Estado, e não de governos, partidos e ou, grupos, deve estar submetida ao exame crítico da sociedade para o qual ela se destina, através do tempo de controle, fiscalização, maturação e reordenamento das premissas que sustentam tais inciativas...

Foi assim com os programas de inclusão social e distribuição de renda...Erros, acertos, exageros, manipulações, e, ao que parece, tornou-se um tema que ultrapassa a fragmentação da luta política...É uma conquista da sociedade, que, embora possa modificá-la e melhorá-la, não mais permitirá que seja descartada sua idéia-base: O Estado serve para que os mais fortes protejam os mais fracos...

Nas últimas semanas, o que temos assistido, sem qualquer sutileza, é a tentativa desesperada, da propaganda oficial do governo do Estado, em apresentar as UPPs(Unidades de Policiamento Pacificador)como a solução para o problema da criminalidade violenta na capital do RJ...Como se todo o problema de segurança pública se concentrasse nos morros...

Todos os noticiários, sem exceção, exibiram matérias sobre o assunto, por diversos e variados ângulos, e aproveitaram o clima das festas para exaltar a pax armada promovida nas comunidades...Comovente...Quase dá para acreditar...

A realidade não é tão linda assim...

Qualquer um sabe que se há ocupação, não há paz...Também sabemos, leigos que somos que, o cerne da criminalidade violenta não está nas comunidades onde se instalou as unidades policiais...De tanto falar, parece que ninguém mais ouve, mas repetimos: os morros não emitem moeda, nao fabricam armas, nem drogas...

Assim, a ocupação, ou a tutela militarizada, dessas populações apenas serve para varrer o problema para baixo de outros "tapetes"...Sem atacar a fonte financeira do tráfico e seus instrumentos de lavagem, sem tocar nos sigilos bancários e fiscais dos fornecedores, sem aumentar as barreiras que impeçam o ingresso de armas, bem como a fiscalização sobre os arsenais disponíveis(principalmente, das forças armadas), e enfim, sem a rigorosa fiscalização do comércio de insumos químicos de refino(sim, pasmem: as empresas farmacêuticas lucram horrores com o tráfico), o que assistiremos é a migração e concentração de redes de varejo em regiões específicas...

Vejam que irônico, porém trágico: toda a cadeia produtiva do tráfico, tem um correlato legal que lucra fantásticas cifras com esse "sócio", mas que, no entanto, não são incomodadas com tanta "atenção" pacificadora do Estado, pois como dissemos: Armas são produzidas legalmente, dinheiro é depositado em bancos legais, advogados, empresas vendem serviços e bens, indústrias legais produzem e vendem produtos para refino...

Por envolverem tamanho "PIB", não é leviano supor que as unidades de propaganda pacificadora podem, como um efeito colateral, fazer o que os criminosos não fizeram em anos e anos de disputa sanguinolenta: unir facções rivais em territórios menores, que no entanto, se tornarão cada vez mais inxepugnáveis, com a "união" desse esforço de "fusão" de negócios para enfrentar as "ameaças"...

Servirão como um "regulador de mercado"...

Ao que parece, só o governo do Estado, e seus lacaios da mídia que acreditam no contrário...Ou será que eles não acreditam, e só querem que nós acreditemos...???

Salve, salve a mais nova panacéia: as unidades de propaganda pacificadora...

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