terça-feira, 24 de maio de 2011

A culpa é da camareira...

É claro que toda apuração deve ser equilibrada, e julgamentos precipitados devem ser evitados...Isso vale para qualquer mortal...

Mas os que ocupam posições de mando, ou de "alto coturno" sabem que o preço do poder que desfrutam é a censura pública de seus deslizes, nem sempre justa ou proporcional, mas na mesma medida que o peso dos seus cargos e das decisões que emanam, nem sempre justas também...

Isso não é uma defesa cínica de "tribunais de exceção", que punam por antecipação esse ou aquele figurão...Mas ocupar determinadas posições implica em julgamento "político" de seus atos, e essa valoração, nos tempos de hoje, nem sempre é equilibrada...

No entanto, se por um lado esse desequilíbrio fragiliza intimidades, por outro, como dissemos, aumenta a "importância" relativa desses personagens na sociedade, talvez de forma muito mais ampla que o real significado dos seus mandatos e funções...E todos eles se aproveitam disso, de uma forma ou de outra...

Logo, assim como celebridades que façam carreira pela exposição não podem reclamar privacidade, figurões como o diretor do FMI não podem deixar de cercar de determinados cuidados, e reclamar da hiperbolização de seus deslizes...

É possível que tudo não passe de uma armação...? Claro...É possível que seus adversários do "mercado" tenham se aproveitado para aumentar as dimensões do escândalo...? Óbvio...

Mas é bom esclarecer alguns pontos: Não dá para fazer do diretor do FMI o novo herói anti-neoliberalismo do mundo...Ninguém chega a chefe do FMI por ser bom moço, ou herói dos desvalidos...E se ainda fosse nosso herói, não estaria acima da Lei...Portanto, a melhor forma de provar que houve armação (ou não) é a correta apuração dos fatos alegados, e não afastar, de plano, qualquer apuração, ou desmerecê-la pela condição ou cargo ocupados pelos envolvidos...

Outra questão é que não se pode pretender esdrúxula a situação que ele se meteu, só porque há uma enorme diferença de classe entre os envolvidos (o suposto autor e a suposta vítima), como ouvi hoje no programa de rádio chapa branca da PMCG...
Além de revelar uma visão duplamente preconceituosa, pois "absolve" o autor pela suposta falta de interesse que despertaria uma camareira e pela suposta facilidade em contratar sexo de "alto nível", também "criminaliza a vítima", como se ela tivesse interesse em se "promover", ou tivesse "provocado ou facilitado" o abuso, expediente comum nas delegacias brasileiras, que felizmente vem sendo superado...Como se, em regra, vítimas de abusos sexuais gostassem de falar no assunto, ou fossem torpes a ponto utilizarem seus dramas pessoais como escada social, e mais, como se alguém, conscientemente, "provocasse" uma agressão...Ou seja: o benefício da dúvida é sempre do figurão, e nunca da "mucama..."

Ora, os radialistas de coleira desconhecem, ou fingem não saber, cinicamente, que o "tesão" de abusadores se dá justamente pela inferioridade da vítima, quer seja física, emocional e, ou econômica, o que dá certeza de impunidade, justamente pela compreensão machista da sociedade que os radialistas expuseram: "Um cara cheio da grana iria forçar uma camareira, quando pode comprar o melhor sexo de NY"...? Dão bem a exata noção do que pensam sobre mulheres, e pobres...

Essa é a história cultural do ocidente, com especificidades de cada país, mas em nosso caso, descrita por Gilberto Freire como miscigenação "voluntária", mas que na verdade se deu com a violação de escravas, que depois passaram a ser as empregadas domésticas nas "senzalas modernas"(os quartinhos de empregada), onde patrões se deleitavam e depois iniciavam seus rebentos, acobertados pela posição de classe...

Mais triste é ouvir um presidente de fundação destinada a lutar contra o racismo falar uma asneiras dessas, em se tratando de uma camareira negra...

Em tempo: Interessante a mudança da tese da defesa do diretor do FMI, que evoluiu da negação do contato físico(relação sexual) para a versão do sexo consensual...

Mas como...? Como poderia o diretor do FMI consentir fazer sexo com uma camareira...?Se eu fosse advogado dele, alegaria que foi ela que abusou do pobre homem...Se toda a mídia mundial rejeitasse, pelo menos restaria o apoio das nossas rádios locais e outros tipos de zumbis...

Bom, em um grupo político que tolera "clones", e onde o silêncio abafa consciências, podemos ouvir de tudo...

2 comentários:

Anônimo disse...

Hello é a 3ª vez que vi o teu blogue e adorei tanto!Espectacular Trabalho!
Adeus

Sarcasmo S/A disse...

Me recuso a acreditar que em pleno 2011 ainda exista pessoas com essa mentalidade de NEANDERTAL!

Nem todos evoluíram do Macaco algumas pessoas simplesmente não evoluiram