sábado, 30 de abril de 2011

TroLhAdas culturais...

É a jornada de overdose de pipoca...O blogueiro visitou uma loja de departamentos da cidade, e foi às compras...

Êita Lula que me transformou em classe média...que luxo...!

Bom, renovei alguns títulos que se perderam, com aqueles empréstimos de mão única e sem retorno...A bem da verdade, é uma maratona de reexibições no Cine TroLhA...Voltou o blog, voltam esses sentimentos de flashback...rsrs...

Já foram exibidos aqui na tela do cineTroLhA : Don Juan De Marco (de Jeremy Leven-reexibição), O Nome da Rosa(de Jean-Jacques Annaud-reexibição), Os Infiltrados (de Martin Scorcese-reexibição), Os Imperdoáveis (de Clint Eastwood-reexibição), a triologia Bourne (Doug Liman-reexibição) e está pela metade o Conduta de Risco (de Tony Gilroy-inédito no cine TroLhA)...Ufa...

Comprei também, e serão assistidos: Náufrago (de Robert Zemeckis-reexibição no cineTroLhA), Quem Quer Ser um Milionário (de Danny Boile-inédito aqui no cine TroLhA), Pontes de Madison (de Clint Eastwood-reexibição), Era Uma Vez no Oeste (de Sérgio Leone-reexibição)...

Por isso, me perdoem se as postagens rarearem...a maratona é longa...Depois, compartilho minhas opiniões com vocês...

Don Juan De Marco é um dos filmes mais bonitos do cinema, e revê-lo é sempre revisitar impressões dentro de um outro contexto...Como já falei sobre a releitura de determinados livros, como Cem Anos de Solidão, que sempre que posso, releio...

Fora as atuações de Marlon Brando, Faye Dunaway e Johnny Deep, o filme propõe, sem clichês e com extrema delicadeza, humor e sensibilidade, uma leitura sobre os limites entre a "normalidade", a "loucura" e o quanto precisamos misturar um pouco delas, no dia-a-dia, sob pena de tornarmos nossa vida vazia de sentido, a despeito de todos os motivos que buscamos dar a ela, e que na verdade, pouco nos importam...Para melhorar um pouco essa psquiatria de botequim: Só faz sentido a realidade na qual acreditamos...e buscamos...! Junte a isso, a máscara, que funciona como o filtro que usamos para enxergar a realidade que queremos, e através da qual, o outro nos enxerga...!

Adornado com alegorias sobre romance, amor, reencontros, o filme é sobre a busca...Belíssimo filme...

O Nome da Rosa(baseado no livro de Umberto Eco) traz o ótimo Sean Connery e o então novato Cristian Slater, em um suspense/policial improvável em um mosteiro do século XIV...O mote: razão/ciência contra fanatismo/religião parace bem apropriado para os dias de hoje, e de certa forma, traz um debate atemporal...Tudo isso em um ambiente claustrofóbico(a ótima fotografia nos transporta a umidade, escuridão e obscurantismo da Inquisição), e recheado de referências críticas ao comportamento da maior instituição de poder temporal da História: A Igreja Católica...O filme traz em boas tomadas a tortura, o medo, a suplício e a culpa como combsutíveis para a manutenção da fé, e a própria noção da existência de um deus, que sem tantos temores, não seria, enfim necessário...

Bom rever o eterno James Bond, Sir Connery, que anda um pouco sumido das telas...

A Trilogia Bourne dispensa mais apresentações: uma franquia que entrega ao público o que promete: Diversão baseada em ação, espionagem/tecnologia, violência, mortes e conflitos de identidade pautados por dilemas morais simples...Bem feito, e com Matt Damon como sempre: disciplina extrema a serviço do talento...

Os Infiltrados, do mestre Scorcese revisita um tema caro: A impossibilidade de existir uma estrutura de Justiça e, nesse caso, policial sem que exista seu correspondente ilícito, nesse caso, a máfia irlandesa em Boston...Como sempre, fica claro que esses mundos se cruzam a todo tempo, e como dissemos, não existiria um sem ou outro...Mas para além desse dilema entre bem e mal, fica a mensagem que nem sempre o bem aparece como tal, assim como o mal nem sempre é tão mau como parece...

Passemos ao Os Imperdoáveis, clássico do mestre Eastwood, uma homenagem a Sérgio Leone, e o gênero Western, que afinal, se confunde com a história da formação do "caráter" desse estranho país, chamado EEUU...Todos os elementos estão ali, seguros por atuações impecáveis de Morgan Freeman, Gene Heckman e o próprio Eastwood, ladeados por coadjuvantes de bom nível...Também aqui uma abordagem parecida com a oposição de bem e mal, mas que traz no roteiro um passeio mais intimista, ou seja: São as reminiscências dos personagens, os pistoleiros Eastwood, Freeman e o novato, falastrão e quase cego Richard Harris que emolduram o conflito...

É claro que há um pano de fundo de ética pública no filme, como a noção de aplicação de "justiça e da lei", quando o Estado, representado pelo violento xerife vivido pelo Hackman, espanca e tortura(literal e metaforicamente) qualquer noção de direito...Esse conflito também se expressa na valoração que as comunidades têm a respeito de seus próprios defeitos, e como hierarquizam pessoas através dessa estranha escala de valores, ou seja: certas pessoas têm que se socorrer de justiceiros para para buscar a solução de seus conflitos, ainda mais se foram prostitutas...

Eastwood em sua viagem pessoal ao seu passado, em seu eterno luto com a perda da mulher, que dava sentido a um outro mundo que decidiu viver(longe dos revólveres e da bebida, como criador de porcos), o entediado Freeman, que só esperava a chance de voltar à ativa, mas que se descobre incapaz de ser o que era, e o quase-cego Harris...Essa alegoria, a dificuldade em enxergar, dá bem a dimensão do universo do jovem, incapaz de enxergar, na verdade, todos os problemas que sua escolha de vida lhe traria, ou seja: matar pessoas para viver...

Um grande filme...

2 comentários:

Gustavo disse...

Xacal, "Os Imperdoáveis" é um grande filme mesmo.Um desses que dá pra ver infinidade de vezes sem se esgotar nunca. Como você disse, o filme 'conversa' com a formação dos Estados Unidos como sociedade violenta, mas também com a forma acerca de como de criam os mitos, tanto os sociais como os cinematográficos.

E faz tudo isso sem misturar as camadas metalinguisticas. Por isso, a estória se desfruta como um faroeste, como uma crítica sociológica ou como uma revisão do gênero 'western'; cada espectador escolhe o que mais lhe agrada.

Para mim, uma cena no final mostra as múltiplas intenções de Os Imperdoáveis: aquela em que o William Munny sai do Saloon depois de ter vingado a morte do amigo. Enquanto se dirige até o seu cavalo, o jornalista que o espiona chega a se colocar os óculos para 'enxergar' melhor. Alí, o personagem de Eastwood deixa o seu recado para os habitantes: "deixem as putas em paz e enterrem o meu amigo, ou senão eu volto e mato todos vocês, desgraçados!". Nesse momento, no fundo da imagem na versão widescreen, vê-se a bandeira norte-americana.

xacal disse...

Caro Gustavo, grande presença...e grandes observações...

Veja que o mote político do filme, a questão da legitimação dos meios paras e fazer justiça nos EEUU, e como a sociedade enxerga e valora a si mesma são atualíssimos...

De certa forma, todas as sociedades e todos os países recorrem a transgressão da lei (ou de outros consensos) para punir, perseguir e vigiar...

Não é isso que acontece com o exército ocupando inconstitucionalmente o morro do Alemão...?

Pois é, a imagem por você descrita é um recado, mas também um reflexão...Hoje, os EEUU se ressentem desse "mandato" para usar os meios que dispõem para fazer "justiça" pelo mundo, isto porque, os motivos não parecem tão caros ao resto do mundo...

Um abraço...