sábado, 30 de abril de 2011

Vamos rodar a sacolinha....

Vem aí um novo partido...o P7, que congregaria a ala evangélica do psdb, e outras "dissidências" de outras legendas...Em comum, a agenda conservadora, à lá Tea Party, para barrar o debate sobre temas como aborto, união civil de homoafetivos, etc, etc...

Como sete é conta de mentiroso, sabemos que esse pessoal não é "santo", e na verdade, a doutrina de uma aberração dessas só pode ser: Sua desgraça é meu consolo...!

Montados na grana dos fiéis, que se misturam ao caixa de seu empreendimentos, onde burlam o fisco com a isenção fiscal destinada às igrejas, vão formatando seus palanques eletrônicos nas rádios e nas TVs, corroendo nosso Estado laico e suas concessões públicas...

Efeitos colaterais da nossa Democracia, que ainda assim, é melhor que a mais perfeita e virtuosa ditadura...!

Uma boa noite à todos, que pai xacal vai cantar pr'á subir, mizifio, uh-hum...ê, ê saravá meu pai...!

O tempo e o vento...!

Não, não e não...Esse blog não vai fazer comentário-chacota com a fala do ave-lynus, chamando outro secretário de "beleza grega", como se a opção estética do seguidor do napoleão da lapa pudesse ter conotação pejorativa...Essa postura homofóbica não tem eco aqui...

Nada disso...ave lynus tem o direito de achar bonito o que lhe aprouver...Nossa preocupação é com a aplicação de outras escolhas do rapaz, ainda mais quando o pagamento por essas "escolhas" fica a cargo do contribuinte, ou seja, eu e você...

Cronometragem a mais de 160 mil reais deve ser para confirmar aquela máxima: Tempo é dinheiro...E em garotinópolis, dinheiro na mão é vendaval, é vendaval...Logo, o tempo passa rápido, e não pára...!

TroLhAdas culturais...

É a jornada de overdose de pipoca...O blogueiro visitou uma loja de departamentos da cidade, e foi às compras...

Êita Lula que me transformou em classe média...que luxo...!

Bom, renovei alguns títulos que se perderam, com aqueles empréstimos de mão única e sem retorno...A bem da verdade, é uma maratona de reexibições no Cine TroLhA...Voltou o blog, voltam esses sentimentos de flashback...rsrs...

Já foram exibidos aqui na tela do cineTroLhA : Don Juan De Marco (de Jeremy Leven-reexibição), O Nome da Rosa(de Jean-Jacques Annaud-reexibição), Os Infiltrados (de Martin Scorcese-reexibição), Os Imperdoáveis (de Clint Eastwood-reexibição), a triologia Bourne (Doug Liman-reexibição) e está pela metade o Conduta de Risco (de Tony Gilroy-inédito no cine TroLhA)...Ufa...

Comprei também, e serão assistidos: Náufrago (de Robert Zemeckis-reexibição no cineTroLhA), Quem Quer Ser um Milionário (de Danny Boile-inédito aqui no cine TroLhA), Pontes de Madison (de Clint Eastwood-reexibição), Era Uma Vez no Oeste (de Sérgio Leone-reexibição)...

Por isso, me perdoem se as postagens rarearem...a maratona é longa...Depois, compartilho minhas opiniões com vocês...

Don Juan De Marco é um dos filmes mais bonitos do cinema, e revê-lo é sempre revisitar impressões dentro de um outro contexto...Como já falei sobre a releitura de determinados livros, como Cem Anos de Solidão, que sempre que posso, releio...

Fora as atuações de Marlon Brando, Faye Dunaway e Johnny Deep, o filme propõe, sem clichês e com extrema delicadeza, humor e sensibilidade, uma leitura sobre os limites entre a "normalidade", a "loucura" e o quanto precisamos misturar um pouco delas, no dia-a-dia, sob pena de tornarmos nossa vida vazia de sentido, a despeito de todos os motivos que buscamos dar a ela, e que na verdade, pouco nos importam...Para melhorar um pouco essa psquiatria de botequim: Só faz sentido a realidade na qual acreditamos...e buscamos...! Junte a isso, a máscara, que funciona como o filtro que usamos para enxergar a realidade que queremos, e através da qual, o outro nos enxerga...!

Adornado com alegorias sobre romance, amor, reencontros, o filme é sobre a busca...Belíssimo filme...

O Nome da Rosa(baseado no livro de Umberto Eco) traz o ótimo Sean Connery e o então novato Cristian Slater, em um suspense/policial improvável em um mosteiro do século XIV...O mote: razão/ciência contra fanatismo/religião parace bem apropriado para os dias de hoje, e de certa forma, traz um debate atemporal...Tudo isso em um ambiente claustrofóbico(a ótima fotografia nos transporta a umidade, escuridão e obscurantismo da Inquisição), e recheado de referências críticas ao comportamento da maior instituição de poder temporal da História: A Igreja Católica...O filme traz em boas tomadas a tortura, o medo, a suplício e a culpa como combsutíveis para a manutenção da fé, e a própria noção da existência de um deus, que sem tantos temores, não seria, enfim necessário...

Bom rever o eterno James Bond, Sir Connery, que anda um pouco sumido das telas...

A Trilogia Bourne dispensa mais apresentações: uma franquia que entrega ao público o que promete: Diversão baseada em ação, espionagem/tecnologia, violência, mortes e conflitos de identidade pautados por dilemas morais simples...Bem feito, e com Matt Damon como sempre: disciplina extrema a serviço do talento...

Os Infiltrados, do mestre Scorcese revisita um tema caro: A impossibilidade de existir uma estrutura de Justiça e, nesse caso, policial sem que exista seu correspondente ilícito, nesse caso, a máfia irlandesa em Boston...Como sempre, fica claro que esses mundos se cruzam a todo tempo, e como dissemos, não existiria um sem ou outro...Mas para além desse dilema entre bem e mal, fica a mensagem que nem sempre o bem aparece como tal, assim como o mal nem sempre é tão mau como parece...

Passemos ao Os Imperdoáveis, clássico do mestre Eastwood, uma homenagem a Sérgio Leone, e o gênero Western, que afinal, se confunde com a história da formação do "caráter" desse estranho país, chamado EEUU...Todos os elementos estão ali, seguros por atuações impecáveis de Morgan Freeman, Gene Heckman e o próprio Eastwood, ladeados por coadjuvantes de bom nível...Também aqui uma abordagem parecida com a oposição de bem e mal, mas que traz no roteiro um passeio mais intimista, ou seja: São as reminiscências dos personagens, os pistoleiros Eastwood, Freeman e o novato, falastrão e quase cego Richard Harris que emolduram o conflito...

É claro que há um pano de fundo de ética pública no filme, como a noção de aplicação de "justiça e da lei", quando o Estado, representado pelo violento xerife vivido pelo Hackman, espanca e tortura(literal e metaforicamente) qualquer noção de direito...Esse conflito também se expressa na valoração que as comunidades têm a respeito de seus próprios defeitos, e como hierarquizam pessoas através dessa estranha escala de valores, ou seja: certas pessoas têm que se socorrer de justiceiros para para buscar a solução de seus conflitos, ainda mais se foram prostitutas...

Eastwood em sua viagem pessoal ao seu passado, em seu eterno luto com a perda da mulher, que dava sentido a um outro mundo que decidiu viver(longe dos revólveres e da bebida, como criador de porcos), o entediado Freeman, que só esperava a chance de voltar à ativa, mas que se descobre incapaz de ser o que era, e o quase-cego Harris...Essa alegoria, a dificuldade em enxergar, dá bem a dimensão do universo do jovem, incapaz de enxergar, na verdade, todos os problemas que sua escolha de vida lhe traria, ou seja: matar pessoas para viver...

Um grande filme...

Papo cabeça da TroLhA...

Antes de tudo, gostaria de agradecer ao carinho de todos que saudaram a volta desse blog com um número grande de visitas, ainda mais se considerarmos que o blog estava inativo há dois anos...

Em grande medida, o retorno foi provocado pelo insistente número de visitantes, que se espalhavam por várias postagens, e deixando comentários, como se fossem flores em um túmulo, rs...

De certa forma, vocês venceram...Não há vaidade que resista a tributos como esse, que é o carinho de vocês...E xacal, vocês sabem, é um canídeo vaidoso...e adora um cafuné das suas leitoras...

Mas é isso também que me traz alguma preocupação...Afinal, se a blogosfera é uma esfera pública de debates, como pode um personagem, um pseudônimo fazer relativo sucesso e contar com certo consenso...?

Não seria o xacal um obstáculo a essa esfera pública, quando se pensarmos direito, o xacal é tão verdadeiro quanto o Mickey Mouse ou o Zorro...?

Por que queremos sempre um personagem para completar esse vazio de nossa incapacidade de mantermos um debate entre nós mesmos...?

Afinal de contas, que monstro é esse xacal...?

Sei lá...e querem saber...? Tanto faz...se é xacal que vocês querem, é xacal que vocês terão...depois não reclamem...rsrs...!

Campicaretas e a pedagogia da humilhação...

Como entendido(no sentido estrito) das coisas da nossa terra, especialista em "aprisionar" manifestações culturais em espetáculos destinados a auto-promoção e a curiosidade pelo exotismo das nossas elites, nosso Oráculo da Cultura acaba de elaborar uma nova "tese", e aplica seus ensaios em laboratório ao ar livre, mas com nosso dinheiro, é claro...

Vejam vocês, meus treze leitores, que o carnaval de garotinópolis continua a mesma porcaria, com o mesmo desarranjo no uso das verbas, que no fim das contas, são a única forma de subsistir dessa manifestação "aparelhada" e dirigida...Como sempre acontece, é claro que alguém leva vantagem nesse troço...

Mas ainda assim, nosso Oráculo persevera...resolveu trazer algumas Escolas de Samba da capital só para mostrar aos bugres da terra como são horríveis aquilo que eles insistem em chamar de desfiles...

Agora chamado campos folia, mas que na verdade, é uma campicareta...encerra em si um estranho paradoxo, só explicável na cabeça de "gênios da raça", como nosso Oráculo: Pagamos duas vezes, e caro, para assistirmos um pedaço do Carnaval do Rio, e um desfile inteiro de horrores da nossa cidade...

Assim, ao ver o descompasso entre as duas manifestações, o campista que assiste a tal "espetáculo" poderá refletir: É nisso que gastamos o dinheiro da prefeitura...?

Tiro o meu chapéu, e rendo minhas homenagens a nova teoria do professor Oráculo da Cultura: A pedagogia da humilhação...

Mas deixo uma dúvida de parvo:

Já que era para financiar as Escolas do Rio, acabar com a Carnaval da cidade, mas manter os gastos para fornecer circo a patuléia (e o pão dos parasitas/correligionários e afins), não era melhor comprar todos os ingressos dos desfiles da capital, e distribuir entre os apaniguados...?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

De Tablao, de Antonio El Pipa



Com todas as reservas que faço ao racismo e a xenofobia espanhola, que acabam por soterrar todo o legado cultural que herdaram, desde a ocupação da península ibérica pelos mouros, passando pela mistura que trouxeram dos povos que conquistaram na América espanhola, é impossível ficar impassível a dança flamenca...O fraseado do violão característico, as palmas...

Tradicionalmente, nas diversas manifestações onde se dança à dois, é o homem que conduz, mas na dança flamenca, o poder feminino se impõe pela marcação dos calcanhares e o sensual movimento dos braços...Esse é o charme...

Assista Antonio El Pipa e sua companhia de flamenco...Olé, la "troja", olé...

Agrovila ou campo de concentração...?


A História é ótima professora, mas é verdade que sua leitura pode obedecer a filtros de quem a interpreta...Inegável, portanto, que nossas experiências passadas podem nos ensinar a evitar erros futuros...

Na maioria esmagadora das vezes que o poder público, engalfinhado com os interesses privados ligados a concentração de propriedade na ocupação do solo(e na respectiva especulação imobiliária que tal medida acarreta), promove intervenção para reunir e segregar populações em espaços delimitados, chamados conjuntos habitacionais (nas cidades) ou agrovilas(no campo), onde houve um deterioração da qualidade de vida, provocados pelo adensamento indesejável, distanciamento e dificuldade de acesso, desrespeito a ocupação baseada nos laços culturais e políticos da comunidade, ainda que, no início, certos aparelhos urbanos dessem a impressão de harmonia, mas que na verdade, obedecem a lógica de "higienização", tese cara às elites...

Uma uniformização das moradias visa "pasteurizar" as diferenças das comunidades, e ceifar-lhes sua identidade, padronizando pessoas e matando a diversidade das vizinhanças...Que no fim das contas, é o que lhes dão vida...

São como campos de concentração modernos, e cuja proposta como solução vem sendo atacada pelos urbanistas mais antenados com o interesse público...
Essa mudança se observa no modo de financiamento das moradias para pessoas hipossuficientes, alocando os recursos diretamente ao mutuário/morador, para que faça as mudanças/reformas/construções desejadas no imóvel, restringindo a intervenção pública a formatação de normas e assessoramente técnico e na melhoria dos serviços públicos disponíveis: coleta de lixo, esgotamento sanitário, etc...

Uma forma muitíssimo mais barata, pois elimina os lucros e malversação de verbas, resultado de licitações viciadas e o superfaturamente de material de péssima qualidade, entregue pelos empreiteiros...

Para esse problema devem estar atentas as autoridades e a comunidade de SJB que será atingida pelos empreendimentos do Porto do Açu...

Se não se cuidarem, perigam acabar em algum tipo de "campo de concentração"...


Foto: Portão de entrada de Auschwitz
com os dizeres: O trabalho liberta (Arbeit Macht Frei)

Um patro de trigro, para tês trigues...

Desde que acordei de minha longa hibernação, pude constatar que certas coisas continuam as mesmas...Por exemplo: o xacal continua ranzinza...

Deve ser ranzinice do xacal, criticar o programa chapa branca, página virada...

Eu nem vou mais mencionar o conteúdo "aparelhado" politicamente que veiculam, em desacordo com a legislação, agravado pelo fato de se tratar de uma emissora "educativa" de curso superior de jornalismo...
Muito menos o fato do programa contar com um secretário do governo que tem vínculo financeiro com a instituição onde o programa é gerado para defender esse mesmo governo, que ainda por cima, por várias vezes, utiliza o veículo oficial dispensado a seu transporte EM SERVIÇO, para se deslocar para desempenhar suas funções de "radialista"...

Deixemos isso para lá...

Isso quem tem que ver são as autoridades, e em última instância o ouvinte/eleitor, que deveria rejeitar esse uso indevido da mídia...e dos bens públicos...

Mas o que me prendo aqui, mais uma vez, é a incapacidade de um dos locutores em ler um texto...Dá pena...Hoje, para façar a palavra "catastrofismo", que dizia respeito aos tornados no sul dos EEUU, o rapaz quase "quebrou a língua"....

Eu pergunto: Você, pai ou mãe de um adolescente em idade de entrar para a faculdade, matricularia seu filho(a), ou você que pode decidir sozinho, se matricularia em um curso que tem como laboratório público um programa onde o locutor não sabe ler...?

Eu fico pensando, embora esse não seja meu forte: Será que é por isso que a referida instituição sobrevive às custas do Erário municipal, e cada vez afunda mais...?
Um círculo vicioso: Dinheiro que traz mediocridade, que afunda mais o ensino, que para sobreviver precisa de mais dinheiro, já que os alunos fogem...?

Cabe a ressalva: Ninguém é prefeito, ops...perfeito, e a erros estamos todos suscetíveis, mas é de doer os ouvidos a falta de zelo com o texto, ainda mais se tratando de uma atividade ligada ao conteúdo pedagógico, e que conta com "apoiadores culturais", que vinculam suas "marcas" a tanta má qualidade...

É melhor virar a página...Quem sabe, por força dos "novos acordos", o rapaz não vira articulista de um importante jornal da cidade...?

Já comeu o bolo antes da festa...

As coisas não são mais como "nos antigamentes", e ainda bem...

É hoje que a periquita plebéia vai virar periquita real...O casamento do século vai ser hoje, mas as núpcias reais já se consumaram faz tempo...Principe William já merendou antes de recreio...

Ainda bem, como suspiraram aliviadas nossas âncoras dos noticiários, que Vossa Majestade, a Rainha, isentou a futura princesa, Catherine Middleton, do teste do "selo de garantia", ou seja, exame de virgindade...

É claro que essa pequena nota é um chiste para dizer o seguinte: O que nos interessa o casamento e os detalhes dos noivos, com os quais somos inundados, ad nauseam, pela mídia PIG?

Bom, alguns dirão: Tem audiência...é verdade...eu não entendo bem esses mistérios insondáveis da opinião pública, mas um dizer que está no blog da Jane (estouprocurandooquefazer.blogspot.com)não sai de minha diminuta cabecinha de canídeo:

"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma".

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Inté...

Hu-hum, mizifio...num se aperreie não, que pai xacal vorta amanhãzinha...ê, caboco, bati forti no tambô aí mizifio, que essa terra tá pricisada de muita reza, e galho di arruda...

Hu-hum...pai xacal vai cantá pr'á subi, e se vossuncê cruzá com esse pessoár da lapa, reza trêis pai nosso, duas ave-maria, e leva um ebó pr'o santo lá no ilê do pai xacal...

xô censura...xô coisa ruim...vorta pr'o mar oferenda rosa, vorta mia fia, que pai xacal pode mais...!!!!

hu-hum...ê, êh...saravá...

Encomende a sua cabeça de papelão, e viva feliz em garotinópolis...

O homem de cabeça de papelão

João do Rio


No País que chamavam de Sol, apesar de chover, às vezes, semanas inteiras, vivia um homem de nome Antenor. Não era príncipe. Nem deputado. Nem rico. Nem jornalista. Absolutamente sem importância social.

O País do Sol, como em geral todos os países lendários, era o mais comum, o menos surpreendente em idéias e práticas. Os habitantes afluíam todos para a capital, composta de praças, ruas, jardins e avenidas, e tomavam todos os lugares e todas as possibilidades da vida dos que, por desventura, eram da capital. De modo que estes eram mendigos e parasitas, únicos meios de vida sem concorrência, isso mesmo com muitas restrições quanto ao parasitismo. Os prédios da capital, no centro elevavam aos ares alguns andares e a fortuna dos proprietários, nos subúrbios não passavam de um andar sem que por isso não enriquecessem os proprietários também. Havia milhares de automóveis à disparada pelas artérias matando gente para matar o tempo, cabarets fatigados, jornais, tramways, partidos nacionalistas, ausência de conservadores, a Bolsa, o Governo, a Moda, e um aborrecimento integral. Enfim tudo quanto a cidade de fantasia pode almejar para ser igual a uma grande cidade com pretensões da América. E o povo que a habitava julgava-se, além de inteligente, possuidor de imenso bom senso. Bom senso! Se não fosse a capital do País do Sol, a cidade seria a capital do Bom Senso!

Precisamente por isso, Antenor, apesar de não ter importância alguma, era exceção mal vista. Esse rapaz, filho de boa família (tão boa que até tinha sentimentos), agira sempre em desacordo com a norma dos seus concidadãos.

Desde menino, a sua respeitável progenitora descobriu-lhe um defeito horrível: Antenor só dizia a verdade. Não a sua verdade, a verdade útil, mas a verdade verdadeira. Alarmada, a digna senhora pensou em tomar providências. Foi-lhe impossível. Antenor era diverso no modo de comer, na maneira de vestir, no jeito de andar, na expressão com que se dirigia aos outros. Enquanto usara calções, os amigos da família consideravam-no um enfant terrible, porque no País do Sol todos falavam francês com convicção, mesmo falando mal. Rapaz, entretanto, Antenor tornou-se alarmante. Entre outras coisas, Antenor pensava livremente por conta própria. Assim, a família via chegar Antenor como a própria revolução; os mestres indignavam-se porque ele aprendia ao contrario do que ensinavam; os amigos odiavam-no; os transeuntes, vendo-o passar, sorriam.

Uma só coisa descobriu a mãe de Antenor para não ser forçada a mandá-lo embora: Antenor nada do que fazia, fazia por mal. Ao contrário. Era escandalosamente, incompreensivelmente bom. Aliás, só para ela, para os olhos maternos. Porque quando Antenor resolveu arranjar trabalho para os mendigos e corria a bengala os parasitas na rua, ficou provado que Antenor era apenas doido furioso. Não só para as vítimas da sua bondade como para a esclarecida inteligência dos delegados de polícia a quem teve de explicar a sua caridade.

Com o fim de convencer Antenor de que devia seguir os tramitas legais de um jovem solar, isto é: ser bacharel e depois empregado público nacionalista, deixando à atividade da canalha estrangeira o resto, os interesses congregados da família em nome dos princípios organizaram vários meetings como aqueles que se fazem na inexistente democracia americana para provar que a chave abre portas e a faca serve para cortar o que é nosso para nós e o que é dos outros também para nós. Antenor, diante da evidência, negou-se.

— Ouça! bradava o tio. Bacharel é o princípio de tudo. Não estude. Pouco importa! Mas seja bacharel! Bacharel você tem tudo nas mãos. Ao lado de um político-chefe, sabendo lisonjear, é a ascensão: deputado, ministro.

— Mas não quero ser nada disso.

— Então quer ser vagabundo?

— Quero trabalhar.

— Vem dar na mesma coisa. Vagabundo é um sujeito a quem faltam três coisas: dinheiro, prestígio e posição. Desde que você não as tem, mesmo trabalhando — é vagabundo.

— Eu não acho.

— É pior. É um tipo sem bom senso. É bolchevique. Depois, trabalhar para os outros é uma ilusão. Você está inteiramente doido.

Antenor foi trabalhar, entretanto. E teve uma grande dificuldade para trabalhar. Pode-se dizer que a originalidade da sua vida era trabalhar para trabalhar. Acedendo ao pedido da respeitável senhora que era mãe de Antenor, Antenor passeou a sua má cabeça por várias casas de comércio, várias empresas industriais. Ao cabo de um ano, dois meses, estava na rua. Por que mandavam embora Antenor? Ele não tinha exigências, era honesto como a água, trabalhador, sincero, verdadeiro, cheio de idéias. Até alegre — qualidade raríssima no país onde o sol, a cerveja e a inveja faziam batalhões de biliosos tristes. Mas companheiros e patrões prevenidos, se a princípio declinavam hostilidades, dentro em pouco não o aturavam. Quando um companheiro não atura o outro, intriga-o. Quando um patrão não atura o empregado, despede-o. É a norma do País do Sol. Com Antenor depois de despedido, companheiros e patrões ainda por cima tomavam-lhe birra. Por que? É tão difícil saber a verdadeira razão por que um homem não suporta outro homem!

Um dos seus ex-companheiros explicou certa vez:

— É doido. Tem a mania de fazer mais que os outros. Estraga a norma do serviço e acaba não sendo tolerado. Mau companheiro. E depois com ares...

O patrão do último estabelecimento de que saíra o rapaz respondeu à mãe de Antenor:

— A perigosa mania de seu filho é por em prática idéias que julga próprias.

— Prejudicou-lhe, Sr. Praxedes?

Não. Mas podia prejudicar. Sempre altera o bom senso. Depois, mesmo que seu filho fosse águia, quem manda na minha casa sou eu.

No País do Sol o comércio ë uma maçonaria. Antenor, com fama de perigoso, insuportável, desobediente, não pôde em breve obter emprego algum. Os patrões que mais tinham lucrado com as suas idéias eram os que mais falavam. Os companheiros que mais o haviam aproveitado tinham-lhe raiva. E se Antenor sentia a triste experiência do erro econômico no trabalho sem a norma, a praxe, no convívio social compreendia o desastre da verdade. Não o toleravam. Era-lhe impossível ter amigos, por muito tempo, porque esses só o eram enquanto. não o tinham explorado.

Antenor ria. Antenor tinha saúde. Todas aquelas desditas eram para ele brincadeira. Estava convencido de estar com a razão, de vencer. Mas, a razão sua, sem interesse chocava-se à razão dos outros ou com interesses ou presa à sugestão dos alheios. Ele via os erros, as hipocrisias, as vaidades, e dizia o que via. Ele ia fazer o bem, mas mostrava o que ia fazer. Como tolerar tal miserável? Antenor tentou tudo, juvenilmente, na cidade. A digníssima sua progenitora desculpava-o ainda.

— É doido, mas bom.

Os parentes, porém, não o cumprimentavam mais. Antenor exercera o comércio, a indústria, o professorado, o proletariado. Ensinara geografia num colégio, de onde foi expulso pelo diretor; estivera numa fábrica de tecidos, forçado a retirar-se pelos operários e pelos patrões; oscilara entre revisor de jornal e condutor de bonde. Em todas as profissões vira os círculos estreitos das classes, a defesa hostil dos outros homens, o ódio com que o repeliam, porque ele pensava, sentia, dizia outra coisa diversa.

— Mas, Deus, eu sou honesto, bom, inteligente, incapaz de fazer mal...

— É da tua má cabeça, meu filho.

— Qual?

— A tua cabeça não regula.

— Quem sabe?

Antenor começava a pensar na sua má cabeça, quando o seu coração apaixonou-se. Era uma rapariga chamada Maria Antônia, filha da nova lavadeira de sua mãe. Antenor achava perfeitamente justo casar com a Maria Antônia. Todos viram nisso mais uma prova do desarranjo cerebral de Antenor. Apenas, com pasmo geral, a resposta de Maria Antônia foi condicional.

— Só caso se o senhor tomar juízo.

— Mas que chama você juízo?

— Ser como os mais.

— Então você gosta de mim?

— E por isso é que só caso depois.

Como tomar juízo? Como regular a cabeça? O amor leva aos maiores desatinos. Antenor pensava em arranjar a má cabeça, estava convencido.

Nessas disposições, Antenor caminhava por uma rua no centro da cidade, quando os seus olhos descobriram a tabuleta de uma "relojoaria e outros maquinismos delicados de precisão". Achou graça e entrou. Um cavalheiro grave veio servi-lo.

— Traz algum relógio?

— Trago a minha cabeça.

— Ah! Desarranjada?

— Dizem-no, pelo menos.

— Em todo o caso, há tempo?

— Desde que nasci.

— Talvez imprevisão na montagem das peças. Não lhe posso dizer nada sem observação de trinta dias e a desmontagem geral. As cabeças como os relógios para regular bem...

Antenor atalhou:

— E o senhor fica com a minha cabeça?

— Se a deixar.

— Pois aqui a tem. Conserte-a. O diabo é que eu não posso andar sem cabeça...

— Claro. Mas, enquanto a arranjo, empresto-lhe uma de papelão.

— Regula?

— É de papelão! explicou o honesto negociante. Antenor recebeu o número de sua cabeça, enfiou a de papelão, e saiu para a rua.

Dois meses depois, Antenor tinha uma porção de amigos, jogava o pôquer com o Ministro da Agricultura, ganhava uma pequena fortuna vendendo feijão bichado para os exércitos aliados. A respeitável mãe de Antenor via-o mentir, fazer mal, trapacear e ostentar tudo o que não era. Os parentes, porem, estimavam-no, e os companheiros tinham garbo em recordar o tempo em que Antenor era maluco.

Antenor não pensava. Antenor agia como os outros. Queria ganhar. Explorava, adulava, falsificava. Maria Antônia tremia de contentamento vendo Antenor com juízo. Mas Antenor, logicamente, desprezou-a propondo um concubinato que o não desmoralizasse a ele. Outras Marias ricas, de posição, eram de opinião da primeira Maria. Ele só tinha de escolher. No centro operário, a sua fama crescia, querido dos patrões burgueses e dos operários irmãos dos spartakistas da Alemanha. Foi eleito deputado por todos, e, especialmente, pelo presidente da República — a quem atacou logo, pois para a futura eleição o presidente seria outro. A sua ascensão só podia ser comparada à dos balões. Antenor esquecia o passado, amava a sua terra. Era o modelo da felicidade. Regulava admiravelmente.

Passaram-se assim anos. Todos os chefes políticos do País do Sol estavam na dificuldade de concordar no nome do novo senador, que fosse o expoente da norma, do bom senso. O nome de Antenor era cotado. Então Antenor passeava de automóvel pelas ruas centrais, para tomar pulso à opinião, quando os seus olhos deram na tabuleta do relojoeiro e lhe veio a memória.

— Bolas! E eu que esqueci! A minha cabeça está ali há tempo... Que acharia o relojoeiro? É capaz de tê-la vendido para o interior. Não posso ficar toda vida com uma cabeça de papelão!

Saltou. Entrou na casa do negociante. Era o mesmo que o servira.

— Há tempos deixei aqui uma cabeça.

— Não precisa dizer mais. Espero-o ansioso e admirado da sua ausência, desde que ia desmontar a sua cabeça.

— Ah! fez Antenor.

— Tem-se dado bem com a de papelão? — Assim...

— As cabeças de papelão não são más de todo. Fabricações por séries. Vendem-se muito.

— Mas a minha cabeça?

— Vou buscá-la.

Foi ao interior e trouxe um embrulho com respeitoso cuidado.

— Consertou-a?

— Não.

— Então, desarranjo grande?

O homem recuou.

— Senhor, na minha longa vida profissional jamais encontrei um aparelho igual, como perfeição, como acabamento, como precisão. Nenhuma cabeça regulará no mundo melhor do que a sua. É a placa sensível do tempo, das idéias, é o equilíbrio de todas as vibrações. O senhor não tem uma cabeça qualquer. Tem uma cabeça de exposição, uma cabeça de gênio, hors-concours.

Antenor ia entregar a cabeça de papelão. Mas conteve-se.

— Faça o obséquio de embrulhá-la.

— Não a coloca?

— Não.

— V.EX. faz bem. Quem possui uma cabeça assim não a usa todos os dias. Fatalmente dá na vista.

Mas Antenor era prudente, respeitador da harmonia social.

— Diga-me cá. Mesmo parada em casa, sem corda, numa redoma, talvez prejudique.

— Qual! V.EX. terá a primeira cabeça.

Antenor ficou seco.

— Pode ser que V., profissionalmente, tenha razão. Mas, para mim, a verdade é a dos outros, que sempre a julgaram desarranjada e não regulando bem. Cabeças e relógios querem-se conforme o clima e a moral de cada terra. Fique V. com ela. Eu continuo com a de papelão.

E, em vez de viver no País do Sol um rapaz chamado Antenor, que não conseguia ser nada tendo a cabeça mais admirável — um dos elementos mais ilustres do País do Sol foi Antenor, que conseguiu tudo com uma cabeça de papelão.


João do Rio foi o pseudônimo mais constante de João Paulo Emílio Coelho Barreto, escritor e jornalista carioca, que também usou como disfarce os nomes de Godofredo de Alencar, José Antônio José, Joe, Claude, etc., nada ou quase nada escrevendo e publicando sob o seu próprio nome. Foi redator de jornais importantes, como "O País" e "Gazeta de Notícias", fundando depois um diário que dirigiu até o dia de sua morte, "A Pátria". Contista romancista, autor teatral (condição em que exerceu a presidência da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, tradutor de Oscar Wilde, foi membro da Academia Brasileira de Letras, eleito na vaga de Guimarães Passos. Entre outros livros deixou "Dentro da Noite", "A Mulher e os Espelhos", "Crônicas e Frases de Godofredo de Alencar", "A Alma Encantadora das Ruas", "Vida Vertiginosa", "Os Dias Passam", "As religiões no Rio" e "Rosário da Ilusão", que contém como primeiro conto a admirável sátira "O homem da cabeça de papelão". Nascido no Rio de Janeiro a 05 de agosto de 1881, faleceu repentinamente na mesma cidade a 23 de junho de 1921.

erre agar, a metamorfose ambulante...

Quanta coisa mudou nessa terra, para ficar a mesma coisa...

erre agar, o horrivel, já foi vice do macabro, brigou com ele, depois sentou (no bom sentido, é claro) na cadeira dele, e voltou para o ninho da lapa...

Depois, se elegeu deputado, comeu na mão do napoleão da lapa, e agora morde a mão que o alimentou...andou rodeando o popozão na festa daquele jornal onde servem orelha de porco, rabo de porco, costela de porco, e claro: nariz de porco...e tudo junto com preto e branco(arroz e feijão, olha lá, hein? Ô gente maldosa)...

Mas afinal, o que é erre agar...?

Depois de inúmeras pesquisas, o Instituto TrOLha Science Research não conseguiu definir o DNA político do moço...Tinha de tudo um pouco, e só um traço era visível: A enorme vaidade...

Concluímos então que tanta mudança de lado é porque para ele, só interessa o lado dele...

Tudo junto e misturado...

É de comover o sentido "amplo" que alguns meios de comunicação dessa cidade dão a liberdade de imprensa... Depois de anos afastado...voltei, e tudo continua do jeito que era, pois a receita para obter receita é a mesma:

Primeiro morde, depois assopra...

E vamos passar a $acolinha...

Agenda da TrOLha.

Veio o pedido, e nós divugamos:



O Pólo Regional Arte na Escola – UENF convida


Oficina da DVDteca


sobre o documentário: LEONILSON: TANTAS VERDADES



A oficina compreende: exibição do filme; discussão do assunto com propostas de trabalhos educativos, oficina prática e reflexiva.



SINOPSE: O último caderno de Leonilson inicia o primeiro bloco deste documentário, em contraponto com a fase inicial de sua trajetória artística. A historia do artista é contada através de depoimentos da coordenadora da documentação do Projeto Leonilson, de sua irmã, de sua mãe, de críticos e de artistas. No segundo bloco, o percurso artístico é focalizado: algumas de suas pinturas, desenhos e bordados, incluindo o projeto e a instalação na Pinacoteca do Estado de São Paulo. O documentário traz também a fala deste artista cearense que residiu, desde os 4 anos, em São Paulo. No ultimo bloco, sua fase final é abordada com silêncios emocionados, com a voz de críticos que apontam as contribuições de sua obra à arte contemporânea brasileira e com a fala do próprio artista através de fragmentos de depoimentos.



Oficina da DVDteca – Valor R$ 5,00

Sexta, dia 29/04, das 14h30min às 17h30min

Responsável pela oficina: Carlim Paravidino

Local: Sede do Pólo Regional Arte na Escola

Será fornecido certificado

Total de vagas: 10 (dez)

Fazer inscrição com antecedência:

Fone: (22) 2724-3471

E-mail: contato@artenaescolauenf.org





Pólo Regional Arte na Escola - UENF
Casa de Cultura Villa Maria
Rua Baronesa da Lagoa Dourada, 234, Centro
Campos dos Goytacazes, RJ
arteuenf@uenf.br
poloartenaescolauenf@yahoo.com.br
contato@artenaescolauenf.org
fone:(22)2724-3471

Pobre "écinho"...

Écinho, o bom moço das alterosas, senador, ex-governador e neto preferido do fantasma da Nova República, também mineirim tancredo, não anda em bom momento...

Depois de levar uma dura da lei seca, e recusar-se a provar que estava sóbrio (hiic..), o écinho perdeu uma bocada.

Foi cancelado o seu contrato de garoto-propaganda de uma famosa marca de sabão em pó.

A fabricante não quis dar margem a duplo sentido, ao colocar o écinho dizendo: "Dá o branco que sua família merece..."

Êiita gente preconceituosa, uai sô...

Promoção...e para mocinha, é claro!

A partir de agora, quem mandar um comentário concorre a um convite para assistir o maravilhoso desfile de Carnaval, com direito a comes e bebes, pagos pelo Erário, é claro.

O nosso ganhador vai ficar ao lado das nossas garbosas autoridades municipais, e melhor ainda, vai ter a chance de um papo de altíssimo nível intelectual com nossos responsáveis por esse espetáculo digno de todos nossos entusiasmados aplausos.

Quem sabem não consegue desfilar com alguma fantasia alugada dos restos dos desfiles da co-irmãs da capital?

Não percam!

Os buracos, as cores e a censura!

Na terra, que pode ser considerada a cloaca de São Paulo, onde Carnaval é em abril, licitação só oficializa a "sacanagem", e voto é mercadoria cara, aterrizou outra aberração: A censura!

Sim, a dona "Justa" mandou, o blog do Waltinho obedeceu, que ele não é besta.

Mas a pergunta fica: Qual a cor dos buracos da cidade?

Buraco negro? Porque sugam milhões de reais?
Buraco pálido? Com a cor da cara dos contribuintes?
Buraco vermelho? De indignação com a decisão judicial, que no entanto, nunca têm a mesma celeridade para fazer cessar tantas irregularidades que assolam essa cidade.

O retorno!

Depois de um enorme tempo em hibernação, o xacal retorna. Não posso desprezar esse patrimônio de visitas diárias aqui nesse espaço.

Aguardem mais postagens, estamos de volta à carga...